Dia de Santa Dulce dos Pobres: Gabriel Chalita revela a principal lição da irmã
No dia dedicado à primeira santa brasileira canonizada, escritor e filósofo resgata um ensinamento sobre atenção, caridade e cuidado com o próximo
Nesta quinta-feira (13), a Igreja Católica celebra o Dia de Santa Dulce dos Pobres, primeira santa brasileira canonizada pelo Vaticano. Conhecida como Anjo Bom da Bahia, Irmã Dulce dedicou grande parte da vida ao cuidado com pessoas em situação de vulnerabilidade.
A trajetória da religiosa inspira reflexões sobre a forma como nos relacionamos com quem está ao nosso redor. Para o escritor e filósofo Gabriel Chalita, esse é um dos principais ensinamentos deixados pela santa.
"Nós vivemos em uma sociedade em que um dos maiores problemas filosóficos, inclusive, é o problema do desaparecimento do outro. O que significa o desaparecimento do outro? É como se o outro não existisse, é como se o outro desaparecesse", refletiu em publicação nas redes sociais.
O que Santa Dulce ensina sobre generosidade?
De acordo com o filósofo, então, a história da religiosa aponta para uma atitude cada vez mais necessária: prestar atenção às necessidades de outras pessoas. Nesse sentido, ele destaca que a generosidade vai além de uma ajuda pontual.
Chalita recorre ainda ao pensamento da filósofa Simone Weil para explicar essa ideia: "Ela dizia que a atenção é uma das formas mais bonitas de caridade. Eu estou atento ao outro."
Portanto, a reflexão propõe olhar para a caridade não apenas como uma doação material, mas como uma forma de presença. Para Chalita, esse gesto permite reconhecer o outro e criar uma conexão genuína, ainda que por um breve momento.
A trajetória de Santa Dulce dos Pobres
Nascida em Salvador, em 1914, Maria Rita de Souza Brito Lopes entrou para a vida religiosa aos 19 anos e adotou o nome Dulce em homenagem à mãe. Ao longo das décadas seguintes, ampliou seu trabalho social e criou iniciativas voltadas principalmente à população pobre da Bahia.
Entre suas ações, esteve a criação de espaços para atender pessoas que precisavam de cuidados. O trabalho cresceu até dar origem às obras sociais que hoje carregam seu nome. A dedicação fez com que Irmã Dulce ganhasse reconhecimento dentro e fora do Brasil. O Vaticano a canonizou em 2019, durante cerimônia presidida pelo Papa Francisco.
A paz começa dentro de cada um
Ao lembrar a santa, Gabriel Chalita também relaciona sua mensagem à violência e aos conflitos presentes na sociedade. Segundo ele, a busca por um mundo mais tranquilo passa primeiro pela transformação individual: "Só teremos paz nas cidades e no mundo quando tivermos paz dentro de nós."
Por isso, a lembrança de Santa Dulce dos Pobres ganha um significado que ultrapassa a celebração religiosa. Para Chalita, sua trajetória convida a substituir a indiferença pela atenção e o individualismo pela disposição de cuidar de quem está por perto. "Que o anjo bom da Bahia possa ser o anjo bom do Brasil, possa ser o anjo bom para todos nós", concluiu.
Ver essa foto no Instagram
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.