Jorge Forbes explica por que a criatividade é uma necessidade humana
Em uma reflexão sobre a condição humana, o psicanalista afirma que a criatividade não é um talento reservado a artistas, mas uma característica essencial da existência
Ser criativo costuma ser associado às artes, à inovação ou à capacidade de encontrar soluções originais. No entanto, para o psicanalista Jorge Forbes, a criatividade vai muito além dessas habilidades. Em uma reflexão sobre a condição humana, ele defendeu que criar não é um privilégio de poucas pessoas, mas uma necessidade inerente à vida de todos nós.
Segundo o próprio, a principal diferença entre seres humanos e animais não está na inteligência, como muitas vezes aprendemos, mas na capacidade de criar novos caminhos diante das incertezas da existência.
A criatividade faz parte da experiência humana
Durante a conversa, Jorge Forbes questionou a ideia de que os seres humanos se diferenciam dos animais apenas por serem mais inteligentes. Para ele, essa visão já não explica completamente quem somos, especialmente em um contexto em que a inteligência artificial realiza tarefas antes consideradas exclusivamente humanas.
Em vez disso, ele propôs outro olhar: o ser humano se destaca pela criatividade. E essa criatividade não depende de cursos, técnicas ou talentos especiais. Ela surge porque a própria vida exige que cada pessoa encontre respostas para desafios que não vêm prontos.
Animais seguem instintos; humanos constroem caminhos
Para explicar essa diferença, Forbes recorreu ao pensamento do filósofo francês Jean-Paul Sartre. De acordo com essa perspectiva, os animais já nascem com comportamentos definidos por sua natureza. Uma tartaruga recém-nascida sabe instintivamente caminhar até o mar. Da mesma forma, abelhas constroem colmeias e pássaros fazem ninhos seguindo padrões que se repetem há milhares de anos. Com os seres humanos, acontece o contrário. Não existe um roteiro completamente definido sobre quem devemos ser, quais escolhas fazer ou qual caminho seguir. Essa ausência de respostas prontas abre espaço para a criatividade.
O vazio também impulsiona o crescimento
Para Forbes, viver significa lidar constantemente com perguntas que não possuem respostas definitivas. Questões relacionadas ao amor, ao trabalho, aos sonhos ou ao propósito da vida não chegam acompanhadas de instruções. Por isso, cada pessoa precisa construir suas próprias respostas ao longo da existência. Embora esse vazio possa causar insegurança, ele também representa uma oportunidade de transformação. É justamente a falta de certezas que impulsiona a criação de novos projetos, relações e formas de enxergar o mundo.
Criar também significa assumir responsabilidades
Ao criar soluções para os desafios da vida, o ser humano também assume a responsabilidade por suas escolhas. No ponto de vista do lacaniano, essa liberdade pode parecer desconfortável, mas permite que cada indivíduo desenvolva sua própria trajetória, em vez de apenas repetir comportamentos determinados pela biologia ou pelos instintos. Assim, criar não significa apenas produzir arte ou inventar algo extraordinário. Também envolve reinventar a própria vida, encontrar novas possibilidades diante das dificuldades e construir sentidos para a própria existência.
A criatividade transforma a maneira como vivemos
Ao final da reflexão, Jorge Forbes destacou que a criatividade não é um luxo nem uma habilidade exclusiva de profissionais criativos. Ela faz parte da condição humana e se manifesta nas decisões cotidianas, nos relacionamentos, na forma como enfrentamos desafios e na capacidade de imaginar futuros diferentes. Em um mundo marcado por mudanças constantes, essa habilidade torna-se ainda mais importante. Afinal, quando não existem respostas prontas, criar passa a ser uma das formas mais humanas de seguir em frente.
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