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'Eles passarão, eu passarinho': Cortella resgata Mário Quintana para ensinar a lidar com pessoas difíceis

A partir de versos do poeta, filósofo propõe uma nova maneira de enxergar obstáculos, conflitos e relações que tiram a nossa paz

12 ago 2026 - 12h40
(atualizado às 12h49)
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O que fazer quando alguém parece empenhado em dificultar a nossa caminhada? Para o filósofo Mario Sergio Cortella, uma resposta possível está na poesia de Mário Quintana. Em uma palestra recente, ao relembrar versos do escritor, ele propôs uma reflexão sobre como não permitir que atitudes alheias determinem os rumos da própria vida.

A partir de versos do poeta, Mario Sergio Cortella propõe uma nova maneira de enxergar obstáculos, conflitos e relações que tiram a nossa paz
A partir de versos do poeta, Mario Sergio Cortella propõe uma nova maneira de enxergar obstáculos, conflitos e relações que tiram a nossa paz
Foto: Reprodução/Instagram/@cortella / Bons Fluidos

Cortella destacou a conhecida trova de Quintana: "Todos esses que aí estão atravancando meu caminho, eles passarão, eu passarinho." A frase, apesar de simples, carrega uma ideia poderosa, pois aponta que obstáculos e pessoas, que hoje parecem enormes, podem perder espaço quando deixamos de permitir que eles ocupem toda a nossa atenção.

O que ensinam Cortella e Quintana

Na interpretação de Cortella, a mensagem ganha força quando pensamos nas relações cotidianas. Nem sempre as pessoas ao nosso redor agirão de maneira colaborativa. Algumas podem criticar, desanimar ou criar dificuldades. Contudo, isso não significa que precisamos transformar cada conflito em uma batalha.

A imagem criada por Quintana ajuda justamente a mudar essa perspectiva. Enquanto aquilo que atravanca o caminho pode desaparecer com o tempo, o "passarinho" representa quem continua seguindo adiante.

Nesse sentido, a reflexão também fala sobre desapego. Nem todo comentário precisa de resposta. Nem toda provocação merece confronto. E nem toda pessoa que cruza nossa trajetória precisa continuar fazendo parte dela.

A diferença entre existir e realmente viver

Em outro momento, Cortella recuperou mais um verso de Quintana para ampliar a discussão. "Um dia, pronto, me acabo. Seja o que tem de ser. Morrer, que me importa? O diabo é deixar de viver", citou.

A frase desloca o olhar para uma questão ainda mais profunda. A vida não se resume à passagem do tempo ou à existência física. Para o filósofo, também podemos "deixar de viver" quando perdemos aquilo que dá sentido à nossa experiência.

Isso pode acontecer quando a esperança desaparece, quando os afetos ficam em segundo plano ou quando a rotina se torna tão pesada que já não encontramos espaço para aquilo que nos faz bem. Por isso, a provocação de Quintana não trata apenas da morte. Ela chama atenção para a importância de preservar a vontade de viver, mesmo diante das dificuldades.

Seguir em frente também é uma escolha

As duas frases se encontram em um ponto comum: os problemas existem, mas não precisam ocupar o centro da vida. Algumas situações realmente exigem decisões, limites e mudanças. Outras, entretanto, pedem apenas tempo para perder importância. Saber diferenciar essas situações pode evitar que gastemos energia tentando controlar aquilo que está fora do nosso alcance.

A reflexão de Cortella, nesse sentido, funciona menos como uma receita pronta e mais como um convite para olhar novamente para a própria trajetória. Afinal, se determinadas pessoas ou circunstâncias estão "atravancando" o caminho, talvez seja hora de perguntar quanto espaço elas ainda merecem ocupar. E a resposta pode estar justamente na simplicidade de Quintana: "Eles passarão, eu passarinho."

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