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Câncer de cabeça e pescoço: os sinais que você não deve ignorar

No Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, médico reforça a importância de reconhecer sintomas que costumam passar despercebidos

27 jul 2026 - 12h34
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No Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, marcado nesta segunda-feira (27), especialistas reforçam um alerta importante: pequenas alterações que muitas pessoas costumam ignorar podem ser os primeiros sinais da doença. Feridas que não cicatrizam, rouquidão persistente e caroços no pescoço, por exemplo, merecem atenção, especialmente quando permanecem por mais de duas semanas.

No Dia de Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, médico reforça a importância de reconhecer sintomas que costumam passar despercebidos
No Dia de Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço, médico reforça a importância de reconhecer sintomas que costumam passar despercebidos
Foto: Konstantin Postumitenko/Prostock-studio / Bons Fluidos

A campanha do Julho Verde, promovida para ampliar o conhecimento sobre esses tumores, busca incentivar o diagnóstico precoce, principal aliado para aumentar as chances de cura. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), o maior desafio ainda é fazer com que a população reconheça os sinais antes que a doença alcance estágios avançados.

Sintomas discretos que pedem atenção

Embora o nome pareça indicar um problema único, o câncer de cabeça e pescoço reúne diferentes tipos de tumores que podem surgir na boca, garganta, laringe, glândulas salivares, cavidade nasal, seios da face e tireoide. Cada um apresenta características próprias, mas muitos compartilham sintomas semelhantes.

De acordo com o presidente da SBCO, Paulo Henrique Fernandes, um dos maiores obstáculos é a demora para procurar atendimento. "O grande desafio é que muitos sintomas iniciais parecem problemas simples e acabam sendo negligenciados. Quando o paciente chega ao especialista, frequentemente a doença já está em estágio avançado. Por isso, informação e conscientização continuam sendo fundamentais", explica o médico.

Quando é hora de procurar ajuda médica?

Nem toda mudança na boca ou na garganta indica tumor. Contudo, alguns sinais exigem investigação profissional caso persistam por mais de 14 dias. A recomendação, portanto, é ficar atento a alterações como:

  • Feridas na boca, semelhantes a aftas, que não cicatrizam;
  • Manchas brancas ou avermelhadas na mucosa;
  • Rouquidão prolongada;
  • Dificuldade ou dor ao engolir, inclusive na ingestão de alimentos sólidos ou líquidos;
  • Sensação constante de algo preso na garganta;
  • Caroços ou inchaço na região do pescoço.

A SBCO lembra que essas manifestações também surgem em condições benignas. Mesmo assim, a persistência dos sintomas exige consulta médica imediata.

Diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço

Além de ampliar as possibilidades de cura, identificar o tumor na fase inicial reduz o impacto do tratamento sobre a rotina do paciente. Diagnósticos tardios, por outro lado, costumam exigir intervenções mais complexas, afetando áreas responsáveis por fala, mastigação e respiração.

Estudos da entidade mostram que a maioria das pessoas ainda descobre a doença quando ela já atingiu órgãos vizinhos ou linfonodos do pescoço, o que torna a recuperação mais desafiadora. "Quanto mais cedo identificamos a doença, maiores tendem a ser as chances de cura e menores os impactos do tratamento sobre funções importantes como fala, mastigação e deglutição", aponta Fernandes.

Atenção aos fatores de risco

Especialista pede ainda que a população tenha conhecimento dos fatores do dia a dia responsáveis por aumentar o risco da doença. O tabagismo, por exemplo, continua entre os principais desencadeadores desses tumores, sobretudo quando combinado com o consumo frequente de álcool.

Além disso, os profissionais alertam para o crescimento dos casos de orofaringe, tumor maligno, associados ao HPV, principalmente em adultos jovens. A vacinação contra o vírus é uma das formas mais eficazes de proteção e está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de grupos prioritários.

"Quando falamos em vacina contra o HPV, estamos falando em prevenção direta contra o câncer. É um cuidado que gera proteção para toda a vida", reforça o presidente da SBCO.

Cuidado multiprofissional

Nos casos em que não é possível prevenir a doença, receber o diagnóstico não significa passar pelo processo sozinho. O tratamento moderno reúne uma equipe multidisciplinar formada por cirurgiões, oncologistas, radioterapeutas, dentistas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos. Juntos, esses profissionais atuam para combater o câncer e preservar funções essenciais do dia a dia, como a fala, a mastigação, a respiração e a ingestão de alimentos.

A definição do tratamento, contudo, depende do tipo de tumor, da localização e do estágio em que ele é identificado. Por isso, procurar atendimento ao perceber sintomas persistentes é fundamental para que a equipe médica possa indicar a estratégia mais adequada e reduzir os impactos da doença na qualidade de vida.

Bons Fluidos
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