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Creatina pode beneficiar o cérebro? Veja o que diz a ciência

Estudos investigam os possíveis efeitos da creatina sobre memória, atenção, privação de sono e tratamento da depressão

16 set 2026 - 10h40
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Resumo
Famosa pelo ganho muscular, a creatina vem sendo investigada por seus benefícios ao cérebro, onde atua na reciclagem de ATP. Pesquisas indicam que ela pode favorecer a memória, a atenção e a velocidade de processamento, além de reduzir o impacto da privação de sono no rendimento cognitivo. O suplemento também é promissor como aliado no tratamento da depressão, potencializando antidepressivos, embora a ciência reforce a necessidade de estudos mais amplos para confirmar essas aplicações.

Além de ganho de força e massa muscular, estudos mostram que o suplemento mais estudado do esporte também poderia agir no cérebro e no humor

A creatina é, de longe, um dos suplementos mais estudados e seguros que existem. Sua fama vem da academia, principalmente por contribuir para o ganho de força, de potência e de massa muscular, quando o consumo é acompanhado de treinamento de força. Mas nos últimos anos, pesquisadores têm investigado outros potenciais benefícios da molécula que não se limitam apenas aos músculos.

Foto: Revista Malu

Os resultados ainda são parciais e alguns efeitos são mais consistentes do que outros, mas três frentes se destacam como as mais promissoras. Veja:

1. Para favorecer a função cognitiva

O cérebro é um dos órgãos que mais consome energia no organismo. Para manter seu funcionamento, depende de um suprimento constante de ATP, a principal "moeda energética" das células. "A creatina participa diretamente da reciclagem desse ATP não apenas nas fibras musculares. Mas também nos neurônios", acrescenta Ana Cristina Gutiérrez, nutricionista esportiva, Mestre em Nutrição e membro do conselho consultivo de nutrição da Herbalife. Por isso, pesquisadores vêm investigando seu potencial para favorecer o desempenho cognitivo, como a meta-análise publicada em 2024 na Frontiers in Nutrition.

A análise, que reuniu 16 ensaios clínicos randomizados com quase 500 participantes, concluiu que a suplementação de creatina pode trazer benefícios para a memória, a atenção e a velocidade de processamento das informações.

No entanto, são necessários mais estudos que permitam confirmar esses resultados e determinar como fatores como o perfil dos participantes, a duração da suplementação e a quantidade de creatina monohidratada utilizada influenciam no desempenho cognitivo. Além disso, é fundamental compreender com maior precisão os mecanismos que podem explicar seus possíveis efeitos benéficos sobre a cognição.

2. Reduz os efeitos da fadiga por privação de sono sobre o rendimento cognitivo

Um estudo publicado em 2024 na Scientific Reports testou o efeito de uma dose alta de creatina em voluntários mantidos acordados por 21 horas seguidas, com exames de ressonância magnética acompanhando o metabolismo cerebral em tempo real. Os resultados mostraram que a creatina ajudou a preservar o estado energético do cérebro, refletido em mudanças favoráveis nos níveis de níveis de energia (fosfocreatina e ATP), mesmo sob privação severa de sono. Também foram observadas melhoras na memória de curto prazo e velocidade de processamento, efeito que começou em cerca de 3 horas e durou até 9 horas após a ingestão.

Um estudo recente de replicação confirmou o achado mesmo com doses menores, mostrando melhora em tarefas lógicas, numéricas e no teste de vigilância psicomotora (usado para medir atenção sustentada) durante a privação de sono.

3. No apoia ao tratamento de pacientes com depressão

Segundo Ana Cristina, a creatina também vem sendo estudada por seu papel no metabolismo energético cerebral em pessoas com depressão. Nesse contexto, o que se busca não é substituir os antidepressivos, mas que a suplementação atue potencialmente como uma estratégia complementar.

Um ensaio clínico randomizado publicado no American Journal of Psychiatry mostrou que mulheres com transtorno depressivo maior que receberam creatina associada a um antidepressivo da classe dos ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina) apresentaram uma resposta mais rápida e mais intensa ao tratamento do que aquelas que utilizaram apenas o antidepressivo com placebo.

As pesquisas mais recentes reforçam esse potencial, mas também apontam limitações, como a meta-análise publicada no British Journal of Nutrition. Segundo os autores, os resultados são promissores, mas ainda são necessários estudos maiores para confirmar o papel da creatina como adjuvante no tratamento da depressão.

Revista Malu Revista Malu
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