Byung-Chul Han, filósofo: "Enquanto nos movermos no esquema de estímulo e reação, estaremos fadados unicamente a sobreviver"
O filósofo coreano passou anos dizendo o que muitos de nós sentimos: que a produtividade extrema está nos esvaziando. E a ciência lhe dá razão
Acordei às 6 da manhã e comecei a responder e-mails e a escrever. Fui à academia, preparei o almoço e depois continuei trabalhando. Fui às minhas aulas de escultura e, mais tarde, combinei de tomar algo com uma amiga. Enquanto jantava algo rápido, assisti a uma série sem parar de olhar vídeos no celular. Olho minha agenda de amanhã. Reviso o que farei e me planejo. Deito na cama e continuo vendo vídeos e, embora esteja exausta, há algo que me impede de parar. Deveria arrumar a cozinha. E tinha que ter colocado roupas na máquina de lavar. Uma voz na minha cabeça parece repetir que eu não deveria estar deitada, mas sim fazendo algo, que não fui produtiva suficiente.
Essa voz é o que o filósofo Byung-Chul Han chama de sociedade do desempenho. Em seu livro "A Sociedade do Cansaço", o filósofo reflete sobre como chegamos a um ponto em que o problema não é que vivamos em um sistema que nos explora, mas sim que você mesmo faz isso. Nós nos auto impomos ser produtivos e a autoexploração virou uma virtude.
A contemplação, por outro lado, parece um ato de fraqueza e, por isso, quando paramos, nos sentimos culpados. Como ele analisa em "Vida Contemplativa: Elogio da Inatividade", "estamos perdendo nossa capacidade de não fazer nada. Nossa existência está completamente absorvida pela atividade e, portanto, completamente explorada."
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