Carnaval vira alta-costura em exposição no Rio Fashion Week
O Rio Fashion Week não se leva de volta os desfiles para a Cidade Maravilhosa, mas também prova que o Carnaval carioca é um celeiro da alta-costura brasileira. É sob esse olhar que o evento de moda, realizado entre os dias 14 e 18, lança a exposição "A Alta-Costura do Carnaval", um mergulho no universo de Henrique Filho, nome por trás de alguns dos trajes mais icônicos das rainhas de bateria, musas das escolas e artistas, como Sabrina Sato, Adriane Galisteu, Anitta, Giovanna Lancelotti.
"Esta é a primeira grande exposição do meu trabalho. Minha trajetória começou há 50 anos, criando fantasias para amigos curtirem o Carnaval em São Paulo e no Rio de Janeiro. No Rio, meu primeiro desfile foi com a Portela, e minha primeira madrinha foi Luma de Oliveira. Depois disso, vieram experiências com rainhas de bateria, mestre-sala e porta-bandeira, além de uma década dedicada à comissão de frente da Beija-Flor", conta o estilista.
Com curadoria de Gringo Cardia, a mostra reúne 50 looks — entre figurinos e adereços de cabeça. A mostra ganha ainda 17 criações registradas em fotografias de grande formato (5 x 6 metros), assinadas por Priscila Prade. Tudo ocupa uma área de 750 m² no Píer Mauá, entre os dias 15 e 18 de abril.
A proposta vai além da exibição: reposiciona o olhar. Os barracões surgem como verdadeiros ateliês de alta-costura. "Henrique faz alta-costura, de fato. Ele veste há anos as grandes musas do Carnaval, é querido por todas, mas segue invisibilizado. Ainda existe a ideia de que o carnaval é apenas um evento, quando, na verdade, é cultura", afirma o curador.
Depois de mais de uma década sem uma semana de moda na cidade, a escolha do tema não é aleatória. "Trazer uma exposição de alta costura a partir do Carnaval, pelas mãos de um dos talentos mais brilhantes — e ainda pouco conhecido do grande público — é apresentar ao mundo o que há de mais luxuoso e autêntico na moda carioca e brasileira. É enxergar de perto a alta costura que compõe o nosso Carnaval", diz Daniela Maia, secretária municipal de Turismo do Rio.
Nesse contexto, os barracões se revelam como grandes escolas de belas-artes brasileiras, onde moda, escultura, pintura, música e performance se encontram. Uma produção coletiva, sofisticada, que toma as ruas por alguns dias, mas tem potência para ocupar museus e passarelas mundo afora.
Henrique explica que suas referências atravessam o próprio Carnaval, a moda internacional, a natureza e o cinema. "O processo de criação para madrinhas de bateria geralmente começa pelo material e evolui em diálogo com o estilo de cada uma. Tudo é artesanal, sempre buscando leveza e impacto visual. Já passei pela alta-costura, moda noiva e festa, mas foi no Carnaval que encontrei minha grande paixão."
E a exposição entrega também o que raramente se vê: o fazer. Durante os dias de evento, cerca de 15 bordadeiras do ateliê trabalham ao vivo, revelando a técnica, a precisão e o tempo envolvidos em cada peça. "A ideia é provocar espanto com encantamento", resume o curador.
Serviço: "A Alta Costura do Carnaval" acontece de 15 a 18 de abril, no espaço HUB do Rio Fashion Week, no Píer Mauá (Av. Rodrigues Alves, 10, Rio de Janeiro). Ingressos pelo site da Eventim. O evento é realizado pela IMM, com apresentação da Prefeitura do Rio e do Senac RJ.
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