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Em alta, cidade japonesa cria guia de etiqueta para turistas 

Cartilha de Quioto traz recomendações como veto a cigarro e autorização prévia antes de selfies com gueixas.

3 jun 2019
12h18
atualizado às 12h35
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A cidade japonesa de Quioto está distribuindo cartilhas, guloseimas e lanternas de papel para tentar ensinar aos turistas como se comportar no bairro histórico de Gion.

As figuras de gueisha e maiko são parte da herança cultural de Gion, em Quioto
As figuras de gueisha e maiko são parte da herança cultural de Gion, em Quioto
Foto: Jon Akira Yamamoto/Getty Images / BBC News Brasil

Clientes e lojistas reclamaram da superlotação e do comportamento inadequado de visitantes nos últimos anos, apesar das tentativas anteriores de incentivar boas maneiras. O conselho local de Gion decidiu atacar a situação com cortesia.

Os estudantes da Escola de Design da Universidade Feminina de Quioto foram incumbidos de criar uma cartilha didática e atraente em japonês, chinês e inglês a ser colocada em sacolas com guloseimas. Grupos de policiais, estudantes e maiko — aprendizes de gueixas — foram formados para entregar o material aos visitantes.

As mensagens vão desde pedidos comuns para não se sentar ou fumar na rua, até demandas mais específicas, como a necessidade de pedir autorização antes de tirar selfies com as famosas gueixas de Gion, além de nunca tocá-las sem consentimento.

Há diversas outras recomendações, como deixar sanitários limpos, não furar filas, não cancelar reservas em restaurantes sem antecedência e jogar o lixo em lixeiras.

O guia completo em inglês está aqui.

O Departamento de Turismo de Quioto publica orientações para visitantes sobre como se comportar desde 2017, com base na palavra local "akimahen" - "é proibido", ilustrado com gráficos alegres e promovido com um vídeo em sites populares de classificação de visitantes.

Guia de boas maneiras entregue a turistas, que inclui veto a cigarro e pedidos de autorização para tirar fotos de moradores
Guia de boas maneiras entregue a turistas, que inclui veto a cigarro e pedidos de autorização para tirar fotos de moradores
Foto: Kyoto Travel Guide / BBC News Brasil

O conselho já havia instalado câmeras e destacado guardas para impedir que visitantes entrassem em locais proibidos, espalhado viaturas para patrulhas e criado um sistema de áudio público multilíngue que lembra os turistas de respeitarem as regras da área. Mas a estratégia não surtiu o efeito esperado.

O turismo de massa é um fenômeno relativamente novo no Japão, que chegou a um recorde de 31 milhões de pessoas em 2018. Há cinco anos, eram 10 milhões, principalmente do leste da Ásia.

A meta da Organização de Turismo do Japão é de 40 milhões para 2020, ano em que Tóquio sediará os Jogos Olímpicos.

Além da entrada substancial de recursos, o fenômeno resultou em problemas.

Campanha em 2017 já recomendava pedir autorização antes de fotografar aprendizes de gueixas
Campanha em 2017 já recomendava pedir autorização antes de fotografar aprendizes de gueixas
Foto: Kyoto Travel Guide / BBC News Brasil

Plano B

Caso as sacolas com guloseimas e recomendações de bons modos não funcionem, Quioto estuda também limitar o número de turistas em seus distritos históricos.

Um projeto experimental que coletava informações sobre o fluxo de pessoas foi bem-sucedido no distrito de Arashiyama em novembro e dezembro de 2018.

Ele registrou o número de smartphones que acessam o WiFi no popular site da Bamboo Grove, permitindo que 22.623 pessoas verificassem as atualizações e evitassem os horários de pico, relata o jornal Mainichi Shimbun.

A cidade também tem promovido seis locais próximos a Quioto, incluindo o Santuário Fushimi Inari, para estimular o turismo em outras atrações da região sem prejudicar o estilo de vida local.

As ruas da Velha Quioto podem ficar lotadas facilmente
As ruas da Velha Quioto podem ficar lotadas facilmente
Foto: Christopher Jue/Getty Images / BBC News Brasil

Colaboraram Alistair Coleman e Martin Morgan

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