Diabetes: o que é mito e verdade sobre alimentação?
Convive com diabetes? Descubra 7 erros e mitos sobre alimentação que podem atrapalhar o controle da glicemia
O controle do diabetes não exige o corte total de carboidratos, frutas ou açúcar, mas sim moderação e uma dieta individualizada. As diretrizes recomendam priorizar carboidratos de qualidade associados ao alto consumo de fibras, que retardam a absorção da glicose. A ingestão adequada de proteínas também é essencial para preservar os músculos e captar o açúcar no sangue. Além disso, pular refeições não é indicado e produtos diet ou light demandam atenção aos rótulos para evitar excessos.
Saiba o que realmente importa para o controle da glicemia nesses pacientes
Quem tem diabetes não pode comer açúcar? Precisa cortar o pão, o arroz e as frutas da alimentação? Embora sejam bastante comuns, essas dúvidas ainda são cercadas de mitos que podem levar a restrições desnecessárias e dificultar a adoção de hábitos saudáveis.
"A alimentação tem papel fundamental no controle do diabetes, mas isso não significa que determinados alimentos precisem ser completamente eliminados do cardápio. Atualmente, as principais diretrizes de tratamento recomendam uma abordagem mais flexível e individualizada, que considera não apenas a quantidade de carboidratos consumidos, mas também sua qualidade, a composição das refeições e as necessidades de cada pessoa", coloca a nutricionista Clara Lucía Valderrama, membro do Conselho Consultivo de Nutrição da Herbalife.
Em alusão ao Dia Mundial do Diabetes, 14 de novembro, esclareça os principais mitos sobre a alimentação de quem convive com a condição e quais cuidados realmente fazem diferença.
1. Quem tem diabetes não pode comer açúcar.
MITO. A diretriz da Associação Americana de Diabetes (ADA), uma das principais referências internacionais no tratamento da condição, orienta que a dieta desses pacientes não seja baseada em restrições rígidas, mas em um planejamento alimentar saudável e flexível. A mesma diretriz recomenda reduzir carboidratos refinados e açúcares adicionados. Na prática, o açúcar não é proibido, mas precisa de moderação e de um plano orientado por profissionais de saúde.
2. Quem tem diabetes precisa se preocupar mais com o consumo de fibras.
VERDADE. As fibras têm papel importante no controle da glicemia, especialmente as solúveis, que ajudam a retardar a absorção dos carboidratos e a reduzir os picos de glicose após as refeições. Além disso, contribuem para a saciedade, o funcionamento intestinal e a saúde cardiovascular, aspectos relevantes para quem convive com a diabetes. "Por isso, é interessante incluir nas refeições alimentos que acrescentem fibras, como aveia, chia, linhaça, lentilha, frutas com casca, verduras e cereais integrais, por exemplo. Ou ainda usar suplementos de fibras no preparo de receitas", recomenda Valderrama.
Segundo a nutricionista, a orientação é consumir pelo menos 14 g de fibras a cada 1.000 calorias ingeridas, respeitando o mínimo de 25 g por dia.
3. Produtos diet e light são sempre liberados.
MITO. Diet e light nem sempre têm menos carboidratos ou calorias. Um produto que tenha redução de sódio ou gordura, por exemplo, também é enquadrado como "light". Portanto, ler o rótulo para conferir o total de carboidratos continua sendo essencial.
4. Pessoas com diabetes devem evitar frutas.
MITO. As frutas podem ser consumidas, desde que seja com a casca e na porção individual orientada pelo profissional que acompanha o paciente, conforme orienta a Associação Americana de Diabetes (ADA). "Aliás, a fruta consumida com casca e bagaço é uma opção muito melhor para as pessoas com diabetes do que os sucos e as bebidas adoçadas, que costumam ser pobres em fibras, contribuindo para elevar a glicemia rapidamente", explica a nutricionista.
5. As proteínas não fazem diferença para quem tem diabetes.
MITO. Consumir proteínas em quantidade adequada é importante para preservar a massa muscular, que tem papel fundamental no controle da glicemia. Isso porque os músculos estão entre os principais responsáveis por captar a glicose do sangue, especialmente após as refeições. A perda de massa muscular, por sua vez, pode dificultar a entrada da glicose nas células e contribuir para o aumento de seus níveis no sangue.
O nutriente se torna ainda mais importante com o envelhecimento, quando há uma perda progressiva de massa e força muscular. Segundo publicação da revista Clinical Nutrition, em geral, pessoas mais velhas precisam entre 1 a 1,2 g de proteína por quilo de peso corporal ao dia, associadas à prática de atividade física, para ajudar a preservar os músculos. "Não existe uma quantidade única indicada para todas as pessoas. A recomendação deve considerar idade, peso, atividade física e condições de saúde. Quem apresenta doença renal, por exemplo, precisa de orientação individualizada", alerta Valderrama.
Além disso, uma revisão sistemática com meta-análise publicada na Nutrition Research mostrou que consumir whey protein antes das refeições pode ajudar a reduzir a elevação da glicose no sangue em pessoas com diabetes tipo 2 leve ou bem controlado. No entanto, os pesquisadores a necessidade de estudos maiores para confirmar os resultados.
6. É preciso cortar os carboidratos da alimentação.
MITO. Pessoas com diabetes não precisam eliminar totalmente os carboidratos da dieta. No entanto, precisam controlar a quantidade e a qualidade desses alimentos, já que ambos os fatores influenciam a glicemia. A recomendação é priorizar fontes ricas em fibras, como grãos integrais, leguminosas, frutas e verduras, e reduzir o consumo de carboidratos refinados e açúcares adicionados.
A quantidade e a distribuição dos carboidratos ao longo do dia devem ser individualizadas, considerando as necessidades nutricionais, o tratamento e os hábitos de cada pessoa, de acordo com a Associação Americana de Diabetes (ADA).
7. Pular refeições ajuda a controlar a glicemia.
MITO. Ficar longos períodos sem comer não é uma estratégia indicada para todas as pessoas com diabetes, pois pode aumentar o risco de hipoglicemia, principalmente entre os pacientes que fazem uso de insulina ou determinados medicamentos, como as sulfonilureias, que estimulam a produção dela pelo organismo.
"Além disso, passar muitas horas sem se alimentar pode aumentar a fome e dificultar o controle do tamanho das porções nas refeições seguintes. Por isso, os horários e a frequência das refeições devem ser ajustados para cada paciente, considerando o tratamento, a rotina e a orientação da equipe de saúde", finaliza a nutricionista.
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