Câncer de testículo em jovens: urologista alerta para sinais que não devem ser ignorados
Segundo especialista, nódulos e outras alterações podem passar despercebidos ou ser confundidos com problemas menos graves
O câncer de testículo é o segundo tumor mais incidente no mundo entre homens de 20 a 39 anos, mas atinge até 95% de cura se tratado precocemente. O principal sinal de alerta é a presença de nódulo endurecido e indolor, além de sensação de peso ou dor local e abdominal. Frequentemente confundidos com traumas ou infecções, os sintomas exigem avaliação médica rápida. O tratamento primário costuma ser cirúrgico, podendo envolver quimioterapia e cuidados específicos com a fertilidade do paciente.
Ir ao urologista costuma estar associado aos cuidados que ganham maior importância com o avanço da idade. Entretanto, alguns problemas que esse especialista acompanha podem aparecer muito antes. O câncer de testículo é um deles e chama atenção justamente pela incidência entre homens jovens.
Neste 12 de setembro, Dia do Médico Urologista, o alerta ganha ainda mais relevância. Dados da Agência Internacional para Pesquisa do Câncer, ligada à Organização Mundial da Saúde (IARC/OMS), mostram que o câncer de testículo ocupou a segunda posição entre os tumores mais incidentes no mundo em homens de 20 a 39 anos em 2022. Foram 38.665 novos casos nessa faixa etária.
"Os dados chamam atenção, principalmente, porque estamos falando de uma doença que tem entre 90% e 95% de chances de cura quando diagnosticada e tratada precocemente", afirma o urologista e cirurgião oncológico Gustavo Cardoso Guimarães, diretor do Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR) e coordenador geral dos Departamentos Cirúrgicos Oncológicos da BP.
Quais são os sinais?
Diferentemente de muitos tumores cuja ocorrência aumenta com o envelhecimento, o câncer de testículo se destaca pela presença entre adultos jovens. Por isso, conhecer os sinais de alerta ajuda a identificar quando é necessário procurar uma avaliação médica.
De acordo com o especialista, um dos principais sinais é o aparecimento de um nódulo endurecido no testículo, que geralmente não provoca dor. Mudanças na consistência também merecem atenção. Outros sintomas incluem sensação de peso no escroto, desconforto local e dores na região abdominal ou na virilha.
Em alguns casos, também podem ocorrer dor lombar e alterações hormonais, como aumento das mamas. Entretanto, apresentar algum desses sinais não significa necessariamente ter câncer. A recomendação é procurar avaliação médica para investigar a causa da alteração.
Sintomas podem ser confundidos
Um dos desafios está no fato de algumas pessoas associarem inicialmente essas alterações a outras situações, como traumas ou infecções. Essa interpretação pode atrasar a procura por atendimento.
Quando existe suspeita, o médico pode solicitar avaliação clínica, exames de imagem e marcadores tumorais. A combinação desses recursos ajuda a compreender a alteração e definir os próximos passos.
Como é o tratamento?
As características de cada caso determinam a escolha do tratamento. A cirurgia para retirar o testículo afetado, chamada orquiectomia, costuma ser a primeira abordagem e também contribui para confirmar o diagnóstico. A partir dos resultados, o paciente pode precisar apenas de acompanhamento ou de outros tratamentos, como quimioterapia e radioterapia, dependendo do tipo e do estágio do tumor.
Além da cura, a qualidade de vida também faz parte dos cuidados. O tratamento pode afetar a fertilidade em determinadas situações, enquanto alterações na função sexual são menos frequentes. Por isso, o paciente também deve discutir essas questões com a equipe médica desde o início do acompanhamento.
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