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Estudo aponta que mulheres são mais inteligentes emocionalmente: veja impacto no trabalho

Levantamento com 600 mil pessoas revela que habilidade é moldada pelo treino e exige reconhecimento na rotina

23 out 2026 - 08h24
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Resumo
Um estudo da Universidade de Limerick com 600 mil pessoas revelou que mulheres têm maior inteligência emocional, destacando-se na gestão de conflitos e suporte aos outros. Essa habilidade, fruto de socialização e não da biologia, gera sobrecarga invisível no trabalho por falta de reconhecimento formal. Como a competência é treinável, a diferença de gênero vem caindo, evidenciando a necessidade de as empresas valorizarem e dividirem essa responsabilidade coletivamente para evitar desgastes.

A inteligência emocional costuma ser associada ao público feminino na psicologia popular, e um estudo abrangente confirma essa percepção com embasamento científico. Uma pesquisa da Universidade de Limerick analisou dados coletados entre 1995 e 2023, envolvendo mais de 600 mil pessoas em 76 países.

Levantamento com 600 mil pessoas revela que habilidade é moldada pelo treino e exige reconhecimento no trabalho e na rotina
Levantamento com 600 mil pessoas revela que habilidade é moldada pelo treino e exige reconhecimento no trabalho e na rotina
Foto: Yan Krukau/Canva / Bons Fluidos

Os resultados apontam que, em média, as mulheres alcançam pontuações mais altas na gestão dos sentimentos alheios. No entanto, especialistas alertam que essa vantagem traz o risco de transformar uma habilidade adquirida em uma obrigação invisível e não remunerada no cotidiano.

O impacto da inteligência emocional no trabalho

A disparidade observada no levantamento concentra-se na capacidade de reconhecer, compreender e acalmar os outros em momentos de tensão. Longe de ser um traço exclusivamente biológico, esse diferencial é moldado pela prática e pela educação recebida desde a infância, fase na qual as meninas são mais incentivadas à expressão afetiva. No ambiente corporativo, por sua vez, essa aptidão se traduz na mediação de conflitos e no suporte a colegas — tarefas essenciais para o clima organizacional, mas que raramente recebem o devido reconhecimento nas avaliações formais de desempenho.

O potencial de desenvolvimento nos homens

E diferente do que muitos podem ter pensado ao ler esta matéria, já que o manejo dos sentimentos é uma competência treinável e não um traço genético imutável, o público masculino também pode desenvolver esse repertório para aplicar em negociações, no exercício da liderança e na convivência familiar.

A evolução dos dados nas últimas três décadas demonstra que a lacuna entre os gêneros vem diminuindo progressivamente, à medida que a empatia se socializa. Para evitar a sobrecarga, organizações e famílias precisam reconhecer o valor desse esforço interpessoal, incentivando que todos compartilhem a responsabilidade pelo bem-estar coletivo.

Por fim, promover esse equilíbrio requer olhar para o suporte socioemocional como uma habilidade estratégica, e não como uma predisposição natural de determinado grupo. Quando empresas e círculos sociais passam a mensurar, validar e incentivar o cuidado interpessoal de forma coletiva, o desgaste individual diminui e uma cultura de colaboração genuína é fortalecida. Assim, a democratização do aprendizado emocional consolida ambientes profissionais mais saudáveis, fortalece os vínculos afetivos e garante uma divisão justa das atenções no cotidiano.

Bons Fluidos
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