Medicina veterinária no Brasil é discutida em feira no RJ
Uma mesa-redonda que abordou cases de sucesso do mundo veterinário abriu o último dia da PET Rio Expo, nesta quinta-feira (27), com a presença dos profissionais renomados no ramo, Dr. Ricardo Lopes – que participou como palestrante -, e Dr. Nuno Paixão, que assistiu ao debate após ter liderado seminários durante os primeiros dias de evento. Depois da exposição das informações, os profissionais participaram de um bate-papo exclusivo com a equipe do CachorroGato, abordando as maiores dificuldades e avanços que se destacaram ao longo dos últimos anos no segmento da saúde animal e de cuidados com pets.
Atuante em seu país de origem, o português Nuno Paixão disse não haver diferenças de grande relevância entre os mercados pet de Portugal e do Brasil, embora acredite que, atualmente, o cenário português possa ter uma pequena vantagem no quesito qualidade de hospitais veterinários. “No Brasil, vejo que há bons hospitais, mas também há muitos onde a estrutura ainda é precária e, por isso, creio que possa haver certa vantagem para o mercado português neste quesito. No entanto, um fator que chama muito minha atenção no mercado brasileiro é o nível de interesse e de empenho dos estudantes e novos profissionais – que estão sempre em busca de novas informações sobre técnicas, inovações e informações em geral sobre o mercado e a saúde pet”, comentou Paixão.
De acordo com ele, de uma maneira geral, ao longo dos últimos anos houve uma série de avanços no mercado da medicina veterinária que, hoje, já conta com medicamentos mais eficientes e equipamentos mais acessíveis – embora este ponto também se encaixe entre as maiores dificuldades enfrentadas pelos profissionais do ramo. “Ainda precisamos de empresas que consigam tornar o maquinário para o atendimento da saúde pet mais barato e acessível, permitindo que os hospitais e clínicas possam contar com esse tipo de suporte em emergências”, explicou.
Ainda segundo Nuno, outros dois pontos importantes e que influenciam no mercado pet de uma maneira negativa são o fato de, na América Latina, haver cada vez mais faculdades veterinárias, além da carência de cuidado dos donos com seus bichinhos de estimação. “Os profissionais latinos acabam se tornando bons no que fazem por meio da experiência de trabalho e do seu próprio nível de interesse, e não pela formação que as universidades oferecem – que é deficiente em muitos casos”, conclui.
De acordo com o Dr. Ricardo Lopes, proprietário e diretor da Físio Care Pet, essa deficiência na formação dos profissionais também faz com que o segmento de fisioterapia para animais seja desconhecido por muitos no Brasil, prejudicando os animais que precisam de tratamento e não têm veterinários que o indiquem de maneira adequada. “Até poucos anos atrás a disciplina de fisioterapia nem mesmo existia nas grades dos cursos de medicina veterinária, e esse segmento começou a ser conhecido há, apenas, cerca de três anos. Sem destaque nas universidades, a especialidade não é indicada pelos veterinários, e os animais são os mais prejudicados com isso”, disse Lopes, acrescentando que esse tipo de terapia pode ser extremamente eficaz no tratamento de cães e gatos com obesidade e problemas de mobilidade das mais diversas motivações.
“Atualmente, apenas o estado de São Paulo conta com mais estrutura e conhecimento sobre esse tipo de especialidade, que ainda é extremamente escasso ou inexistente no restante do País”, explica. Segundo Ricardo, o preço do maquinário para a fisioterapia veterinária também peca por ser muito elevado, impedindo que as empresas interessadas no ramo possam se equipar de maneira adequada com uma verba menor. Além disso, a falta de informação é mais um fator que acaba prejudicando a abertura de centros de reabilitação para pets, e há a necessidade de mais divulgação e propagação dos serviços de fisioterapia veterinária para que o ramo possa crescer e se expandido para todo o País.
“As esteiras aquáticas, que podem ajudar a acelerar o processo de recuperação de um pet em até 60%, custam uma média de R$ 25 mil nos dias de hoje e o uso de piscinas nesse tipo de tratamento exige uma manutenção muito elevada e que, em muitos casos, acaba não valendo a pena para o empreendedor. Juntando isso com a falta de espaço físico que há em diversos estados para a instalação dos centros de reabilitação pet, o mercado acaba deficiente desse tipo serviço”, conclui Lopes.