Antes da fama: entrevista de Wagner Moura na infância viraliza na web; veja
Vídeo raro da infância em Rodelas, no sertão da Bahia, volta a circular enquanto o ator vive um dos momentos mais celebrados de sua carreira no cinema internacional
Muito antes de cruzar tapetes vermelhos internacionais, Wagner Moura era apenas um menino que vivia no sertão baiano, brincando entre poças de lama e observando, sem entender totalmente, as transformações forçadas ao redor. No fim dos anos 1980, uma equipe de televisão chegou a Rodelas, município de cerca de sete mil habitantes que havia sido inundado por uma barragem do Rio São Francisco. A população precisou deixar o lugar onde havia construído sua história - e, entre tantas crianças, um garoto chamou atenção pela desenvoltura ao falar diante das câmeras.
Aquele menino tinha 11 anos e se chamava Wagner Moura. O carisma precoce, que hoje se tornou marca registrada de sua carreira, já aparecia ali, em meio à lama e à perda simbólica de um território. Décadas depois, o vídeo voltou a circular nas redes sociais e emocionou milhares de pessoas, justamente no momento em que o ator alcançava um novo patamar de reconhecimento internacional.
O que ele diz no vídeo?
A reportagem em questão mostrava a destruição do município de Rodelas, devido a uma barragem onde passaria uma hidrelétrica. Devido à situação, os moradores do local deveriam deixá-lo. O pequeno Wagner, que vivia na região, opinou sobre o ocorrido: "Tenho vontade de mudar, não, mas agora que já mudei, é legal. Melhor que aqui, mas nem tudo. Aqui é lugar que a gente brinca, tem as coisas tudo aqui. Lá é tudo estranho pra gente. A gente joga bola, brinca de se esconder", disse o garoto, referindo-se à cidade de Nova Rodelas, para onde se mudou.
Um começo improvável
Anos depois, o garoto chegou em Hollywood. Formado em Jornalismo, ele começou a vida profissional longe dos palcos e sets de filmagem. Em Salvador, trabalhou como repórter de celebridades no programa Michele Marie entrevista, exibido pela TV Bahia. O contato com artistas era diário - mas ainda como observador, não como protagonista.
A estreia no cinema veio em uma coprodução internacional lançada no Brasil como Sabor da Paixão, estrelada por Penélope Cruz. A experiência, no entanto, ficou marcada de forma negativa. "Detestei fazer. Vi como o ator secundário é tratado mal. Foi muito mal tratado", relembrou Wagner no extinto programa Tarja Preta, do Canal Brasil.
Pouco tempo depois, a sorte começou a mudar. Seu primeiro papel protagonista no cinema surgiu em Deus é Brasileiro, ao lado de Antonio Fagundes, após uma recusa de Selton Mello. O mesmo acaso se repetiria mais tarde na televisão, quando Wagner assumiu o papel do inesquecível "boy de catiguria" da personagem Bebel, vivida por Camila Pitanga, em Paraíso Tropical.
O passado que ecoa no presente
Nos últimos dias, o nome de Wagner Moura voltou a dominar as redes sociais após sua consagração como Melhor Ator no Festival de Cannes, em 2025, e Melhor Ator no Globo de Ouro, pelo filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho.
O registro, feito em 1987, voltou à tona. Anos depois, o próprio ator relembrou o episódio em entrevista ao podcast PodPah: "Quando eu tinha 10 anos, todo mundo teve que se mudar para a cidade Nova Rodelas. E as equipes de TV foram lá cobrir isso. Eu estava lá, todo sujo de lama, e chegou um repórter me perguntando 'o que você acha disso?'. E tem um vídeo na internet mostrando eu, com onze anos".
A fala atravessou o tempo. Hoje, ao ver onde aquele menino chegou, a história de Wagner Moura se transforma em algo maior do que uma trajetória de sucesso: vira símbolo de resistência, sensibilidade e da força de quem nunca perdeu o vínculo com suas origens - mesmo quando o mundo inteiro passou a olhar para ele.
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