"Me sentia burra": Atriz de Hollywood quebra o tabu sobre a pré-menopausa
"Libido? O que é isso?": Gabriela Kulaif fala sem filtro sobre os efeitos da pré-menopausa
A atriz brasileira Gabriela Kulaif juntou-se a famosas como Adriane Galisteu e Angélica para quebrar o tabu sobre a pré-menopausa. Ela relatou ter sofrido com falhas graves de memória, insônia severa provocada por fogachos, depressão, perda de libido e impactos na carreira. Para contornar os sintomas, iniciou reposição hormonal e retomou práticas integrativas como yoga. Gabriela defende o diálogo aberto, inclusive com os filhos homens, para desmistificar o tema e combater a desinformação.
Atriz brasileira que teve a própria história contada no longa BitterSweet, da Apple TV, conta que passou quase quatro meses sem dormir por causa dos fogachos, iniciou reposição hormonal e defende que o assunto seja tratado com mais naturalidade
A menopausa deixou de ser um assunto restrito ao consultório médico e passou a ganhar espaço também entre mulheres conhecidas do público. Aos 53 anos, Adriane Galisteu acaba de transformar a própria experiência em tema do videocast "Círculo de Fogo", no qual fala sobre os medos e as inseguranças que viveu durante essa fase. Angélica já revelou ter enfrentado noites de suor intenso e mudanças repentinas de humor, enquanto Claudia Raia contou que chegou ao "fundo do poço" antes de procurar tratamento.
Morando nos Estados Unidos, a atriz e produtora Gabriela Kulaif, estrela do longa de Hollywood "BitterSweet", inspirado em sua própria história, decidiu se juntar a essas vozes e contar como a pré-menopausa afetou sua memória, seu trabalho, o sono e até a vida sexual. Para ela, o primeiro sinal não foi uma onda de calor, mas uma dificuldade cognitiva que chegou a abalar sua confiança.
"Foi um branco total. De me fazer passar vergonha, parecer burra, tapada. Eu esquecia palavras óbvias, nomes de pessoas, números, endereços, tudo. Se eu não anotar no celular, não vou lembrar", conta.
Durante algum tempo, Gabriela conseguiu contornar os esquecimentos. A situação mudou quando vieram os fogachos, acompanhados por noites praticamente em claro.
"Quase quatro meses sem dormir, acordando a noite toda suando, foram um pesadelo. Com isso, vieram todos os efeitos da falta de sono: irritabilidade à flor da pele, imunidade baixa, fraqueza, falta total de foco e algo que eu nunca tinha sentido, depressão. Foi um horror."
"Libido? O que é isso?"
Ao falar sobre a vida sexual, a atriz recorre ao humor, mas não esconde o impacto que sentiu.
"Libido? O que é isso?", brinca. "A minha já estava com o pé na porta de saída depois que tive dois filhos aos 40 anos. Meus hormônios sentiram bastante as duas gravidezes, os sintomas emendaram com a pré-menopausa e hoje nem sei dizer onde a libido se encontra."
A diminuição do desejo não é uma experiência isolada. Estimativas citadas pela Sociedade de Menopausa apontam que entre 20% e 40% das mulheres percebem algum grau de queda da libido durante essa transição. O desejo, no entanto, não depende apenas das alterações hormonais. Sono, saúde mental, estresse, autoestima e relacionamentos também podem influenciar.
Impacto no trabalho e culpa
Como atriz, Gabriela sentiu os sintomas chegarem também ao trabalho. A dificuldade de concentração passou a interferir na memorização de textos, na disposição para testes e na rotina de produção. "Afeta demais. Na verdade, afeta a vida inteira. Eu não achava que precisaria fazer reposição hormonal, mas não tive escolha", afirma.
Antes de relacionar as mudanças à pré-menopausa, ela passou por um período de culpa. "Até cair a ficha, leva um tempo. No começo, eu me culpava, achava que não estava me cuidando o suficiente. Depois entendi qual era a raiz do problema."
Conversa começa dentro de casa
Mãe de três filhos homens, Gabriela faz questão de não esconder o que está vivendo. Para ela, quebrar o tabu também significa incluir homens e meninos na conversa.
"Falo que estou na pré-menopausa principalmente em lugares e situações inusitadas, como no grupo de WhatsApp da escola dos meus filhos, com amigos homens e dentro de casa. Meu filho mais velho cresceu tão à vontade com esses assuntos que, ainda adolescente, conseguia perceber as diferenças entre menopausa, ovulação e TPM. Tenho orgulho e felicidade de criar um homem assim para o mundo."
Os filhos mais novos estão entrando na pré-adolescência e também participam dessas conversas. "Com a ajuda do mais velho e muito diálogo, eles vão seguir o mesmo caminho. Precisamos quebrar esse tabu e levar informação e ajuda às mulheres e às famílias que atravessam esse período sem saber como lidar."
O que ajuda a amenizar os sintomas
Além do acompanhamento médico, Gabriela retomou recentemente as práticas de Yoga e Kundalini Yoga, interrompidas por causa de um problema no quadril. Ela também mantém Reiki e meditação na rotina, mas ressalta que essas atividades não substituem o tratamento.
"Yoga e Kundalini Yoga são maravilhosos para acalmar o sistema nervoso. E um sistema nervoso calmo enfrenta qualquer obstáculo com mais leveza. Coincidentemente, comecei a ter os fogachos em uma fase em que tinha parado de praticar. Agora estou melhor, voltei e já sinto os resultados."
A atriz é acompanhada por uma médica no Brasil e outra em Los Angeles. Segundo ela, as discussões sobre menopausa nos dois países estão cada vez mais próximas.
"Eu junto todas as informações que posso dos dois mundos. Sigo médicos e especialistas brasileiros e percebo que o conhecimento nos Estados Unidos e no Brasil está bem alinhado. É como se, de modo geral, o Brasil estivesse caminhando logo atrás."
Se pudesse conversar com a Gabriela de 35 anos, ela daria um conselho simples: "Diria para começar a se preparar, cuidar da saúde e entender melhor o próprio corpo. Quanto mais informação a mulher tiver antes, menos sozinha vai se sentir quando essa fase chegar."
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