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Canetas emagrecedoras podem reduzir sede e comprometer rins

Além de afetar os rins, a falta de água no organismo pode interferir na circulação e no transporte de nutrientes.

15 jul 2026 - 20h29
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Resumo
O uso de canetas emagrecedoras pode reduzir a sede e, junto ao menor consumo de alimentos ricos em água, aumentar o risco de desidratação. O especialista Maurizio Pupo alerta que a falta de líquidos pode sobrecarregar os rins e prejudicar o organismo, destacando a importância do acompanhamento médico para evitar complicações. 💧

Especialista alerta para a necessidade de se hidratar durante o tratamento com canetas: sem sobrecarga dos rins

A redução da fome, com consequente perda de peso, é um dos principais efeitos das canetas emagrecedoras. Mas, além de reduzir o consumo de alimentos, muitos pacientes também acabam ingerindo menos água, o que impacta a hidratação e a saúde do organismo. "É um risco silencioso, porque muitos pacientes não percebem que estão bebendo menos água. E o organismo continua precisando de água para funcionar adequadamente", alerta o farmacêutico Maurizio Pupo, que é pesquisador, professor e diretor científico do IPUPO Pós-Graduações. Segundo ele, quando a ingestão de líquidos cai de forma expressiva, uma das consequências mais graves é a sobrecarga dos rins.

Beber água deve fazer parte da rotina de quem faz uso de canetas emagrecedoras para eliminar peso
Beber água deve fazer parte da rotina de quem faz uso de canetas emagrecedoras para eliminar peso
Foto: Magnific / Revista Malu

O especialista cita que os medicamentos utilizados nas canetas emagrecedoras - semaglutida, liraglutida e tirzepatida - levam à redução da sede, conhecida como adipsia. "Além disso, os efeitos gastrointestinais relatados durante o tratamento, como náuseas, vômitos e diarreia, podem contribuir para a perda de líquidos e menor ingestão de água", pontua.

Risco de desidratação

Ele acrescenta que essa queda na ingestão hídrica também é agravada pela própria redução do consumo de alimentos. "A hidratação não vem apenas da água pura. Alimentos ricos em água, principalmente frutas e vegetais, também contribuem indiretamente", explica. Desse modo, ao comer menos, o paciente acaba restringindo o consumo desses alimentos, o que, somado à menor sede, aumenta o risco de desidratação.

O grande problema é que, com a atenção na perda de peso, sinais de desidratação tendem a ser confundidos com efeitos esperados do próprio emagrecimento. Assim, não é incomum ignorá-los. "Boca seca, tontura, fraqueza, dor de cabeça, redução do volume urinário, urina muito escura, piora do cansaço e mal-estar persistente não devem ser subestimados", adverte o especialista.

Impacto nos rins

O farmacêutico explica que a falta de água pode afetar todo o organismo, interferindo na circulação, na temperatura corporal, no transporte de nutrientes e no equilíbrio de sais minerais. O impacto, entretanto, é especialmente preocupante nos rins. "Com pouca ingestão de líquidos, os rins ficam sob maior estresse. A filtração pode ser prejudicada, a urina tende a ficar mais concentrada, e substâncias que deveriam ser eliminadas podem se acumular no organismo", comenta. Em casos mais graves, esse quadro pode evoluir para lesão renal aguda.

Importância do acompanhamento

Por isso, o acompanhamento especializado durante o uso das canetas emagrecedoras é fundamental. "É importante monitorar a ingestão de líquidos, observar sinais de desidratação, avaliar a função renal quando necessário e garantir que o paciente esteja recebendo orientação nutricional adequada", detalha.

Ainda que a recomendação geral de consumo de água seja de dois a três litros por dia, Maurizio Pupo aconselha uma indicação individualizada, considerando peso, rotina, prática de atividade física e presença de doenças associadas. "A perda de peso precisa acontecer com acompanhamento, segurança e responsabilidade, e não às custas de desidratação, carências nutricionais ou sobrecarga dos órgãos", conclui.

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