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Exu do Ouro: o que a Umbanda ensina sobre prosperidade e consciência de riqueza?

Em novo livro, Pai Rodrigo Queiroz utiliza fundamentos da tradição afro-brasileira e da filosofia iorubá para discutir dinheiro, trabalho, autoconhecimento e a relação entre espiritualidade e prosperidade

4 ago 2026 - 19h10
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Por que algumas pessoas se sentem travadas financeiramente mesmo quando batalham, estudam e buscam crescer profissionalmente? Para o filósofo, sacerdote e mestrando em Ciência da Religião, Pai Rodrigo Queiroz, a resposta pode estar menos na falta de oportunidades e mais na forma como cada um aprende a se relacionar com dinheiro, trabalho e prosperidade. No livro Exu do Ouro: Consciência de riqueza, ele propõe uma reflexão sobre padrões de escassez, autoboicote e crenças que, muitas vezes, impedem o desenvolvimento de uma relação saudável com a abundância.

Obra de Pai Rodrigo Queiroz explora como crenças de escassez podem influenciar a relação com dinheiro, prosperidade e bem
Obra de Pai Rodrigo Queiroz explora como crenças de escassez podem influenciar a relação com dinheiro, prosperidade e bem
Foto: estar - Reprodução/Citadel / Bons Fluidos

Filosofia iorubá é retratada no livro

Na obra, publicada pela Citadel Editora, o autor parte dos fundamentos da Umbanda e da filosofia iorubá para questionar uma ideia presente há séculos no imaginário ocidental: a associação entre espiritualidade e privação material. Segundo o pesquisador, a crença de que pobreza é sinal de virtude ou evolução espiritual não faz parte das tradições africanas que influenciaram a formação das religiões afro-brasileiras.

"De onde vem essa crença? Do catolicismo colonial, que obrigou pessoas escravizadas a aceitarem sua condição porque 'bem-aventurados são os pobres'. Do espiritismo kardecista, que absorveu do cristianismo europeu a ideia de que a matéria é inferior ao espírito. Essas ideias não são africanas. Na África, a prosperidade material é sinal de bênção dos ancestrais, não de desvio espiritual. Quem lidera deve ser próspero, porque a prosperidade de quem governa se reflete no povo. A miséria nunca foi virtude na cosmovisão iorubá." (Exu do ouro, p. 52-53)

Ao longo dos capítulos, Pai Rodrigo apresenta Exu do Ouro não como uma entidade ligada à obtenção de riqueza fácil ou favores materiais, mas como símbolo de movimento, transformação e consciência. Na tradição apresentada pelo autor, prosperidade não está relacionada apenas ao acúmulo de bens, mas à capacidade de fazer a vida fluir de maneira equilibrada nos campos emocional, mental, espiritual e material. "Prosperidade é consciência, abundância é consequência", destaca.

A importância das questões atuais

Neste lançamento, o estudioso apresenta também questões atuais que extrapolam o universo religioso, como ansiedade, esgotamento emocional, busca por propósito e sensação de viver no "piloto automático". Ao propor reflexões sobre equilíbrio e autonomia, o escritor convida o leitor a revisar crenças herdadas. Assim, desenvolve uma relação mais consciente com dinheiro, trabalho, espiritualidade e bem-estar.

Dedicado à esposa de Pai Rodrigo Queiroz, o livro tem origem em uma experiência vivida pelo autor em 2007. Foi durante o desenvolvimento mediúnico dela que Exu do Ouro de manifestou pela primeira vez. Deu, assim, início a uma década de trocas, aprendizados, reflexões e orientações entre a entidade e o sacerdote. Tais ensinamentos foram a fonte para a construção da obra, agora revisitada à luz dos estudos do autor sobre africanidade, cosmologia iorubá e Umbanda contemporânea.

Embora tenha como base a teologia da religião e a filosofia iorubá, Exu do Ouro: Consciência de riqueza não é direcionado apenas ao público umbandista. Os conteúdos e ensinamentos vão além da "bolha" da crença. A obra foi escrita para qualquer pessoa que deseje compreender melhor a própria relação com a prosperidade, superar mecanismos de autoboicote e construir uma vida mais coerente com seus valores, objetivos e potencial de realização.

Sobre o autor

Pai Rodrigo Queiroz é sacerdote de Umbanda, filósofo, pesquisador e educador. Formado em Filosofia, especialista em Psicologia Positiva pela PUCRS e mestrando em Ciência da Religião pela PUC-SP, dedica-se há quase três décadas ao estudo das tradições afro-brasileiras, da espiritualidade e do desenvolvimento humano. Hoje, atua na formação de médiuns, sacerdotes e lideranças religiosas. Além de aproximar saberes tradicionais e reflexão acadêmica, para promover um diálogo entre espiritualidade, cultura e identidade brasileira.

Defensor de uma compreensão da Umbanda como religião ancestral, plural, dinâmica e socialmente comprometida, fundou a Umbanda EAD. A plataforma é voltada à formação espiritual e ao fortalecimento de terreiros, onde desenvolve conteúdos sobre mediunidade, filosofia africana, ancestralidade e práticas religiosas afro-brasileiras. Para o autor, a mediunidade é uma dimensão natural da experiência humana que exige preparo, responsabilidade e acolhimento. Confira o Instagram da Umbanda EAD, YouTube e site.

*Fonte: LC - Agência de Comunicação

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