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Flacidez após emagrecimento impulsiona busca por cirurgia

Popularização de medicamentos como Mounjaro, Ozempic e Wegovy cria nova demanda por procedimentos reparadores

7 out 2026 - 10h33
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Resumo
A rápida perda de peso provocada por medicamentos como Ozempic e Mounjaro tem impulsionado a procura por cirurgias plásticas para corrigir flacidez e excesso de pele no rosto e no corpo. Com um terço dos lares brasileiros já usando essas substâncias, cresce a demanda por procedimentos reparadores, repetindo uma tendência já consolidada nos Estados Unidos. Especialistas ressaltam que o tratamento exige avaliação individualizada da sustentação dos tecidos e a estabilização prévia do peso.

Pacientes que perderam grandes quantidades de peso passam a buscar procedimentos para corrigir o excesso de pele e a perda de contorno corporal

O avanço das chamadas canetas emagrecedoras, como Mounjaro, Ozempic e Wegovy, transforma a relação dos brasileiros com o emagrecimento e cria novas demandas na cirurgia plástica. Entre os efeitos das perdas significativas e aceleradas de peso estão o aumento da flacidez e o excesso de pele. Essas condições podem levar pacientes a buscar procedimentos reparadores para recuperar o contorno corporal e facial.

Foto: Revista Malu

Números que crescem

Embora o Brasil ainda não tenha um levantamento oficial que relacione o uso de GLP-1 à procura por cirurgias plásticas, a tendência já ganha atenção especializada. Dados de mercados onde essas medicações chegaram antes também reforçam esse movimento.

Um levantamento realizado em fevereiro de 2026 aponta que 33% dos domicílios brasileiros já tinham ou tiveram um morador utilizando canetas emagrecedoras. No fim de 2025, esse número era 26%. Entre os usuários, 69,5% pertencem às classes de renda mais altas, enquanto essa parcela representa 29,8% da população em geral. O levantamento também mostra que 43,1% dos usuários estão na faixa entre 36 e 50 anos. Sendo justamente um grupo com maior participação em procedimentos estéticos eletivos.

Outro dado chama atenção para o perfil desse público: 61% dos usuários vivem em domicílios sem filhos, enquanto o gasto médio declarado exclusivamente com a caneta chega a R$ 800 mensais, sem considerar consultas, exames e acompanhamento médico.

A busca para reverter a flacidez

Para o renomado cirurgião plástico José Cury, o cenário representa uma mudança importante no perfil de pacientes que chegam aos consultórios. Segundo o médico, a perda expressiva de peso pode trazer alterações que vão além da redução das medidas, especialmente quando há grande quantidade de pele excedente e perda de sustentação dos tecidos.

"Quando o paciente perde uma quantidade significativa de peso, não estamos falando apenas de redução de medidas. É comum que o corpo passe por mudanças importantes na pele e na sustentação dos tecidos, e isso precisa ser avaliado de forma individualizada", explica José Cury.

Para a cirurgia plástica, a consequência de um emagrecimento expressivo pode aparecer principalmente na forma de excesso de pele e flacidez. Abdômen, braços, mamas, coxas, face e pescoço estão entre as regiões que podem apresentar alterações importantes após uma perda acentuada de peso, dependendo da quantidade perdida, da idade, da elasticidade da pele e de características individuais.

"Abdômen, braços, mamas, coxas, face e pescoço podem apresentar diferentes graus de flacidez após um emagrecimento expressivo. A indicação de qualquer procedimento depende das características de cada paciente, da estabilidade do peso e da qualidade dos tecidos", afirma o cirurgião.

Procedimentos nos EUA

Nos Estados Unidos, onde os medicamentos da classe GLP-1 ganharam espaço antes, o movimento já começa a aparecer nos dados da American Society of Plastic Surgeons (ASPS). Em 2025, 82% dos cirurgiões-membros entrevistados pela entidade relataram receber pedidos de consulta relacionados ao uso de medicamentos GLP-1.

O impacto também aparece em determinados procedimentos. Segundo os dados apresentados pela ASPS, o enxerto de gordura facial cresceu 52% entre pacientes de 46 a 55 anos, enquanto a faixa etária acima de 66 anos registrou crescimento proporcional de 24% nos procedimentos, sendo a que mais avançou entre os grupos analisados.

Tratamento individualizado

O cenário indica o surgimento de pacientes com necessidades específicas. Eles alcançaram uma perda importante de peso, mas passaram a conviver com excesso de pele e alterações na sustentação dos tecidos. Essas mudanças também podem afetar o contorno corporal e facial. Nesse contexto, a avaliação do cirurgião plástico deixa de considerar apenas a quantidade de peso perdida. O especialista também avalia a qualidade da pele, a distribuição da gordura, a estrutura corporal e as expectativas do paciente

Mais do que uma consequência estética do emagrecimento, a flacidez pós-perda de peso representa um novo território de atenção dentro da cirurgia plástica. Com a popularização dos medicamentos GLP-1 e a tendência de manutenção desse mercado, a expectativa é que a demanda por procedimentos destinados a pacientes que passaram por grandes transformações corporais continue ganhando espaço.

Para José Cury, a indicação de procedimentos reparadores deve ser individualizada. Além de considerar fatores como estabilidade do peso, condições clínicas, qualidade dos tecidos e objetivos do paciente, especialmente após um processo de emagrecimento acelerado.

Revista Malu Revista Malu
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