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Canetas emagrecedoras: o que importa além da balança

Especialista explica por que composição corporal, nutrição e manutenção dos resultados também devem entrar na conta

13 set 2026 - 09h01
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Resumo
Com a obesidade em alta, o uso de medicamentos GLP-1 cresce, mas especialistas alertam que a perda de peso exige cuidados além da balança. O tratamento pode reduzir massa magra, demandando foco na preservação muscular por meio de exercícios e dieta rica em nutrientes. Além disso, estudos apontam risco de reganho rápido de peso após a interrupção das aplicações. Assim, as canetas devem ser vistas como ferramentas que dependem de mudanças duradouras no estilo de vida para manter a saúde a longo prazo.

Preservar músculos, garantir aporte nutricional adequado e sustentar os resultados passam a pesar tanto quanto a queda registrada na balança

A obesidade atingiu 25,7% dos adultos nas capitais brasileiras e no Distrito Federal em 2024, mais que o dobro dos 11,8% registrados em 2006, segundo o Vigitel 2006 a 2024, divulgado pelo Ministério da Saúde em julho de 2026. No mesmo mês, a Organização Mundial da Saúde reforçou a necessidade de uso seguro e acompanhamento adequado dos medicamentos GLP 1, que ganharam espaço no combate à doença e ampliaram o debate sobre o que deve ser observado além da perda de peso.

Foto: Revista Malu

Para Lucas Rezende, médico com atuação em nutrologia e medicina preventiva, à frente da ARC Health Place, clínica de São Paulo especializada em saúde metabólica, prevenção e emagrecimento, o avanço das canetas emagrecedoras exige uma leitura mais ampla dos resultados. "Não basta olhar quantos quilos o paciente perdeu. É preciso entender o que aconteceu com a composição corporal, com a alimentação e com os indicadores metabólicos ao longo desse processo", afirma.

A discussão ganhou um exemplo recente com Serena Williams. Em setembro de 2026, a antiga número um do tênis voltou a falar publicamente sobre alimentação e treinamento durante o uso de um medicamento GLP 1. A atleta relatou perda de cerca de 15 quilos e redução de 30% no colesterol. Ao detalhar a rotina, destacou refeições ricas em proteínas e nutrientes voltados à energia e à recuperação física. Para o especialista em saúde metabólica, o caso mostra por que a avaliação não deve se limitar à balança. "A medicação pode ser uma ferramenta importante no processo. Porém não torna a alimentação, exercício e acompanhamento da composição corporal dispensáveis, estes são a base", ressalta Rezende.

O músculo também entra na conta do emagrecimento

Uma revisão sistemática e metanálise publicada em junho de 2026 no International Journal of Obesity avaliou sete estudos clínicos randomizados, com 821 participantes, e encontrou redução média de 1,74 quilo de massa magra entre pacientes com obesidade tratados com agonistas de GLP 1. Apesar da queda absoluta, a proporção de tecido magro em relação ao peso total aumentou, indicando que a redução de gordura foi maior. Os pesquisadores reforçam a importância da alimentação e dos exercícios para preservar ou melhorar a musculatura durante o uso desses medicamentos.

Para o médico com atuação em nutrologia, observar somente o total de quilos eliminados pode esconder alterações relevantes. "A pergunta não deve ser apenas quanto o paciente emagreceu, mas o que aconteceu com gordura e músculo nesse percurso. Preservar o tecido muscular é importante para a capacidade funcional e para a saúde metabólica", explica.

A diminuição do apetite provocada pelas canetas também aumenta a importância da qualidade do que permanece no prato. Segundo a OMS, os medicamentos GLP 1 reduzem a ingestão alimentar ao prolongar a sensação de saciedade, mas o cuidado contra a obesidade deve incluir alimentação saudável e atividade física. "Quando a fome diminui, o volume consumido também pode cair. Isso exige atenção à oferta de proteínas, vitaminas e minerais e às necessidades individuais de cada paciente", aponta o especialista em medicina preventiva.

O maior desafio pode começar depois da perda de peso

A interrupção dos medicamentos acrescenta outra questão ao acompanhamento. Uma revisão sistemática e metanálise publicada pelo BMJ em 2026 encontrou reganho médio de 0,8 quilo por mês após a suspensão das terapias mais recentes à base de incretinas, grupo que inclui semaglutida e tirzepatida. A estimativa chegou a 9,9 quilos recuperados no primeiro ano, com projeção de retorno ao peso inicial em aproximadamente um ano e meio caso a tendência observada fosse mantida. Os autores alertam que essa projeção ultrapassa o período de acompanhamento disponível nos estudos.

Para Rezende, o resultado reforça a necessidade de pensar além do período de uso da medicação. "As canetas para emagrecer são uma ferramenta relevante, mas a estratégia não pode terminar na última aplicação. O objetivo é criar condições para sustentar os resultados, preservar a composição corporal e reduzir fatores de risco no longo prazo", conclui o médico.

Revista Malu Revista Malu
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