Antes de morrer, homem ganha US$ 247 milhões na loteria e faz doação para pesquisas de câncer
Diagnosticado com um câncer raro, Ed Lojewski destinou parte dos US$ 247 milhões que ganhou na loteria para financiar pesquisas sobre a própria doença
Ganhar milhões na loteria poderia significar uma mudança completa de vida. Para Ed Lojewski, porém, a fortuna também se transformou em uma oportunidade de contribuir com uma causa que conhecia de perto: a busca por novos tratamentos para um câncer raro.
Morador da Califórnia, nos Estados Unidos, Lojewski havia sido diagnosticado anos antes com linfoma cutâneo de células T (LCCT), doença que afeta células do sistema imunológico. Depois de ganhar US$ 247 milhões na loteria, ele decidiu destinar parte do dinheiro às pesquisas sobre a condição.
A história começou em outubro de 2022. Lojewski comprou dois bilhetes de loteria e, alguns dias mais tarde, conferiu os números vencedores em um jornal local. Foi então que percebeu que estava diante de uma combinação capaz de transformar completamente sua realidade.
Apesar do prêmio, ele não teve pressa em contar a novidade. Manteve a informação em segredo durante cerca de uma semana e, mesmo depois de ganhar milhões, preservou aspectos importantes de sua rotina. Continuou vivendo na pequena casa onde já morava e dirigindo o mesmo carro. Meses depois, entretanto, parte daquele dinheiro ganharia um destino diretamente relacionado à sua própria trajetória.
O diagnóstico de um câncer raro
Em 2019, Lojewski recebeu de Youn Kim, médica e pesquisadora da Stanford Medicine, o diagnóstico de linfoma cutâneo de células T. A doença é um tipo raro de câncer que compromete as células T, responsáveis por desempenhar funções importantes no sistema imunológico. Entre suas possíveis manifestações estão alterações e lesões na pele. Conforme o quadro avança, porém, o câncer também pode atingir o sangue, os gânglios linfáticos e órgãos internos.
Segundo informações da Stanford Medicine, aproximadamente um terço dos pacientes desenvolve formas avançadas da doença. Nos Estados Unidos, estima-se que cerca de 3 mil novos casos sejam diagnosticados anualmente. Por atingir um número relativamente pequeno de pessoas, o LCCT também enfrenta um obstáculo comum às doenças raras: a dificuldade para conseguir financiamento destinado às pesquisas.
Lojewski conhecia essa realidade não apenas pelos números. Durante os anos em que recebeu tratamento, acompanhou de perto tanto os desafios impostos pela doença quanto o trabalho realizado pelos pesquisadores em busca de novas possibilidades terapêuticas.
Prêmio da loteria virou investimento em pesquisa
Em abril de 2023, cerca de seis meses depois de ganhar na loteria, Lojewski fez uma importante doação à Stanford Medicine. O objetivo era ajudar a financiar as pesquisas conduzidas por Youn Kim e pelo pesquisador Michael Khodadoust.
Entre as estratégias estudadas pela equipe estava uma forma de imunoterapia voltada especificamente às células cancerígenas. Uma das linhas de investigação envolve o desenvolvimento de uma vacina direcionada a um receptor encontrado nas células T malignas.
A ideia é estimular o próprio sistema imunológico a reconhecer e atacar essas células de maneira mais seletiva. Com o financiamento, os pesquisadores poderiam avançar em direção a um ensaio clínico, etapa fundamental para avaliar a eficácia da estratégia e descobrir se ela poderá, futuramente, representar uma nova possibilidade de tratamento.
"Esta é a ciência impulsionada pela filantropia, pois este trabalho não seria possível sem o apoio de Ed. Sua doação ajudará a financiar um ensaio clínico da vacina, que é vital para demonstrar sua eficácia e viabilizar o desenvolvimento de uma nova terapia. Sem ele, não poderíamos nem começar o ensaio. É simples assim", enfatizou Kim.
Por que encontrar novos tratamentos é tão importante?
O linfoma cutâneo de células T pode apresentar uma evolução lenta e crônica em muitos pacientes. Em outros casos, no entanto, assume formas mais agressivas e capazes de provocar complicações graves.
Atualmente, de acordo com a Stanford Medicine, o transplante alogênico de células-tronco hematopoiéticas é o único tratamento com potencial de cura para a doença. Nesse procedimento, células provenientes de um doador compatível substituem o sistema imunológico do paciente.
Apesar desse potencial, o transplante também envolve riscos importantes. Um deles é a possibilidade de as novas células imunológicas atacarem tecidos saudáveis do organismo. É justamente nesse cenário que entram pesquisas como as conduzidas por Kim e Khodadoust: a intenção é encontrar maneiras mais direcionadas de utilizar o sistema imunológico contra as células do câncer.
Um legado que continuou após sua morte
Lojewski não chegou a acompanhar os resultados finais do projeto que ajudou a impulsionar. Ele morreu em dezembro de 2023, aos 90 anos, apenas oito meses depois da doação.
Embora estivesse com a doença em estágio avançado, Kim explicou que ele morreu com o linfoma cutâneo de células T, e não em decorrência dele. Um dos medicamentos utilizados durante seu tratamento - e cujo desenvolvimento contou com a participação da equipe médica - teria conseguido modificar a evolução da doença e proporcionado a ele um período com mais qualidade de vida.
Após sua morte, a contribuição para a ciência não terminou. Susan, filha de Lojewski, decidiu dar continuidade ao apoio às pesquisas. Segundo ela, o pai confiava no trabalho de Kim e acreditava que aquele investimento poderia, no futuro, ajudar outras pessoas.
"Quando você ganha na loteria, pode fazer qualquer coisa. Papai escolheu esta. De todas as causas que ele poderia ter apoiado, ele escolheu ajudar a encontrar a cura para uma doença da qual a maioria das pessoas nunca ouviu falar. Isso diz tudo sobre quem ele era e no que ele acreditava ser possível", afirmou Susan.
Ao transformar parte de um prêmio inesperado em financiamento científico, Lojewski deixou um legado que ultrapassou sua própria experiência com o câncer. A fortuna que poderia ter sido usada apenas para mudar sua vida passou também a ajudar pesquisadores na tentativa de encontrar novos caminhos para quem enfrenta a mesma doença.
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