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Gordura no fígado: médico explica quando o acúmulo ultrapassa o limite normal e vira risco à saúde

A condição afeta mais de 2 bilhões de pessoas no mundo; o diagnóstico precoce por exames regulares evita complicações graves como a inflamação do órgão

16 jun 2026 - 18h53
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O acúmulo de gordura nas células do sistema digestivo virou um problema grave de saúde pública em todo o mundo. A esteatose hepática, conhecida popularmente como gordura no fígado, atinge cerca de 30% da população global atualmente. Esse índice representa uma marca preocupante de mais de 2 bilhões de pessoas com a condição. Além disso, o cenário na América do Sul apresenta as taxas mais elevadas de prevalência da patologia. No Brasil, o problema médico acompanha a média internacional e afeta de 20% a 30% dos cidadãos nas estatísticas recentes.

Gordura no fígado: médico explica como evitar
Gordura no fígado: médico explica como evitar
Foto: Canva / Bons Fluidos

Gordura no fígado: médico explica condição e  sintomas

Nesse sentido, a manifestação da doença em pacientes de faixas etárias mais novas acendeu um alerta importante nos consultórios. O médico Lucas Nacif, que atua como cirurgião do aparelho digestivo e integra o Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva, conta que recebe um número crescente de pacientes jovens com o diagnóstico positivo nos exames. Segundo o profissional, a rotina inadequada e a má alimentação explicam essa mudança no perfil dos doentes. A patologia ocorria principalmente em indivíduos mais velhos, mas ela agora ameaça o bem-estar dos jovens.

"Infelizmente, estou recebendo um número crescente de jovens com diagnóstico de esteatose hepática, isso se dá ao estilo de vida inadequado e da má alimentação, e é bastante preocupante, pois a doença, antes vista principalmente em uma população mais adulta, agora afeta a mais jovem também"

Os limites biológicos e as funções do órgão

Por outro lado, o corpo humano suporta uma quantidade pequena de gordura no tecido hepático sem apresentar falhas funcionais. O problema de saúde surge quando a infiltração de lipídios ultrapassa o limite de 5% do volume total do órgão. Os médicos consideram o quadro ameno ou leve até esse patamar específico de gordura acumulada. Contudo, os riscos de inflamações graves aumentam consideravelmente se o índice superar a marca de 30%. O perigo também cresce quando a gordura se associa a outras comorbidades crônicas no paciente.

Da mesma forma, o bom funcionamento da estrutura hepática garante o equilíbrio metabólico de todo o organismo vivo. A glândula realiza funções vitais indispensáveis, como o armazenamento seguro de ferro, de cobre e de vitaminas essenciais. O órgão regula as taxas de glicose no sangue e comanda a distribuição dos níveis de colesterol. A estrutura também fabrica a bile para a digestão e converte a amônia tóxica em ureia para a eliminação urinária.

"Veja, o nosso fígado conta com funções essenciais, como o armazenamento de vitaminas (A, D, K, E), ferro e cobre, a regulação da glicose e dos níveis de colesterol, a produção de fatores de coagulação e bile, e a conversão de amônia em ureia, eliminada pela urina. Ele é como um laboratório do corpo, responsável por diversas funções vitais que mantêm nosso organismo em equilíbrio, e por isso precisa estar completamente saudável"

Os graus da evolução e as formas de prevenção

Contudo, a comunidade médica divide a evolução da infiltração gordurosa em três níveis distintos de gravidade. O grau 1 caracteriza-se pela deposição leve de células gordurosas na região interna do órgão. Já o grau 2 apresenta uma deposição moderada de gordura no tecido. Por fim, o grau 3 exibe um acúmulo acentuado e perigoso de lipídios na estrutura. A patologia evolui de forma silenciosa e não costuma gerar sintomas dolorosos no cotidiano. No entanto, os casos graves associados à síndrome metabólica provocam pele amarelada, acúmulo de líquido no abdômen e hematomas na pele.

O diagnóstico precoce da enfermidade depende da realização regular de exames clínicos solicitados pelo médico assistente. Os profissionais usam a ultrassonografia abdominal e os testes laboratoriais de função hepática para identificar as alterações. O grupo com sobrepeso e obesidade lidera os fatores de risco do distúrbio. Nesse público específico, a taxa de incidência da patologia atinge de 60% a 95% das pessoas. Cerca de 62% dos brasileiros demonstram preocupação com o tema, mas apenas 7% da população possui um diagnóstico formal da enfermidade.

Em suma, a mudança de hábitos cotidianos representa o único caminho seguro para reverter o avanço do problema. O paciente precisa adotar uma alimentação balanceada baseada nos padrões nutricionais da dieta mediterrânea. Esse modelo alimentar prioriza o consumo diário de fibras, de vegetais frescos, de proteínas magras e de grãos integrais. A prática frequente de exercícios físicos ajuda na manutenção de um peso saudável e protege as células. O indivíduo também deve cortar o consumo de bebidas alcoólicas, pois o álcool destrói os tecidos sadios.

"O paciente deve evitar o consumo de álcool, pois danifica as células do fígado. Além de adotar uma alimentação saudável, como a dieta mediterrânea, rica em fibras, vegetais, proteínas magras, azeite de oliva e grãos integrais, e buscar manter um peso saudável através de uma dieta equilibrada e exercícios físicos regulares"

Bons Fluidos
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