Aos 55 anos, Patrícia França celebra retorno à Globo: 'Desafio muito grande'
De volta à Globo após cerca de 11 anos, atriz reflete sobre maturidade, etarismo, carreira e revela por que escolheu preservar a própria paz
Aos 55 anos e após 11 longe da Globo, Patrícia França retorna à emissora em Paraíso Perdido, novela do Globoplay baseada em Nelson Rodrigues. No papel da mãe da personagem de Larissa Bocchino, conquistado via teste, ela celebra a acolhida e o formato próximo ao cinema. Confortável com a maturidade, a atriz reflete sobre o etarismo no audiovisual, relativiza elogios à sua juventude e destaca sua realização pessoal solteira, focada na própria paz ao lado dos dois filhos.
Depois de cerca de 11 anos longe da Globo, Patrícia França está de volta à emissora onde iniciou sua trajetória na televisão ainda adolescente. Aos 55 anos, a atriz integra o elenco de Paraíso Perdido, nova novela do Globoplay, e vive um momento que mistura reencontro profissional, novos desafios e reflexões sobre maturidade.
Na produção, Patrícia interpretará a mãe da personagem de Larissa Bocchino. Seu último trabalho na Globo havia sido em Malhação: Sonhos. Desde então, passou um longo período afastada das novelas da emissora e fez poucos trabalhos na televisão.
O retorno, portanto, veio acompanhado de novidades. A atriz contou que encontrou mudanças na maneira de produzir televisão, mas que a receptividade da equipe tornou a adaptação mais tranquila. "Vi algumas diferenças e estou me adaptando, mas encontrei um ambiente muito acolhedor. Isso me chamou bastante atenção. Quando estamos no acolhimento, nos adaptamos facilmente às mudanças. O novo é sempre um lugar estranho, mas tem sido um processo muito feliz", contou em entrevista ao jornal O Globo.
Patrícia também destacou que trabalha com colegas com quem ainda não havia contracenado. Entre eles está justamente Larissa Bocchino, que viverá sua filha na trama e com quem percebeu até certa semelhança física. Outro aspecto que tem chamado sua atenção é o formato da produção para o streaming, que utiliza recursos que aproximam a experiência das filmagens do cinema.
Retorno desperta lembranças do início da carreira
Nascida em Recife, Patrícia já atuava antes de se mudar para o Rio de Janeiro. Foi aos 17 anos que chegou à Globo para protagonizar a minissérie Tereza Batista, inspirada na obra de Jorge Amado.
Décadas depois, a volta à emissora desperta lembranças daquele começo. Desta vez, porém, o desafio envolve o universo de Nelson Rodrigues. Paraíso Perdido é baseada em quatro obras do dramaturgo, cuja linguagem Patrícia ainda não havia explorado em sua carreira. "É um desafio muito grande. Curiosamente, está me remetendo a quando eu tinha 17 anos, que eu vim para fazer 'Teresa Batista'", afirmou.
Apesar da empolgação com o projeto, Patrícia procura não criar grandes expectativas sobre o que virá depois. A atriz prefere encarar a nova oportunidade a partir de outra perspectiva: "A expectativa é prima-irmã da frustração. Eu costumo não ter expectativa, eu tenho fé. A fé é prima-irmã da esperança".
Até mesmo o processo para conquistar a personagem foi diferente do que sua longa trajetória poderia sugerir. Patrícia fez um teste para o papel e encara esse tipo de seleção como uma maneira de descobrir se determinado personagem combina ou não com cada intérprete. "O teste é muito democrático, porque não é sobre se você consegue ou não consegue, é sobre se o personagem se adequa a você ou não, se ele te quer ou não", explicou.
Aos 55 anos, Patrícia França reflete sobre aparência e juventude
Além da volta às novelas, outro assunto acompanha Patrícia nas redes sociais: sua aparência. Aos 55 anos, ela recebe comentários frequentes de pessoas impressionadas com o quanto acreditam que a atriz continua parecida com a jovem que apareceu na televisão décadas atrás.
Embora admita ficar feliz com os elogios, Patrícia procura não fazer deles uma medida de seu próprio valor. "Nunca devemos nos deixar iludir, nem por elogio nem por crítica. Não vou mentir. Eu fico lisonjeada, sim. Eu me dou esse direito", declarou.
A atriz lembra, porém, que boa parte dessas comparações acontece por meio de fotografias. Mais importante do que ser reconhecida pela aparência, ela deseja que o público consiga enxergar aquilo que está além dela.
"E o que eu quero mesmo, o que eu pretendo, é fazer com que as pessoas me vejam além da minha aparência. E quanto mais o tempo passa, mais eu tenho essa certeza de que não dá para nos valermos da juventude. Nunca deu", refletiu.
Etarismo na televisão
A passagem do tempo também levou Patrícia a refletir sobre a presença de profissionais mais velhos no audiovisual. Para ela, o etarismo não é exatamente um fenômeno recente. O que mudou foi a existência de um nome e de uma discussão mais aberta para identificá-lo.
A atriz acredita ainda que existe uma relação afetiva entre o público e artistas que acompanharam diferentes fases da televisão brasileira. Rever esses rostos em novas histórias pode despertar uma sensação de continuidade e pertencimento. "O noveleiro raiz, ao meu ver, tem uma sensação de pertencimento quando vê a mesma atriz ou ator, hoje, que via no passado", avaliou.
Por isso, considera importante que novelas, filmes e séries abram espaço para diferentes gerações. "É muito importante que o audiovisual traga pessoas com mais de 50 anos para a tela."
'Eu escolhi ser feliz sozinha'
Fora das câmeras, Patrícia também parece viver uma fase de maior tranquilidade. Mãe de Fernanda, de 26 anos, e Gabriel, de 16, a atriz está solteira e não coloca um novo casamento entre seus planos.
Isso não significa que esteja fechada para um relacionamento. A diferença é que, hoje, qualquer pessoa que chegue precisa acrescentar à vida que ela já construiu - e não comprometer a paz que conquistou. "Eu entendi que a felicidade é uma escolha. A gente escolhe. Então, eu escolhi ser feliz sozinha e eu estou muito bem assim. Estou muito confortável", afirmou.
Atualmente, ela define a vida ao lado dos filhos como uma pequena família feliz e equilibrada. Se um novo amor surgir, Patrícia diz estar aberta, mas estabeleceu uma condição importante para essa nova etapa. "Eu preciso de alguém que esteja do meu lado para somar, não para dividir."
Aos 55 anos e diante de um novo capítulo profissional, Patrícia França parece menos preocupada em recuperar a jovem que chegou à Globo aos 17 e mais interessada em valorizar aquilo que construiu desde então. Seja na carreira ou na vida pessoal, a atriz coloca a maturidade, a esperança e, principalmente, a própria paz no centro de suas escolhas.
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