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Bons hábitos nem sempre blindam contra doenças: entenda

Fatores genéticos podem influenciar metabolismo, controle da glicose e peso corporal.

16 jul 2026 - 18h22
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Resumo
Mesmo com um estilo de vida saudável, fatores genéticos podem influenciar o desenvolvimento de doenças como colesterol alto, diabetes e obesidade. Especialistas destacam que a genética explica mecanismos biológicos que afetam o metabolismo e a saúde, reforçando a importância de avaliações genéticas em casos com histórico familiar ou condições incomuns. 🧬

Especialista em genética esclarece por que algumas pessoas desenvolvem doenças mesmo cultivando um estilo de vida saudável

Alimentação equilibrada, atividade física regular e acompanhamento médico são fundamentais para a prevenção de doenças cardiovasculares. Ainda assim, algumas pessoas desenvolvem colesterol alto, diabetes ou obesidade, mesmo seguindo todas as recomendações. Segundo especialistas, isso acontece porque nem sempre essas condições estão relacionadas apenas ao estilo de vida. Ou seja, em muitos casos, fatores genéticos podem influenciar o metabolismo, o controle da glicose, o peso corporal e os níveis de colesterol.

Uma rotina de treinos ajuda a preservar a saúde, mas é preciso considerar também a ação silenciosa dos genes
Uma rotina de treinos ajuda a preservar a saúde, mas é preciso considerar também a ação silenciosa dos genes
Foto: Magnific / Revista Malu

Essa visão foi reforçada recentemente pela nova diretriz sobre a Síndrome Cardiovascular-Renal-Metabólica (CKM), publicada pela American Heart Association (AHA) e pelo American College of Cardiology (ACC), organizações voltadas a pesquisas sobre cardiologia, ciência e saúde. O documento destaca que doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes e alterações renais compartilham mecanismos biológicos e fatores de risco comuns, exigindo uma abordagem mais integrada para prevenção e tratamento.

"Durante muito tempo, colesterol alto, obesidade e diabetes foram vistos principalmente como consequência dos hábitos de vida. Hoje, sabemos que pacientes com o mesmo diagnóstico podem ter causas completamente diferentes para a doença, incluindo fatores genéticos", explica Marcelo Bittencourt, cardiologista da Dasa Genômica, empresa de medicina diagnóstica.

Quando desconfiar da genética?

Histórico familiar de infarto precoce, colesterol elevado em diferentes gerações, diabetes diagnosticado ainda na juventude ou obesidade grave desde a infância são alguns sinais que merecem atenção. "Nesses casos, entender a origem da doença pode fazer diferença não apenas para o paciente, mas também para familiares que compartilham o mesmo risco", diz o médico. Ele explica que a genética ajuda a enxergar além dos sintomas e a compreender os mecanismos biológicos que disparam o desenvolvimento dessas condições.

Um dos exemplos mais conhecidos é a hipercolesterolemia familiar, condição hereditária associada a níveis muito elevados de colesterol LDL e maior risco cardiovascular. Estudos recentes mostram que a maioria das pessoas afetadas ainda não recebe diagnóstico adequado, apesar do risco aumentado de infarto e demais complicações cardiovasculares.

Obesidade e genes

A obesidade também pode ter uma forte influência genética, especialmente quando surge precocemente ou apresenta características incomuns. "Já existem testes que investigam variantes genéticas relacionadas ao controle da fome, da saciedade e do gasto energético", menciona o especialista.

Assim, em pacientes com obesidade grave de início precoce ou suspeita de síndromes associadas ao ganho de peso, essa análise pode ajudar a esclarecer a causa da doença, apoiando um acompanhamento mais individualizado, segundo ele.

Doenças hepáticas

Outra aplicação crescente da genética está na investigação de doenças hepáticas sem causa aparente. "Pacientes com alterações persistentes do fígado, episódios recorrentes de colestase ou histórico familiar de doença hepática podem se beneficiar de uma avaliação genética", cita o médico. Colestase é o nome que se dá a alterações do fluxo biliar. "Em muitos casos, conseguimos identificar condições hereditárias que explicam o quadro clínico e auxiliam no acompanhamento familiar", acrescenta.

A incorporação da genética à prática clínica tem ampliado a capacidade dos médicos de compreender a complexidade dessas doenças. "Quando combinamos informações genéticas com exames laboratoriais e dados clínicos, conseguimos uma avaliação mais ampla do risco individual", esclarece o especialista. Isso significa que os genes não determinam sozinhos o futuro de uma pessoa. "A genética não é uma sentença. Ela funciona como uma ferramenta para identificar riscos e permitir intervenções mais precoces", pondera.

Edição: Fernanda Villas Bôas

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