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Menos amor, mais ansiedade: estudo revela mudança profunda nas letras de música ao longo de 80 anos

Análise com mais de 38 mil canções lançadas entre 1947 e 2024 aponta queda no uso de palavras sobre sentimentos, família e laços sociais na música popular

25 out 2026 - 10h49
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Resumo
Um estudo da Universidade Estadual de Michigan analisou 38 mil músicas entre 1947 e 2024 e revelou que as letras populares estão menos emotivas e com menos referências a relações sociais e familiares. Ao longo das carreiras, menções à tristeza caíram, mas referências à ansiedade cresceram de forma expressiva. Surpreendentemente, a maturidade dos artistas não gerou canções mais afetuosas, sugerindo que pressões culturais e da indústria musical influenciam fortemente essa desconexão emocional.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Michigan, nos Estados Unidos, analisaram mais de 38 mil músicas, de 230 artistas, lançadas entre 1947 e 2024. A conclusão principal foi direta: as letras de música populares estão ficando gradualmente menos emotivas e trazendo menos referências a familiares, amigos e questões sociais.

Pesquisa da Universidade Estadual de Michigan revela que as letras de música estão menos emotivas e mais ansiosas. Entenda as transformações da indústria musical e da cultura pop
Pesquisa da Universidade Estadual de Michigan revela que as letras de música estão menos emotivas e mais ansiosas. Entenda as transformações da indústria musical e da cultura pop
Foto: Reprodução YouTube/Taylor Swift//Frank Sinatra / Bons Fluidos

Nesse sentido, o estudo publicado na conceituada revista, 'Psychology of Aesthetics, Creativity and the Arts', destaca-se por ser o maior do gênero a examinar a evolução da escrita musical. Para chegar aos resultados, uma equipe de aproximadamente 30 assistentes de pesquisa verificou manualmente as discografias coletadas.

Segundo o que a professora associada de Psicologia e coautora da pesquisa, Jan Brascamp, disse ao portal da Universidade Estadual de Michigan, a intenção foi observar o comportamento dos compositores sob duas óticas simultâneas.

Mais ansiedade, menos tristeza e distância das conexões

Por outro lado, o levantamento identificou uma mudança bastante curiosa nos padrões de escrita ao longo do tempo. Conforme os cantores e compositores avançam em suas trajetórias, o uso de termos ligados a emoções — sejam elas positivas ou negativas — diminui.

Contudo, ao analisar sentimentos específicos, percebeu-se um comportamento curioso: as referências à ansiedade aumentaram expressivamente nas composições, enquanto as menções diretas à tristeza caíram.

A surpresa sobre o envelhecimento dos artistas

Da mesma forma, a equipe de cientistas ficou impressionada ao notar que as letras não acompanham as mudanças psicológicas esperadas no ciclo de vida humano.

O autor principal do levantamento, Logan Gibson, ponderou sobre como a maturidade do artista não se traduz necessariamente em composições mais afetuosas: "As pessoas tendem a se tornar mais equilibradas emocionalmente e a investir mais em relacionamentos significativos à medida que envelhecem, então poderíamos esperar que as letras das músicas se tornassem mais positivas ou relacionais ao longo da carreira de um artista. Em vez disso, as emoções positivas e as referências sociais diminuíram. Isso sugere que as letras das músicas podem ser fortemente influenciadas por forças artísticas, culturais ou da indústria."

O reflexo da sociedade através da arte

Em suma, as composições funcionam como um grande espelho do comportamento humano coletivo. Elas registram não apenas o estilo de uma época, mas a maneira como as pessoas processam suas vivências pessoais.

O coautor e ex-professor associado do Departamento de Psicologia, William Chopik, reforça o papel fundamental da canção no cotidiano.

"A música não é apenas entretenimento. As pessoas usam canções para regular suas emoções, compreender a si mesmas, desenvolver suas identidades e se sentir conectadas a outras pessoas. Isso faz das letras um registro interessante daquilo que os artistas — e potencialmente o público e as culturas ao seu redor — escolhem expressar. Portanto, quando observamos declínios em larga escala na linguagem emocional e social, surgem questões interessantes sobre se a maneira como expressamos sentimentos e relacionamentos mudou de forma mais abrangente", concluiu.

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