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Dia de Prevenção ao Suicídio: o diálogo pode salvar vidas

Confira como uma conversa acolhedora ajuda na saúde mental

10 set 2020
12h37
atualizado em 11/9/2020 às 13h09
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Diálogo aberto e acolhedor é fundamental para prevenir o suicídio -
Diálogo aberto e acolhedor é fundamental para prevenir o suicídio -
Foto: Pexels / João Bidu

O dia 10 de setembro é reservado ao Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. No Brasil, desde 2014 ocorre a campanha do Setembro Amarelo, que é realizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). 

Durante o mês inteiro, a campanha joga luz nas questões acerca das doenças mentais, saúde mental e os sinais de comportamento suicida que, infelizmente, são assuntos pouco discutidos pela sociedade por causa do preconceito.

Muitas pessoas acreditam que falar sobre suicídio pode refletir no aumento das mortes. Porém, na realidade, o problema é potencializado por causa da falta de informação sobre tratamentos mentais e o pouco acolhimento que os indivíduos com pensamentos suicidas recebem da família, dos amigos e do grupo social.

De acordo com a campanha Setembro Amarelo, no Brasil, todos os anos são registrados aproximadamente 12 mil suicídios. Entre os casos, 96,8% tiveram alguma relação com transtornos mentais, como depressão, transtorno bipolar e abuso de substâncias químicas.

Esses e outros transtornos mentais podem ser tratados e controlados com ajuda de psicólogos(as) e psiquiatras. O auxílio médico é fundamental para prevenir o risco do suicídio, porém, o paciente também precisa da atenção e dos cuidados das pessoas que convivem com ele.

É possível identificar com antecedência os sinais de comportamento suicida por meio da observação e do diálogo aberto e acolhedor. Os sintomas, em geral, são o maior desejo de se isolar, perda do interesse de se envolver em atividades, insinuações sobre querer morrer, não ter perspectivas positivas, ficar apático(a) e ter pensamentos e atitudes violentas contra si mesmo(a).

O diálogo pode salvar vidas porque é um momento em que há possibilidade de expressar os sentimentos e as emoções contidas. Cada pessoa sabe a dor que carrega, por isso não podemos julgar o que o outro está sentino - é algo que está fora da nossa compreensão. 

O que é possível, então, é ter empatia e ouvir o que a pessoa tem para dizer. Em alguns casos, os pacientes têm vergonha de mostrar fragilidade e ocultam a verdade da família e dos amigos. Essa atitude impede o diagnóstico e, com o tempo, pode ocasionar um maior transtorno mental que leva ao suicídio.

Pessoas que sentem o desejo de se matar têm os pensamentos influenciados pelos problemas mentais. Dessa forma, a percepção da realidade é alterada drasticamente. Isso mostra que ao cuidar da saúde mental do paciente, o risco do suicídio é reduzido por completo.

Portanto, converse abertamente com as pessoas que estão ao seu redor. Observe as atitudes e as falas de cada uma. Especialmente durante a quarentena, não deixe as pessoas que você ama sozinhas. A distância, faça ligações para propagar amor e empatia, e não leve na brincadeira os assuntos que possuem alguma relação com o desejo de morrer e/ou tristeza. Antes de tudo, respeite a dor que a pessoa está sentindo.

Acolher o outro pelo diálogo é praticar a comunicação não violenta. É exibir por meio de palavras, ou até mesmo pelo silêncio, que a vida do outro importa e que você está aberto(a) para ouvir e ajudar. Uma conversa sincera pode salvar uma vida.

E não deixe de procurar o auxílio de especialistas e de associações - o Centro de Valorização da Vida faz um trabalho de apoio emocional e prevenção do suicídio atendendo gratuitamente ligações, email e chat de pessoas que querem ter uma conversa sincera com alguém. Os atendimentos são sigilosos e funcionam 24 horas todos os dias.

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João Bidu
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