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Chanel transformou em ícones criações feitas para si mesma

28 out 2009 - 09h32
(atualizado às 15h51)
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Se Gabrielle Chanel, com apelido de Coco por causa da canção que entoava

O tailleur Chanel aparece em praticamente todos os desfiles da grife, desde 1983 desenhada por Karl Lagerfeld: aqui é para o inverno 2009, que acaba de chegar às vitrines europeias. <a href="
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O tailleur Chanel aparece em praticamente todos os desfiles da grife, desde 1983 desenhada por Karl Lagerfeld: aqui é para o inverno 2009, que acaba de chegar às vitrines europeias. Leia mais
Foto: Getty Images
Qui qu´a vu Coco

, é retratada no filme

Coco antes de Chanel

, como uma mulher até certo ponto frágil, dependente de seus "homens" e desprovida da chama que a tornaria a mais emblemática estilista do século XX, depois que se tornou Chanel para sempre, toda a aparente fragilidade se transformou em ícones que persistem até hoje. Ou seja, quase um século depois de abrir sua primeira e minúscula loja de chapéus, em 1910, na rua Cambon, ainda hoje quartel-general da marca. De lá para cá, todos os fundamentos de suas criações, inspiradas na enorme sintonia de praticidade, despojamento e simplicidade, foram se sucedendo e fincando raízes no imaginário fashion.

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O grande segredo da eterna Mademoiselle Chanel era criar para ela mesma. Tudo o que imaginou e produziu, de forma instintiva, mas sempre com rigor, era para proporcionar a si mesma o conforto necessário ao seu dia a dia.

Do austero hábito das freiras do orfanato onde passou parte da infância e da adolescência, às roupas masculinas "roubadas" do guarda-roupa de seus namorados-amantes, passando pelas pérolas, camélias, calças compridas, tailleur e bolsas com correntes, tudo ainda é atual e prático.

O filme, que estreia nesta sexta (30), assim meio raso e superficial, tem como vantagem tornar público um passado de Chanel que ela tentou manter em segredo até sua morte, em 1971, aos 87 anos, ainda em plena atividade. E mostra como a moça que queria trabalhar nos cafés-concerto, acabou limpando, cortando e jogando fora os exageros das Belle Époque. Começou pelos chapéus de palha (os canotiers, com simples laços e desprovidos de plumas e flores em abundância), passou pelas calças de montaria que vestia (as jodhpurs), pelas pantalonas e camisetas listradas dos marinheiros, pelo corte de cabelo na altura do queixo, chegando a outros ícones, como o vestido preto.

A obra dirigida por Anne Fontaine termina com Chanel em seu emblemático salão de espelhos e escada na rua Cambon, onde se tornaria a eterna Chanel. O mesmo salão que em 1954 receberia um leva de jornalistas para o retorno do mito, com mais de 70 anos, e 15 anos depois de ter fechado as portas de seu ateliê, por causa do início da guerra, em 1939. Ela voltou para libertar as mulheres da cintura apertada, imposta no pós-guerra pelo New Look Dior. Começava mais um reinado Chanel, dessa vez na América, que aceitou melhor seu tailleur do que suas compatriotas francesas. Abaixo, confira um pouco da história de algumas de suas criações que até hoje fazem parte do guarda-roupa universal das mulheres.

Pretinho básico... e eterno

Em 1926, a revista Vogue publicava um desenho do vestido preto de Chanel e sentenciava: o novo uniforme da mulher. O vestido foi comparado até aos modelos de carro Ford, fabricados em linha de produção. De lá para cá, nunca mais saiu de moda. Há versões de que Chanel incluiu o preto em seu vestuário pelo luto à morte de Arthur 'Boy' Capel, em 1924, em um acidente de carro. Dizem ter sido seu único verdadeiro amor e com quem ela sonhou em casar. Manteve-se "mademoiselle" para sempre. Mas as cores sóbrias já faziam parte do guarda-roupa de Chanel bem antes, desde os tempos de orfanato e permaneceram em suas vestes no período em que buscava um lugar na sociedade por meio de namorados ricos, como o militar da cavalaria Étienne Balsan, amigo de Capel.

Homem/Mulher

Se os desfiles atuais usam elementos masculinos nas criações femininas, Chanel foi a primeira a lançar mão dessa prerrogativa. E não para chocar, mas para se adaptar ao estilo de vida dinâmico que levava. Primeiro, se fantasiava nas festas promovidas pelo seu namorado-amante Étienne Balsan com as vestes masculinas, no castelo Royallieu, de propriedade de Étienne e onde ela morou por um período. Depois passou a adaptá-las para andar a cavalo, como a calça jodhpur, modelo fornecido por um cocheiro e reproduzido por um alfaiate. E não é que essas calças estão de volta às passarelas atuais? Também é dela a ideia de usar camisas como vestidos, os chamados chemisiers; vestir gravatas. Por fim, as pantalonas mais largas, inspiradas nos marinheiros, as camisetas listradas; os blazeres e cardigãs, os tecidos masculinos, como a lã tweed...

Livre, leve e solta

Os apelos de se livrar dos espartilhos já estavam no ar. O estilista Paul Poiret havia começado a criar peças para as mulheres se vestirem sem a ajuda das criadas, com silhueta mais fluida e um pouquinho mais curta. Mas em 1916, Chanel queria algo leve, para produzir vestidos soltos, com a cintura levemente marcada. Voilá! Apareceu o jérsei, até então restrito às roupas de baixo masculinas. Primeiro, fez para ela mesma, um casaco três quartos, sem enfeites. "Gabrielle quisera o que antes ninguém ousara com tamanha franqueza: que as mulheres se sentissem livres, em roupas soltas que não marcassem o busto e as curvas, mulheres que usassem uma saia radicalmente encurtada", disse Edmond Charles-Roux, no livro "A era Chanel", uma das principais referências do filme Coco antes de Chanel. E as mulheres então se viram irremediavelmente livres dos espartilhos. E com o tornozelo à mostra, algo até então inimaginável para os costumes da época.

Curtos, bem curtos

Não, não foi Chanel a primeira a usar os cabelos curtos, mas indubitalvemente foi por causa dela, de suas amigas e de artistas da época que o corte se transformou em moda. Hoje, o modelo Chanel é traduzido como aquele do tipo reto, pelo pescoço e pode ter renovações, como repicado. Mas Chanel simplesmente cortou seu cabelo acima na altura das orelhas e com a nuca levemente rebatida. Em 1917, já ostentava os fios curtinhos e batidinhos.

Duas peças para sempre

O tailleur começou a fazer parte da vida de Chanel cedo. Já no começo do século XX, há documentos que mostram Chanel com casacos e saias escuros e compridos. Vestia a peça também nas corridas a cavalo em que ia como companhia de Étienne Balsan. Ela levava o modelo ao limite da simplicidade.

Depois, incorporou para si mesma os modelos mais curtos em cores contrastantes e com debruns, feitos de tweed ou buclê, como na última cena de Coco antes de Chanel. O tweed passou a ser usado na veste por volta de 1928. A lã era tecida na Escócia exclusivamente para a Maison Chanel.

As duas peças mais icônicas da moda tornaram-se peças-chave nos anos 1950, quando Mademoiselle reabriu sua maison em 1954. Se os franceses não olharam com bons olhos o retorno da velha dama, com 70 anos, dizendo que ela não havia trazido nada de novo, as americanas tomaram posse de sua criação.

Um ano mais tarde, a despeito das críticas de sua primeira coleção pós-abertura, os tailleurs de Chanel tiveram apoio firme e forte das mulheres do outro lado do Atlântico. O conjuntinho mantêm-se até hoje na moda, com inovações, mas adentrou firme e forte os anos 1960, assim como as saias rodadas de Dior. Prova disso: as roupas usadas por Jackie Kennedy, inclusive no dia do assassinato de John Kennedy, em 22 de novembro de 1963. Mas atenção: Chanel nunca se rendeu às minissaias. Seus tailleurs nunca passaram do joelho, "parte do corpo feia demais para ficar exposta".

Pérolas

É dada a Chanel a prerrogativa de ter criado bijuterias. E tudo deve ter começado com as várias voltas de pérolas falsas usadas por elas à profusão. Par perfeito para iluminar os vestidos pretos. Em grande parte dos registros fotográficos de Chanel, ela está com as bijoux. Mais do que moda, um estilo, magnificamente divulgado pela sua criadora. Correntes douradas também faziam parte dos enfeites de Chanel.

Camélias

A flor, símbolo das prostitutas no século XIX e começo do XX, transformou-se em broche fino para enfeitar as peças de Chanel. Até hoje, a flor aparece nas coleções da grife, dando forma a joias e a maquiagens. Tornou-se um símbolo de elegância, principalmente após a reabertura da casa, em 1954. Sua admiração, conta-se, surgiu depois que ganhou em buquê de seu amor, Boy Capel. A simplicidade dos traços das camélias foi outro fator que chamou a atenção de Chanel.

Preto-e-banco

As duas cores começaram a fazer parte da vida de Chanel cedo. Em Coco antes de Chanel, isso é claro. E os tailleurs bicolores - também com cores contrastantes além do preto-e-branco - representam o estilo eterno de Chanel. Até hoje, por meio das criações de Karl Lagerfeld, à frente da Chanel desde 1983, as combinações de claro-escuro mantêm-se nas coleções.

A bolsa 2.55

Em fevereiro de 1955, Chanel mostra ao mundo bolsa 2.55 (referência à data de lançamento). Atribui-se a ela a seguinte frase: "Estava cansada de carregar minha bolsa na mão e perdê-la, então coloquei uma alça longa e passei a carregá-la no ombro". Mais uma vez, a necessidade criou um ícone: a primeira bolsa a tiracolo feminina da história usada por todas as mulheres. A 2.55 original vem com uma corrente dourada transpassada por couro. A bolsa passa por 180 etapas de produção, todas feitas à mão; leva 60 itens e usa couro de três carneiros para ser feita. Custa cerca de R$ 11 mil. Hoje há outras versões, cores e tamanhos, mas o matelassê, feito com uma técnica mantida em segredo, e os Cs cruzados aparecem em todas.

Pés bicolores

Chanel lançou oficialmente os calçados bicolores em meados dos anos 1950, com a intenção de diminuir o tamanho dos pés. A cor mais escura no bico dava esta impressão. Podiam ser abertos ou não atrás. Mas muitas décadas antes, lá pelos anos 1920 e 1930, Chanel já aparecia vestindo sapatos de duas cores, muito em voga na época..

O Nº 5

Número da sorte de Chanel, o cinco, trouxe também muito dinheiro à estilista. Seu perfume Chanel Nº 5, o primeiro que levava o nome do estilista, foi sucesso absoluto. Foi também, segundo o site da marca, a quinta essência apresentada pelo químico Ernest Beaux que, junto com Chanel, é o responsável pelas misturas. Possui 80 ingredientes, a maioria floral. O frasco do perfume é revolucionário, porque contrariou a corrente de embalagens rebuscadas vigente até então. Um cubo de vidro transparente apenas com as palavras: Nº 5, Chanel, Paris, Parfum. Nada mais simples. Dentro, o poderoso líquido amarelo. Ano de lançamento: 1921. Validade: eterna. .

Fonte: Especial para Terra
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