Torneira de cozinha: guia prático para acertar na escolha
Altura, tipo de acionamento, materiais e recursos tecnológicos impactam o conforto e a usabilidade
Nos últimos anos, a cozinha passou a ocupar um lugar de destaque nos projetos de arquitetura, e cada escolha ganhou importância — inclusive aquelas antes vistas apenas como funcionais, como a torneira. Esse item deixou de ser um simples objeto para assumir um papel ativo no ambiente — especialmente com a popularização da área gourmet —, impactando a praticidade e até a estética do espaço.
E diante da variedade de materiais, recursos tecnológicos e tipos de acionamento disponíveis, definir o modelo ideal tornou-se uma tarefa mais complexa. "À primeira vista, é comum achar que qualquer torneira resolve, mas hoje o mercado oferece tantas possibilidades: modelos automáticos, móveis, com água quente, duchas, sistemas integrados e muitos outros", contam as arquitetas Danielle Dantas e Paula Passos, do escritório Dantas & Passos Arquitetura.
Em função disso, as especialistas compartilham orientações para ajudar na escolha do modelo mais adequado para cada tipo de espaço. Confira!
Pontos para considerar antes da escolha do modelo
Antes mesmo de pensar em acabamento ou no design, vale observar como cada ambiente é usado no dia a dia. Para Paula Passos, um dos primeiros pontos é verificar a pressão da água disponível, já que ela interfere no desempenho do modelo escolhido e pode evitar problemas futuros.
"É importante considerar as atividades realizadas com mais frequência, como o espaço necessário para lavar panelas maiores, higienizar alimentos e realizar diferentes tarefas com conforto. Na área gourmet, entram ainda grelhas, utensílios volumosos e o apoio ao preparo de carnes e bebidas", explica a arquiteta.
Uma boa referência que elas consideram quase regra é manter cerca de 30 cm entre a bica da torneira e o ralo da pia, o que favorece o uso e reduz respingos. Mas também vale ficar atento a outros pontos:
- Conferir todas medidas antes de comprar, pois as tarefas executadas merecem um espaço confortável para que fiquem funcionais;
- Avaliar o orçamento disponível, considerando que os preços variam conforme material e recursos tecnológicos. "Pesquisar ajuda a encontrar soluções equilibradas", completa.
Embora semelhantes, a cozinha e área gourmet têm dinâmicas diferentes, e isso se reflete também na escolha da torneira. De modo geral, as arquitetas consideram que na cozinha o uso é frequente e pede ergonomia, praticidade e conforto para a rotina diária. Na área gourmet, a torneira costuma ter presença mais marcante no projeto, associada a momentos de lazer e recepção, então precisa ser robusta, funcional e dialogar visualmente com os demais elementos.
Escolhendo entre torneira, misturador ou monocomando
Essa é uma dúvida comum durante o processo de escolha. O primeiro passo é verificar se há possibilidade de contar com água quente e se a infraestrutura hidráulica comporta essa adaptação. Na maior parte dos casos, as torneiras tradicionais trabalham apenas com água fria, enquanto misturadores e monocomandos oferecem mais flexibilidade, tanto para cozinhas quanto para áreas gourmet.
"O misturador permite ajustar a temperatura por meio de dois registros. O monocomando reúne tudo em um único comando, tornando o uso mais intuitivo e ágil, esse é um detalhe que faz diferença no ritmo do dia a dia", explica Danielle Dantas.
Melhores materiais
Costumeiramente, as torneiras podem ser produzidas em materiais plásticos, metálicos ou em versões que combinam peças flexíveis, oferecendo maior mobilidade. "Os modelos plásticos, geralmente em ABS, costumam ter preço mais acessível, mas menor durabilidade", enfatizam Danielle Dantas e Paula Passos.
Já as torneiras metálicas, com estruturas internas em latão, cobre ou aço inox, apresentam maior resistência e vida útil, sendo mais indicadas para cozinhas e áreas gourmet, onde o uso tende a ser mais intenso ou exigir maior robustez.
Agora quando o assunto é acabamento, a escolha deve conversar com o conceito do projeto e com os demais elementos do ambiente, pois escolher peças diferentes vai fazer diferença no resultado estético. As cromadas seguem atemporais e fáceis de combinar, enquanto as torneiras pretas continuam em alta em 2026, principalmente em cozinhas contemporâneas e áreas gourmet de linguagem mais urbana. "Os modelos coloridos aparecem em destaque também, mas pedem atenção redobrada na composição", pontua a dupla.
Cuidados para instalação
Mesmo uma boa escolha pode ser comprometida por uma instalação inadequada. Por isso, o cuidado nessa etapa é fundamental, tanto na cozinha quanto na área gourmet. "No caso de torneiras com água quente, misturadas ou com sistemas integrados, como filtragem ou acionamento automático, sempre recomendamos que a instalação seja feita por um profissional qualificado. Ele saberá avaliar corretamente a pressão da água, as conexões e as vedações necessárias", explicam as arquitetas da Dantas & Passos Arquitetura.
E ainda reforçam que a vedação merece atenção no processo, pois evita vazamentos que podem comprometer a marcenaria, os revestimentos e até gerar infiltrações em outros ambientes.
Novas tecnologias
Em 2026, a tecnologia aplicada às torneiras aparece como uma grande aliada das rotinas residenciais. As arquitetas destacam três tendências para este ano:
- Torneiras gourmet com bica móvel e flexível: esses modelos permitem direcionar o jato com facilidade, tornando simples a limpeza da cuba, a lavagem de panelas grandes e o uso na área gourmet;
- Com filtro embutido: cada vez mais comuns, elas dispensam filtros aparentes e otimizam o espaço da bancada;
- Acionamento inteligente: àquelas com sensores ou acionamento por toque ajudam a economizar água e deixam o uso mais confortável, especialmente quando as mãos estão sujas durante o preparo dos alimentos.
"São soluções que facilitam a rotina e tornam o morar mais prazeroso. Quando a casa funciona bem, a gente sente", finaliza Danielle Dantas e Paula Passos.
Por Emilie Guimarães