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Cervejaria da lambic mais antiga quer conquistar brasileiros

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15h17 atualizado às 15h17
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Hoje é comum o hábito de terminar a jornada de trabalho e sair para tomar uma cerveja com os amigos na “happy hour”. De certa forma, a bebida vira sinônimo de alegria, descanso e encontro. Quase três séculos atrás, a produção mais antiga da cerveja lambic que se tem notícia começava por um motivo parecido: animar os trabalhadores de uma fazenda em Iterbeek, um pequeno vilarejo na Bélgica, ao sudoeste de Bruxelas. E hoje a cervejaria quer conquistar o mercado brasileiro com cervejas lambic de sabores como cereja e framboesa.

Dmitri Demol, gerente de exportação da cerveja Timmermans, quer levar novos sabores da bebida ao Brasil a partir de março de 2013
Dmitri Demol, gerente de exportação da cerveja Timmermans, quer levar novos sabores da bebida ao Brasil a partir de março de 2013
Foto: Viviane Vaz/Especial para Terra

 

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Em 1702, a fazenda de Henry Vanheyleweghen produzia frutas e verduras e foi arrendanda para Jacobus Walraevens, que resolveu fazer a tradicional cerveja para os empregados. “Como naquele momento Walraevens não podia aumentar o salário, resolveu animar os trabalhadores com cerveja”, diz Dmitri Demol, gerente de exportação da cerveja, inclusive ao Brasil. Em 1834, a cervejaria tinha conquistado grande popularidade na região, produzia 700 hectolitros por ano, e foi batizada de “Taverna da Toupeira”. Aliás, a mascote é marca registrada nos barris da cervejaria até hoje. 
 
Em 1911, a filha mais nova de Walraevens, Celina, se casou com o cervejeiro Frans Timmermans, que decidiu concentrar os recursos da propriedade exclusivamente na fabricação da lambic. A qualidade e a produção ininterrupta da lambic de Itterbeek se consolidou sob o nome Timmermans de tal forma que o britânico John Martin se interessou em adquirir a fábrica em 1993 como parte de seu conglomerado de bebidas. No entanto, Martin fez questão de manter a família Timmermans na direção da cervejaria com sua ultrassecular receita de lambic. Atualmente, a cervejaria artesanal produz hoje pelo menos 20 mil hectolitros por ano e 40% vai para outros países.
 
Lambic não é só água, não
A palavra “lambic” ou “lambiek” em neerlandês, assim como “alambique” em português, deriva do árabe “al ambic” - que se refere ao vaso destilatório que serve para refinar e transmutar líquidos desde a Antiguidade. Na primeira etapa do processo de fabricação destas cervejas belgas, o trigo e a cevada são moídos e misturados com água a 50°C. Em seguida o mosto é filtrado e fervido de três a seis horas em um grande recipiente de cobre – eis o antigo alambique.
 
Reza a lenda que em 1559, o prefeito de Halle, Remi le Mercier, tinha uma grande plantação de trigo e concordou em não aumentar os impostos sobre a produção de cerveja. No entanto, decretou que todas as cervejas locais contivessem pelo menos 30% de trigo. Em 1993, o que era tradição virou decreto real e exigência para todas as cervejas de fermentação espontânea em toda a Bélgica, que é o caso das lambics.
 
Ao contrário das cervejas de escala industrial, que levam adição de fermento feito em laboratório, o processo de fermentação da cerveja do tipo lambic é completamente espontâneo e só é possível graças à localização da fábrica no vale de Pajottenland, a 15km de Bruxelas. Lá existem dois micro-organismos que pairam no ar da região e transformam o mosto em cerveja: Brettanomyces Bruxellensis e o Brettanomyces Lambicus. Na cervejaria Timmermans, o mosto é colocado sobre uma placa rasa de cobre e resfria exposto à temperatura ambiente de outubro a abril, época do outono e inverno na Bélgica.
 
Especialidade belga no Brasil
A última fase do processo de fabricação é a maturação, quando esta cerveja artesanal é armazenada em barris de carvalho. Após seis meses, a lambic é considerada “jovem” e depois de dois anos, é chamada “oude”, isto é, “velha” em neerlandês. “É quando o mestre cervejeiro mostra toda a sua arte e suas receitas”, dizem os Timmermans. A Gueuze é resultado de uma lambic jovem com outras de certa idade. A Faro é uma lambic que leva adição de açúcar. E finalmente existe a receita da lambic de cereja, denominada Kriek: as frutas frescas são adicionadas na lambic em barris de carvalho e ficam amadurecendo de seis a dez meses.
 
Além da receita de cereja, a Timmermans faz lambics de morango e framboesa, além de novidades como pêssego e abóbora. “A partir de março de 2013, queremos levar um pouco mais destes sabores aos brasileiros”, promete Dimitri, que já exporta a cerveja para São Paulo e Rio Grande do Sul, e começou a buscar novos locais no Brasil.
 

Fonte: Especial para Terra
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