Crânio do bebê: o que é assimetria e como garantir tratamento
Famílias que têm plano de saúde devem solicitar cobertura de órtese; especialista ensina o que fazer em caso de recusa.
As assimetrias cranianas em bebês, como plagiocefalia e braquicefalia, exigem diagnóstico precoce para evitar desalinhamentos ósseos. Casos leves podem ser corrigidos com fisioterapia e mudanças de postura, enquanto quadros graves demandam órteses cranianas (capacetes), cujo uso depende de uma janela de crescimento rápida. Embora o STJ determine que planos de saúde devem cobrir o tratamento, negativas ainda ocorrem, exigindo que famílias documentem a recusa para buscar vias legais.
A cabeça do bebê pode apresentar áreas achatadas, uma condição que exige tratamento precoce: entenda!
Agosto concentra duas mobilizações relacionadas aos primeiros meses de vida: o Agosto Dourado, dedicado à promoção do aleitamento materno, e o Mês da Primeira Infância. O período também abre espaço para chamar a atenção das famílias para um problema ainda pouco conhecido: as assimetrias cranianas. São alterações no formato da cabeça do bebê que podem surgir no nascimento ou se desenvolver durante os primeiros meses de vida.
Entenda as condições
Entre as alterações mais comuns, estão a plagiocefalia posicional e a braquicefalia. A plagiocefalia é o achatamento de um dos lados da parte posterior da cabeça. A braquicefalia, por sua vez, é o achatamento posterior mais amplo. Sem tratamento, essas condições podem causar desalinhamento das estruturas ósseas do crânio.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, a avaliação deve observar se a assimetria estava presente no nascimento e qual o seu grau. A entidade também ressalta a necessidade de diferenciar esses casos da craniossinostose. Nessa condição, que requer avaliação especializada, ocorre o fechamento precoce das suturas cranianas, as articulações que ligam os ossos do crânio.
Conheça os números
Embora não exista uma estimativa nacional, estudos realizados no Brasil indicam que a condição pode ser frequente entre os grupos avaliados. Uma pesquisa publicada em 2025, com 37 recém-nascidos internados em uma maternidade-escola de Alagoas, identificou plagiocefalia posicional em 29,7% da amostra. Todos os 11 casos ocorreram entre bebês prematuros.
Outro levantamento realizado com 45 lactentes, atendidos em unidades básicas de saúde de Patos, na Paraíba, encontrou assimetria craniana em 70% dos participantes. Os resultados são locais e não podem ser replicados para toda a população brasileira, mas mostram que a alteração está longe de ser excepcional.
Precisa de órtese?
A maior parte das assimetrias posicionais não significa, automaticamente, a necessidade de tratamento com órtese craniana - uma espécie de capacete capaz de corrigi-las. Quando identificados precocemente, casos leves podem responder à alternância de posicionamento, ao acompanhamento profissional e à fisioterapia. A prevenção inclui variar a posição da cabeça e proporcionar momentos de barriga para baixo somente quando o bebê estiver acordado e sob supervisão. Nos quadros persistentes, moderados ou graves, porém, pode haver indicação de órtese craniana.
"O problema é que não estamos diante de uma discussão que possa aguardar indefinidamente. A órtese é indicada em uma fase específica do crescimento do bebê. Desse modo, quando o plano nega a cobertura e obriga a família a percorrer um longo caminho judicial, o tempo perdido afeta a oportunidade terapêutica", explica Mariana Cardozo da Silva. Ela é advogada especialista em direito à saúde suplementar.
Em novembro de 2025, o Superior Tribunal de Justiça incluiu em sua publicação Jurisprudência em Teses o entendimento de que planos de saúde devem cobrir órtese craniana para o tratamento de plagiocefalia e braquicefalia. Apesar disso, decisões recentes mostram que o conflito permanece.
Orientações à família
Segundo Mariana, a família deve solicitar a justificativa da recusa por escrito do plano de saúde e reunir o relatório médico, a prescrição, os exames, o orçamento e os protocolos de atendimento. "A indicação precisa estar fundamentada, com a descrição da gravidade do caso, das alternativas já adotadas e das consequências da demora. Esses documentos são importantes tanto para contestar a negativa junto à operadora e à ANS quanto para uma eventual medida judicial", orienta. ANS é a Agência Nacional de Saúde Suplementar, órgão ligado ao Ministério da Saúde, que regula planos de saúde no país.
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