Erika Januza fala de A Nobreza do Amor, seus sonhos e legado
Em entrevista exclusiva ao Portal Malu, a atriz fala de sua carreira e sonhos que ainda planeja conquistar
"É um movimento importante na nossa teledramaturgia"
É assim que Erika Januza define o impacto de A Nobreza do Amor, novela que vem conquistando o público ao apresentar uma narrativa potente, marcada por protagonismo e representatividade. Ambientada em um universo rico e simbólico, a trama chama atenção ao colocar personagens negros em posições de poder, rompendo com um padrão histórico da teledramaturgia brasileira.
Para a atriz, fazer parte desse momento vai além da ficção. "Esse marco significa muito para mim. Pessoalmente, é um lugar de pertencimento. Profissionalmente, é um passo importante na forma como a gente conta histórias", afirma. "Eu me sinto honrada de fazer parte disso", completa.
"Tudo"
É a palavra que Erika usa para responder quando a perguntei, em nossa conversa, o que foi que a atraiu na personagem Niara, a rainha de Batanga. "Mas o que mais me encantou foi a possibilidade de interpretar uma mulher negra em posição de poder, de liderança, com complexidade. Niara é observadora, sensível, forte — é uma rainha em todos os sentidos", aponta. "É poder recontarmos a nossa própria história de uma outra ótica, diferente da que sempre foi retratada no audiovisual", entende.
Para mergulhar nesse universo grandioso, a atriz teve contato com referências culturais, históricas e estéticas que ampliaram muito seu olhar. "Foi um processo de construção coletiva que me potencializou como artista e como mulher."
Uma outra mulher poderosa
Nesse ponto em sua carreira, podemos falar com certeza que Erika já está acostumada a dar vida a personagens fortes. Além de Niara, também vimos a atriz interpretar Candinha, em Dona Beja, reeleitura da HBO Max, uma mulher que enfrenta injustiças e humilhações em uma época dura. Para ela, interpretar Candinha foi ainda mais significativo com o fato de que na primeira versão da novela, em 1986, a personagem não era negra. "Ela foi uma mulher atravessada por dores muito reais, mas que nunca perdeu a dignidade. Então, o que mais me tocou foi justamente essa força silenciosa. Ela sofreu, foi ferida, mas não se apagou. Interpretar alguém assim é também um ato de responsabilidade."
Um desafio
Em Dona Beja, a personagem de Erika teve uma força dramática pesada e, para ela, algumas cenas foram ainda mais delicadas de trazer à vida. "As cenas de humilhação foram difíceis. Fiquei muito nervosa ao filmar uma cena em que eu falava que a mulher negra sempre era preterida, pois estava tendo a chance de verbalizar uma verdade de muitas mulheres, ali na TV. Isso é muito importante, porque não é só sobre interpretar — é sobre atravessar aquilo emocionalmente, mesmo que por um instante. São essas cenas que mostraram a potência da personagem", afirma.
Além da atuação
Erika também pode ser vista toda quarta-feira no GNT e no Globoplay como apresentadora do programa Saia Justa, ao lado de Eliana, Bela Gil, Juliette e Tati Machado. Como uma agenda tão cheia, Erika entende que, para equilibrar tudo precisa de organização e prioridade, mas, acima de tudo, paixão pelo que ela faz. "Eu gosto de transitar entre diferentes formatos, isso me alimenta criativamente. Quando a vida está corrida, pode ter certeza que estou transbordando de felicidade", conta.
Ao olhar para trás e para frente
Ao olhar para trás, analisando sua trajetória desde seus primeiros papéis até hoje, a atriz afirma que cada fase da sua vida tem um desafio diferente. "No começo, era provar que eu podia estar ali. Hoje, o desafio é escolher bem, continuar me reinventando e não me acomodar. Mas talvez os momentos mais difíceis sejam aqueles em que a gente precisa confiar mesmo quando as coisas não estão claras."
E, ao olhar para frente, ela deixa registrado alguns sonhos que ainda tem o dever de fazer se tornarem realidade. "Tenho muita vontade de fazer Elza Soares ou alguma biografia. Fazer uma vilã. Mais cinema", conclui. E nós temos a certeza de que a veremos fazer tudo isso.
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