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Fátima Bernardes reflete sobre luta contra a ansiedade e carreira no digital: 'Falar me ajuda'

Apresentadora relembra a decisão de deixar o Jornal Nacional, fala sobre o tratamento contra a ansiedade e conta como encontrou uma nova forma de se realizar na internet

27 jul 2026 - 15h10
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Depois de mais de três décadas na televisão, Fátima Bernardes provou que nunca teve medo de recomeçar. Em 2024, a jornalista encerrou um ciclo de 36 anos na TV para investir na produção de conteúdo digital, criando um canal próprio e apostando em vídeos para YouTube e redes sociais. Agora, ao lado da filha, Bia Bonemer, prepara a segunda temporada do videocast Cá Entre Nós, que terá como tema central o significado do sucesso nos dias de hoje.

Fátima Bernardes fala sobre ansiedade, terapia, a saída do Jornal Nacional, a adaptação ao universo digital e os aprendizados da nova fase
Fátima Bernardes fala sobre ansiedade, terapia, a saída do Jornal Nacional, a adaptação ao universo digital e os aprendizados da nova fase
Foto: Reprodução/Instagram / Bons Fluidos

Em entrevista ao videocast Conversa Vai, Conversa Vem, do portal O Globo, a apresentadora falou sobre a nova fase da carreira, os aprendizados com os filhos e, principalmente, sobre sua relação com a ansiedade - assunto que, segundo ela, ainda faz parte da sua vida.

O sucesso ganhou um novo significado

A experiência de dividir a apresentação do programa com a filha fez Fátima perceber como diferentes gerações enxergam a realização profissional de maneiras distintas. Foi justamente essa troca que inspirou o tema da nova temporada.

Segundo a jornalista, a ideia é discutir como a definição de sucesso mudou ao longo do tempo. Enquanto sua geração costumava associar a conquista profissional a uma carreira longa dentro da mesma empresa, os jovens costumam enxergar esse conceito de forma muito mais ampla e flexível.

Ela também relembrou quando percebeu, pela primeira vez, que havia se tornado uma figura conhecida do público: ao ser reconhecida e receber um pedido de autógrafo ainda no início da carreira como jornalista.

A filha ajudou a tornar tudo mais leve

Fátima contou que a convivência com Bia também a fez mudar a maneira de encarar os desafios da internet. Ela revelou que uma frase da filha marcou o início dessa nova etapa. Enquanto sempre carregou a responsabilidade de saber que cada palavra dita na televisão tinha grande peso, Bia a tranquilizou ao dizer: "Mãe, nada do que eu disser será tão grave".

Outra observação também a fez relaxar. Quando perguntaram à jovem como era estrear ao lado da mãe, ela respondeu: "Ela também está começando, nunca fez Youtube". Para Fátima, essa perspectiva diminuiu a pressão e tornou o processo de adaptação mais leve.

Ansiedade acompanhou momentos decisivos da carreira

Durante a conversa, a apresentadora voltou a falar sobre sua saúde mental e revelou que precisou recorrer a tratamento medicamentoso por cerca de dois anos. Ela explicou que a fase coincidiu justamente com o período em que começou a pensar em deixar o Jornal Nacional, decisão que aumentou significativamente sua ansiedade.

"Durante dois anos, precisei tomar uma medicação. Não tive problema. Se tivesse que tomar a vida toda, tomaria. É um ansiolítico, o mesmo remédio pode servir para depressão, mas se numa dosagem diferente para ansiedade. Foi justo no período em que estava elaborando a vontade de sair do JN para fazer outro programa e aquilo aumentou muito a minha ansiedade. Faço terapia. Entendi que não vou ser uma pessoa zen. Falar me ajuda. A primeira vez que tive uma crise de ansiedade estava no avião e aí me explicaram que se ela tivesse acontecido num outro lugar… talvez tivesse medo de elevador", refletiu.

A crise de ansiedade que mudou sua relação com aviões

A primeira crise intensa aconteceu durante uma viagem, logo após deixar os filhos pequenos pela primeira vez para fazer um passeio. Ela contou que havia tomado um medicamento para dormir durante o voo, mas acabou tendo uma reação inesperada. Vieram suor intenso, tensão muscular e um medo enorme de que os outros passageiros percebessem seu estado.

Depois desse episódio, passou mais de dois anos sem conseguir entrar em um avião e desenvolveu uma fobia que, embora hoje esteja mais controlada, ainda exige alguns cuidados durante as decolagens. Segundo Fátima, enfrentar gradualmente esse medo foi essencial para reduzir a intensidade da ansiedade.

O corpo começou a dar sinais de que era hora de mudar

Muito antes de anunciar sua saída do Jornal Nacional, Fátima já sentia que precisava viver novos desafios. Ela revelou que chegou a imaginar que seria mais fácil deixar a bancada caso algum problema de saúde a impedisse de continuar. Pouco tempo depois, seu corpo começou a reagir. A jornalista contou que passou mal diversas vezes antes de entrar ao vivo. "Cheguei a fazer jornal com dois enfermeiros embaixo, no serviço de emergência da Globo, porque eu passava mal", relatou.

Foi durante esse período que percebeu que a mudança profissional não era consequência da ansiedade, mas sim parte da solução. Depois de iniciar o tratamento e criar coragem para seguir novos caminhos, os sintomas diminuíram e ela deixou de precisar da medicação.

A maternidade também trouxe medos intensos

Fátima revelou que uma das maiores angústias enquanto os filhos eram pequenos era imaginar que poderia morrer e deixá-los sem a mãe. Esse medo acabou desencadeando a fobia de avião e fez com que, por muitos anos, ela e William Bonner evitassem viajar na mesma aeronave quando os filhos não estavam presentes.

Hoje, já adultos, Laura, Beatriz e Vinícius proporcionam uma tranquilidade que ela diz nunca ter experimentado antes. Ver que os três construíram autonomia e conseguem cuidar da própria vida trouxe uma sensação de paz e diminuiu a necessidade constante de protegê-los.

A internet ensinou que errar também aproxima

A transição para o ambiente digital trouxe uma surpresa inesperada. Acostumada ao rigor do jornalismo televisivo, Fátima estranhou perceber que, nas redes sociais, pequenas falhas muitas vezes aproximam o criador de conteúdo do público.

Ela contou que, aos poucos, passou a aceitar melhor essa espontaneidade e percebeu que vídeos mais simples - como tirar a maquiagem no fim do dia ou reagir aos próprios conteúdos antigos - frequentemente despertam mais interesse do que grandes entrevistas. Para ela, essa nova fase permitiu mostrar aspectos da personalidade que o público nunca havia conhecido durante décadas de televisão.

Trabalho continua sendo uma fonte de energia

Apesar das inúmeras mudanças de carreira, Fátima diz que nunca perdeu o prazer em trabalhar. Ela afirmou que sempre desejou transmitir aos filhos uma relação saudável com a profissão, mostrando que o trabalho pode ser fonte de realização e não apenas um meio para ganhar dinheiro.

Hoje, dividindo seu tempo entre projetos digitais, entrevistas e o videocast com a filha, ela acredita estar vivendo mais uma etapa de reinvenção - mantendo a curiosidade e a disposição para aprender, características que marcaram toda a sua trajetória.

Bons Fluidos
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