Script = https://s1.trrsf.com/update-1770314720/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Como a marquinha da vacina BCG se tornou um símbolo latino-americano

27 mar 2026 - 18h31
Compartilhar

Vacina foi incluída no Programa Nacional de Imunizações do Brasil há 50 anos. Aplicação, que costuma deixar marca no ombro, é comum em países com alta incidência de tuberculose, incluindo a América Latina.Há 50 anos, a vacina BCG foi incluída no Programa Nacional de Imunizações (PNI), considerado um marco para esse que é um imunizante centenário no Brasil. Desde então, o imunizante se tornou obrigatório para crianças e costuma deixar uma pequena cicatriz no ombro para a vida toda. A "marquinha" da vacina agora tem sido vista como símbolo latino-americano nas redes sociais.

A vacina BCG previne das formas graves e disseminadas da tuberculose (miliar e meníngea). Ela contém uma cepa da bactéria da tuberculose criada em laboratório, fazendo com que não seja transmissível nem cause a doença.

BCG significa "Bacilo de Calmette-Guérin", em referência aos cientistas franceses Albert Calmette (1863-1933) e Camille Guérin (1872-1961), do Instituto Pasteur de Paris. Eles foram os responsáveis por desenvolver a vacina, usada pela primeira vez em humanos em 1921.

O imunizante chegou ao Brasil em 1925, trazida pelo médico Arlindo Raimundo de Assis. A primeira aplicação, no entanto, aconteceu dois anos depois, em 1927. Mas apenas em 1976 que a vacina entrou oficialmente no Programa Nacional de Imunizações, baseando-se em um decreto publicado em 12 de agosto daquele ano, que estabeleceu o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica. No ano seguinte, ela passou a fazer parte do calendário de vacinação.

"Lá no começo, a gente não tinha uma estrutura como é hoje com o Programa Nacional de Imunizações. Apesar da vacina ter chegado nos anos 1920, ela começou a ser aplicada de forma aleatória. Não tinha uma recomendação, não tinha distribuição, não tinha nada disso que a gente tem hoje. É por isso que algumas pessoas mais velhas têm a marquinha, outras não", conta Isabella Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

A BCG também já teve sua versão oral, mas acabou sendo descartada em 1973. Ela é distribuída pelo Ministério da Saúde, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), e é obrigatória para crianças entre 0 e 4 anos, 11 meses e 29 dias de idade, sendo indicada a aplicação em dose única, o mais precocemente possível, de preferência ainda na maternidade.

A vacinação também é indicada para contatos domiciliares de pacientes com hanseníase, desde que não apresentem sinais e sintomas da doença. A vacina possui efeito protetor, reduzindo a morbidade e apresentando, em caso de adoecimento, manifestações clínicas mais leves.

Thales Alves Campelo, doutor em patologia pela Universidade Federal do Ceará, conta que a aplicação de vacinas normalmente acontece via oral, por meio de gota, ou intramuscular, dentro do músculo. No entanto, como a BCG é intradérmica, ela é aplicada embaixo da pele, o que explica a famosa marquinha. "Quando ocorre essa aplicação, começa a ter uma resposta imunológica local", afirma.

Símbolo latino-americano

Mesmo tendo sido criada na França, a BCG acabou se tornando um símbolo latino‑americano, mas devido à alta incidência de tuberculose na região.

"Tuberculose é ocasionada em locais com muita aglomeração, sem condições de ventilação adequada e muitas pessoas vivendo juntas. Então, não é uma questão só de saúde, é uma questão social e isso acarreta justamente os países da América Latina", diz Campelo.

De acordo com The BCG World Atlas, quase todos os países latino‑americanos mantêm política nacional de vacinação com BCG para toda a população. Por outro lado, na maior parte da Europa Ocidental e nos Estados Unidos, a BCG não é mais aplicada em massa, ficando limitada a alguns grupos especiais. Na França, por exemplo, a aplicação deixou de ser obrigatória em 2007.

Mas longe de pensar que é um fenômeno apenas latino-americano. Países da Ásia e da África lideram o número de casos de tuberculose no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a maioria das pessoas que desenvolvem tuberculose todos os anos está em 30 países com alta incidência da doença: elas representaram 87% do total global em 2024.

Os oito primeiros lugares (67% do total mundial) foram ocupados pela Índia (25%), Indonésia (10%), Filipinas (6,8%), China (6,5%), Paquistão (6,3%), Nigéria (4,8%), República Democrática do Congo (3,9%) e Bangladesh (3,6%). O Brasil aparece em 17º lugar, sendo o primeiro entre países ocidentais.

Não é à toa que nas redes sociais muitas pessoas já notaram que artistas asiáticos também possuem cicatrizes no braço.

BCG em adultos

Os especialistas divergem em relação à vacinação em adultos. Segundo Isabella Ballalai, adultos não devem se vacinar porque já tiveram algum contato com a bactéria devido à presença da doença no Brasil. O resultado é que o organismo produz anticorpos mesmo sem ter tomado a vacina.

Já Thales Alves Campelo afirma que quem mora em região com ainda mais incidência da doença, tomar mais uma dose da vacina pode fortalecer o organismo contra a bactéria. Mas essa decisão deve ser tomada junto a um médico.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra