"Corpo de celular": Saiba como o uso excessivo de telas está deformando você
Estudos mostram que inclinar a cabeça para olhar o celular sobrecarrega a coluna em até 27 kg e prejudica a coordenação das crianças
O hábito diário de inclinar a cabeça para checar notificações no celular está gerando alterações anatômicas preocupantes. De acordo com informações divulgadas pela BBC, essa postura curvada exerce uma pressão extrema sobre a região do pescoço. Pesquisadores apontam que o ângulo de inclinação chega a simular uma carga de 27 kg sobre a musculatura cervical.
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"Corpo de celular"
A princípio, essa tensão constante degenera as articulações e reduz a capacidade de expansão dos pulmões. Para reverter o quadro, os médicos orientam posicionar o aparelho celular na altura dos olhos. Além disso, os especialistas recomendam pausas de descanso a cada meia hora de digitação. Por outro lado, o estresse muscular repetitivo pode acelerar o surgimento de marcas de expressão na região do colo. A dermatologista Justine Hextall, integrante do Royal College of Physicians do Reino Unido, explica que a posição curvada pode, por exemplo, causar rugas no pescoço.
No entanto, a médica alerta que faltam pesquisas científicas conclusivas sobre o envelhecimento precoce da pele do pescoço por essa causa. Ela também desaconselha o gasto financeiro com cosméticos específicos contra o problema. Em contrapartida, a especialista identifica perigos reais no uso contínuo de relógios inteligentes sem a devida higienização. Segundo ela, o suor acumulado sob a pulseira cria um ambiente propício para micoses.
O avanço da miopia e o declínio da força nas mãos
Ao contrário do que o senso comum propaga, o foco direto nas telas não é o grande vilão da perda de visão. Um estudo de longo prazo liderado por Donald Mutti, professor de optometria da Ohio State University, desmistificou essa relação direta. A pesquisa revelou que o trabalho visual de perto não causa o distúrbio em crianças. Na verdade, o fator determinante reside na falta de atividades ao ar livre. A luz do sol estimula a produção de dopamina na retina, elemento essencial para o crescimento correto do globo ocular. Como as novas gerações passam o dia trancadas em salas fechadas, a ausência de iluminação natural prejudica os olhos de forma indireta.
Além disso, os cientistas começaram a mapear perdas nas habilidades manuais mais delicadas. O uso excessivo de telas táteis melhora os movimentos de pinça e deslize, mas atrofia outras aptidões fundamentais.
Essa conclusão partiu de uma investigação coordenada por Sebastian Suggate, professor de psicologia do desenvolvimento na Universidade de Regensburg, na Alemanha. O especialista constatou que o excesso de tempo em celulares atrasa o aprendizado acadêmico. Apesar disso, ele esclarece que o cenário não exige o banimento completo dos dispositivos: "Não é o fim do mundo, são efeitos sutis. Mas mesmo que o efeito seja pequeno em cada indivíduo, no agregado, ao longo de gerações, estamos falando de um possível embotamento da sociedade, porque as mãos são um ponto de contato central que temos com o mundo."
Como reverter?
Em suma, a resposta é simples, porém difícil de se colocar em prática. Exige readequação da rotina por meio da introdução de tarefas analógicas, como desenhar e cozinhar, por exemplo. Tudo isso ajuda a resgatar a destreza dos jovens. Por fim, fica claro que pequenos ajustes comportamentais diários evitam que a tecnologia comprometa a saúde física de forma permanente.
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