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Estudo indica que ter muitos filhos reduz riscos de AVC; entenda a relação

Pesquisa aponta que mulheres com três ou mais partos podem ter menor risco de AVC, levantando novas hipóteses sobre saúde cerebral feminina

23 abr 2026 - 18h41
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Durante muito tempo, a ideia de que ter muitos filhos poderia "cansar" o corpo - e até afetar a mente - circulou como senso comum. Mas uma nova pesquisa traz um olhar diferente para essa relação. Segundo o estudo, o histórico reprodutivo pode ter impacto direto na saúde cerebral feminina, inclusive no risco de acidente vascular cerebral (AVC).

Estudo sugere que ter muitos filhos pode associar
Estudo sugere que ter muitos filhos pode associar
Foto: se a menor risco de AVC; entenda a influência de fatores reprodutivos no cérebro - Reprodução: Canva/archigram / Bons Fluidos

Conduzida por pesquisadores da UT Health San Antonio, nos Estados Unidos, a investigação aponta que mulheres que tiveram três ou mais filhos apresentaram menor probabilidade de desenvolver AVC ou outros tipos de lesões vasculares no cérebro ao longo da vida.

O que o estudo descobriu

A pesquisa acompanhou 1.882 mulheres por cerca de 18 anos. No início do estudo, todas tinham, em média, 61 anos e não haviam sofrido AVC. Ao longo do tempo, os cientistas analisaram diferentes aspectos da saúde dessas participantes, incluindo fatores reprodutivos e possíveis alterações cerebrais detectadas por exames de imagem.

Durante o acompanhamento, 126 mulheres tiveram AVC. Ao cruzar os dados, os pesquisadores identificaram um padrão: aquelas com três ou mais partos apresentaram um risco menor tanto de AVC quanto de lesões cerebrais associadas à circulação sanguínea.

A neurologista Sudha Seshadri, uma das responsáveis pelo estudo, destacou a relevância dessa descoberta ao afirmar: "Nossos resultados sugerem que fatores reprodutivos - por exemplo, o número de nascimentos vivos - podem ser um fator adicional a ser considerado na avaliação do risco de AVC em mulheres".

Ela também acrescenta: "A inclusão desse fator de risco em regras de predição clínica de AVC específicas para mulheres pode aprimorar a previsão de risco neste grupo".

Por que isso pode acontecer?

Embora o estudo não estabeleça uma relação de causa e efeito direta, os pesquisadores levantam uma hipótese importante. Qual é influência dos hormônios ao longo da vida?

Fatores como número de gestações, idade da menopausa e níveis de estrogênio interferem na exposição hormonal feminina. E esse histórico pode impactar a saúde dos vasos sanguíneos, inclusive os do cérebro.

De forma geral, estudos recentes indicam que uma maior exposição ao estrogênio ao longo da vida pode estar associada a uma menor incidência de doenças que afetam os pequenos vasos cerebrais - o que ajuda a explicar os resultados encontrados.

Nem todos os fatores tiveram o mesmo efeito

Apesar da associação com o número de partos, outros elementos analisados (como idade da menopausa, uso de terapia hormonal e níveis de hormônios no sangue) não apresentaram relação significativa com o risco de AVC ou com alterações cerebrais.

Isso reforça a ideia de que a saúde feminina é multifatorial e ainda exige mais investigação para entender como cada aspecto da vida reprodutiva influencia o organismo.

O estudo também chama atenção para um dado relevante: o AVC afeta mais mulheres do que homens. Nos Estados Unidos, por exemplo, elas representam cerca de 57% dos casos. Por isso, compreender fatores específicos do corpo feminino - como o histórico reprodutivo - pode ajudar a aprimorar estratégias de prevenção e diagnóstico.

O que isso significa na prática?

Apesar dos resultados, os próprios pesquisadores reforçam que ainda são necessários mais estudos para confirmar essa associação e entender melhor os mecanismos envolvidos. Ou seja, o número de filhos não deve ser visto como um fator isolado ou determinante para a saúde cerebral. Há muitos outros elementos que influenciam o risco de AVC, como alimentação, atividade física, pressão arterial e histórico familiar.

Ainda assim, a descoberta abre espaço para uma reflexão interessante: aspectos da vida que nem sempre são considerados clínicos (como a maternidade) podem, sim, ter impacto na saúde a longo prazo.

Ciência em construção

A relação entre corpo, hormônios e cérebro é complexa e ainda está sendo desvendada. Esse estudo contribui para ampliar o olhar sobre a saúde feminina, trazendo novas possibilidades de análise e cuidado. Mais do que respostas definitivas, ele levanta perguntas importantes - e reforça a necessidade de considerar as especificidades do corpo da mulher na medicina.

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