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Práticas holísticas ajudam mulheres a ressignificar traumas

Entre o silêncio e a cura

17 abr 2026 - 18h12
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Abordagens integrativas ganham espaço ao unir ciência e sensibilidade no cuidado emocional daquelas que enfrentaram violência física, psicológica e patrimonial

A dor causada pelas violências contra a mulher - física, psicológica ou patrimonial - nem sempre desaparece com o fim do relacionamento. Em muitos casos, o trauma permanece no corpo e nas emoções, e afetam a autoestima e a sensação de segurança. Diante disso, os recursos holísticos ampliam as possibilidades de cuidado para além da terapia tradicional.

Freepik
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Foto: Revista Malu

A dor psicológica não é apenas uma memória racional, mas uma experiência que envolve o corpo e o sistema nervoso. Isso ajuda a explicar por que muitas mulheres não conseguem superar vivências traumáticas apenas pela fala. A neurocientista e doutoranda em Psicologia dos Arquétipos Femininos e Menopausa pela UNINI, Karina Rodrigues, destaca essa mudança de perspectiva:

"As últimas descobertas da ciência sobre as dores emocionais têm causado uma reviravolta em tudo que conhecíamos sobre trauma, estresse e dor emocional, principalmente nas mulheres. Estudos recentes provaram que a área verbal do nosso cérebro é a menos eficaz no tratamento e, portanto, a terapia da fala não seria tão eficiente se usada isoladamente. Outra descoberta, é que a emoção sentida é muito mais importante que o fato em si."

Um novo olhar

Nesse contexto, a especialista aponta que quando os terapeutas acessam os sentimentos por meio do corpo, das imagens e da percepção simbólica, permitem trabalhar conteúdos nem sempre disponíveis à linguagem.

Karina reforça: "no avanço dessas pesquisas pode-se compreender que as imagens, a arte e a meditação se apresentaram como mais eficazes e capazes de trazer informações importantes sobre os sentimentos. Análises de sonhos, yoga, meditação, o famoso uso de oráculos, tarôs e astrologia, por exemplo, podem ajudar mulheres a 'ver' suas emoções com muito mais clareza e a elaborá-las."

Além de reduzirem o estresse e a ansiedade, essas abordagens contribuem para o autoconhecimento e para a reconstrução da identidade, frequentemente fragilizada em contextos de violência. O uso de ferramentas simbólicas, como Tarot, astrologia, entre outras, também pode funcionar de apoio reflexivo, ajudando-as a reinterpretar suas experiências e recuperar o senso de autonomia.

A especialista e autora do livro O Ano do cavalo, ressalta a importância de integrar diferentes abordagens. A psicoterapia continua sendo fundamental, mas pode ser potencializada por práticas que envolvem o corpo e a dimensão emocional de forma mais ampla.

Para quem deseja começar, alguns caminhos podem ajudar:

1. Reconectar-se com o corpo

Atividades como yoga ou respiração consciente auxiliam na sensação de segurança e presença.

2. Explorar a expressão não verbal

Desenho, escrita livre e outras formas criativas auxiliam a acessar emoções difíceis de verbalizar.

3. Praticar momentos de silêncio

A meditação contribui para observar sentimentos com mais clareza e menos julgamento.

4. Investir no autoconhecimento

Ferramentas simbólicas e reflexivas podem ampliar a compreensão sobre padrões emocionais.

Ao integrar ciência e práticas holísticas, mulheres encontram novas formas de lidar com traumas e reconstruir suas histórias. Mais do que apagar o passado, o processo de cura passa a ser um caminho de ressignificação, fortalecimento e reconexão consigo mesmas.

Revista Malu Revista Malu
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