Comer a mesma coisa todos os dias faz mal? Veja o que dizem especialistas
Rotina, praticidade e preferências pessoais podem influenciar a forma como organizamos as refeições, mas alguns cuidados ajudam a preservar o equilíbrio nutricional
A alimentação ocupa um espaço importante na rotina e, para muitas pessoas, praticidade também entra na hora de escolher o que colocar no prato. Entre o planejamento das refeições, as compras e o preparo dos alimentos, criar hábitos que facilitem o dia pode parecer uma boa estratégia. Nesse cenário, surge uma dúvida: até que ponto vale comer a mesma coisa todos os dias?
Em entrevista ao 'The New York Times', especialistas analisaram o costume de manter refeições semelhantes diariamente e apontaram que a resposta depende, principalmente, da qualidade do que aparece no prato. Assim, a repetição não representa necessariamente um problema, desde que a alimentação forneça os nutrientes necessários.
Quando repetir refeições pode ajudar
Segundo os profissionais, ara algumas pessoas, manter um cardápio previsível reduz o trabalho envolvido na alimentação. A pessoa já sabe o que comprar, como preparar e o que vai comer em determinado horário. Dessa forma, o hábito pode tornar a rotina mais simples.
A chamada fadiga de decisão também entra nessa equação. Isso porque escolher refeições constantemente pode se tornar cansativo, principalmente para quem precisa organizar a alimentação de toda a família. Ao reduzir essas escolhas, a pessoa ganha mais previsibilidade no dia.
Há ainda quem escolha repetir determinados alimentos simplesmente por preferência. Para Marion Nestle, professora da Universidade de Nova York, não há necessariamente um problema nessa escolha: "Consigo pensar em coisas piores do que comer a mesma refeição repetidamente, desde que ela seja equilibrada e saudável"
Além disso, uma pesquisa da Universidade Drexel acompanhou adultos durante 12 semanas e observou maior perda de peso entre aqueles que repetiam as mesmas refeições, em comparação com participantes que seguiam uma alimentação mais variada. Entretanto, o resultado não significa que repetir alimentos, por si só, provoque emagrecimento.
O que colocar no prato
Para manter uma refeição nutricionalmente equilibrada, então, uma combinação de proteína, carboidrato e gordura saudável pode servir como base. Frutas, legumes, grãos integrais, castanhas, azeite, peixes e carnes magras estão entre as alternativas que ajudam a ampliar o aporte de nutrientes.
Por outro lado, repetir diariamente refeições compostas por produtos ultraprocessados, alimentos muito salgados ou preparações ricas em açúcar e gordura pode limitar a oferta de vitaminas, minerais e fibras. Por isso, a praticidade não deve substituir escolhas nutritivas.
Variedade também importa
Apesar da praticidade, transformar todas as refeições em cópias umas das outras pode limitar a diversidade nutricional. Por isso, uma alternativa é manter a estrutura do prato e trocar alguns ingredientes ao longo da semana.
O mesmo café da manhã, por exemplo, pode ganhar frutas diferentes. No almoço, os vegetais podem variar, enquanto a fonte de proteína pode alternar entre frango, peixe, ovos e outras opções. Essa mudança contribui para uma maior diversidade da alimentação, algo de que a microbiota gosta, segundo Julia Zumpano, nutricionista da Cleveland Clinic.
Assim, não é necessário abandonar uma rotina alimentar prática para incluir variedade. A ideia é encontrar um meio-termo: repetir preparações que facilitam o dia a dia, mas garantir diferentes fontes de nutrientes ao longo da semana.
"Alimentação saudável sempre vem antes da variedade", afirmou Donald Hensrud, professor associado de nutrição e medicina preventiva da Faculdade de Medicina da Mayo Clinic.
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