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Dormiu mal? Veja o que fazer no dia seguinte para enfrentar a 'ressaca' do sono

Planejar tarefas e evitar o repouso excessivo estão entre as orientações para quem precisa encarar a rotina após uma noite de pouco descanso

21 set 2026 - 12h39
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Resumo
Após uma noite mal dormida, a recomendação médica é não cancelar compromissos nem ficar inativo para poupar energia, pois manter estímulos físicos e mentais prepara o corpo para descansar melhor na noite seguinte. Planejar tarefas simples com antecedência reduz o desgaste mental, mas exige-se cautela com atividades que demandem reflexos, como dirigir, devido aos riscos de acidentes. Caso a insônia seja frequente — quadro que afeta 72% dos brasileiros —, deve-se buscar apoio profissional.

Depois de uma noite mal dormida, levantar da cama e cumprir as tarefas do dia pode parecer uma missão impossível. O primeiro impulso costuma ser cancelar compromissos, ficar parado e tentar economizar energia. Contudo, essa estratégia pode não favorecer o sono da noite seguinte.

Manter parte da rotina e organizar as tarefas pode ajudar a enfrentar o cansaço sem prejudicar o sono da noite seguinte
Manter parte da rotina e organizar as tarefas pode ajudar a enfrentar o cansaço sem prejudicar o sono da noite seguinte
Foto: Boris Jovanovic/Getty Images / Bons Fluidos

O psiquiatra Marco Antônio Abud, formado pela Universidade de São Paulo (USP), explicou no canal Saúde da Mente, no YouTube, que manter uma rotina com estímulos físicos e mentais pode ajudar o organismo a chegar ao fim do dia mais preparado para descansar.

Ressaca do sono: evite abandonar toda a rotina

Abud percebeu esse efeito durante um período em que fazia plantões noturnos. Como dormia pouco e de forma interrompida, tentava descansar o máximo possível no dia seguinte e evitava até caminhar.

"Eu achava que precisava poupar energia, já que estava cansado. Então, precisava ficar parado, quietinho ali [...] porque, se eu fosse caminhar ou correr no parque, isso iria me cansar ainda mais e eu não teria energia para atender os outros pacientes. Eu achava que essa era uma boa estratégia, mas não era. Chegava à noite e tinha insônia de novo, além de dificuldade para pegar no sono", esclareceu.

Portanto, a orientação é não eliminar automaticamente as tarefas apenas por causa da noite ruim. Isso não significa manter o corpo ocupado o tempo inteiro, mas preservar uma rotina minimamente estimulante."Quanto mais atividades físicas e mentais, quanto mais atividades que colocam nossa atenção a serviço da produção de algo, melhor vai ser o nosso sono noturno", destacou o médico.

Planejar o dia pode facilitar quando falta energia

No entanto, quando o cansaço está alto, até escolher a próxima tarefa pode parecer desgastante. Por isso, Abud recomendou ainda organizar com antecedência o que precisa ser feito. Uma lista simples para o dia seguinte pode reduzir o esforço de tomar decisões a todo momento e ajudar a manter a rotina mesmo com menos disposição.

"É importante, então, depois de uma noite mal dormida, não tirar atividades da sua rotina, ter dias que são estimulantes física e mentalmente, mesmo se você teve insônia. Isso vai aumentar a chance de você ter uma noite de sono boa na sequência", apontou.

Redobre a atenção em tarefas que exigem reflexos

Manter alguma atividade, contudo, também não significa ignorar os efeitos de uma noite sem descanso. Isso porque a falta de sono pode diminuir a concentração e aumentar a fadiga ao longo do dia.

Um estudo publicado no periódico Neuropsychiatric Disease and Treatment relacionou a insônia a prejuízos cognitivos e psicomotores. A condição também aparece associada ao aumento do risco de acidentes de trânsito, ocorrências no trabalho, quedas e fraturas entre idosos.

Por isso, quem estiver muito sonolento deve ter cuidado especial antes de dirigir, operar equipamentos ou realizar outras tarefas que dependam de atenção e reflexos rápidos.

Quando a falta de sono vira rotina

Uma dificuldade pontual para dormir pode acontecer por diversos motivos. Entretanto, episódios frequentes merecem investigação. Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) citados pela 'CNN' indicam que cerca de 72% dos brasileiros enfrentam problemas relacionados ao sono.

Quando essas alterações se repetem, podem comprometer o dia a dia e a saúde mental. Nesses casos, a recomendação é buscar avaliação profissional para identificar a origem do problema e definir a melhor abordagem de tratamento.

Bons Fluidos
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