Entre idas e vindas: como podemos explicar um relacionamento 'ioiô'?
O reencontro de Sophie Charlotte e Xamã reacendeu o debate sobre os relacionamentos "ioiô"; entenda por que alguns casais terminam e voltam repetidamente
O recente flagrante de Sophie Charlotte e Xamã, caminhando de mãos dadas em um shopping no Rio de Janeiro após terem anunciado o término em fevereiro, acendeu os holofotes sobre uma dinâmica amorosa muito comum: o relacionamento "ioiô" ou "vai e vem".
O casal, que se conheceu nos bastidores da novela Renascer em 2024, já passou por outras pausas e retornos - como o breve afastamento no Carnaval de 2025 seguido por uma reconciliação apaixonada em Paris, o rompimento no início deste ano e, agora, esse novo indício de reaproximação.
Casais que terminam e voltam despertam curiosidade, mas o que a psicologia diz sobre esse comportamento? Longe de ser apenas "coisa de novela", os relacionamentos cíclicos revelam muito sobre o funcionamento da mente humana e nossos padrões de apego.
O loop do afeto: por que voltamos?
Para a psicologia, o fenômeno do vai e vem geralmente está ancorado em três pilares emocionais:
1. A ilusão da mudança
Quando nos afastamos de alguém, a dor da ausência tende a silenciar os motivos que causaram o término. A mente foca nas memórias boas (o acolhimento, a paixão inicial, a cumplicidade), gerando a sensação de que, desta vez, tudo será diferente.
2. Padrões de apego inseguro
Pessoas com apego ansioso sentem uma necessidade profunda de validação e temem o abandono, o que as faz buscar o ex-parceiro para aliviar a ansiedade. Já aquelas com apego evitativo podem se assustar com a intimidade, terminar a relação para recuperar o controle e, depois, quando a pressão diminui, sentir falta do vínculo e retornar.
3. O conforto do território conhecido
Iniciar um novo relacionamento exige energia, vulnerabilidade e o risco de rejeição. Voltar para um ex-parceiro traz a falsa sensação de segurança: você já conhece os defeitos, as qualidades e a rotina daquela pessoa.
O custo emocional da inconstância
Embora alguns casais consigam usar o tempo de separação para amadurecer e construir uma base mais sólida, a psicologia alerta que a repetição crônica desse ciclo pode gerar um desgaste invisível, mas profundo.
Estudos na área de terapia de casal apontam que relacionamentos com múltiplas idas e vindas tendem a apresentar níveis mais elevados de estresse, menor satisfação conjugal e uma erosão gradual da confiança mútua.
Cada término funciona como uma pequena quebra de contrato emocional. Quando o "vai e vem" se torna a dinâmica padrão, o casal passa a viver em um estado de alerta constante, sem saber se a próxima discussão significará o fim definitivo ou apenas mais uma pausa.
Como quebrar o ciclo ou torná-lo saudável?
Para que um retorno não seja apenas o prenúncio do próximo término, psicólogos recomendam sair do piloto automático e fazer duas perguntas fundamentais:
"O que mudou em nós durante o tempo separados?"
Se os problemas estruturais (divergência de valores, falta de comunicação, ciúmes) não foram trabalhados individualmente, o casal tende a reatar apenas para brigar pelos mesmos motivos de sempre.
"Estamos voltando pelo amor ao outro ou pelo medo da solidão?"
O desejo de reconstruir um relacionamento deve ser baseado na admiração real pelo parceiro, e não no pânico de ficar sozinho ou na carência afetiva.
Histórias como a de Sophie e Xamã nos lembram que os afetos humanos são complexos e cheios de nuances. O vai e vem pode ser uma busca por ajuste, mas o verdadeiro termômetro da saúde de um casal não é a ausência de crises, e sim a capacidade de transformá-las em estabilidade e paz a longo prazo.
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