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'Anitta' e 'Shakira': Presença de tartarugas ameaçadas na Baía de Guanabara reforça apelo por despoluição

Cientistas do Projeto Aruanã identificam, pela primeira vez, uma fêmea adulta de tartaruga-cabeçuda na região, levantando novas hipóteses sobre o uso do estuário por essa espécie em extinção

5 mai 2026 - 12h27
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A Baía de Guanabara tem sido palco de registros frequentes de tartarugas-cabeçudas, espécie que enfrenta ameaça de extinção global. Pesquisadores do Projeto Aruanã localizaram e marcaram dois exemplares próximos ao Píer de Piedade, em Magé. A grande surpresa do dia foi a identificação, inédita na região, de uma fêmea adulta, o que gerou novas perguntas sobre o comportamento desses animais na área.

Pesquisadores marcam tartarugas
Pesquisadores marcam tartarugas
Foto: cabeçudas em Magé e descobrem fêmea adulta de 108kg - Divulgação / Bons Fluidos

Batizada de Anitta, a fêmea adulta pesa 108kg e tem idade estimada em 25 anos. Ela foi encontrada junto a Shakira, uma tartaruga juvenil de 73,9kg, com idade entre 15 e 20 anos. O trabalho foi realizado em parceria com pescadores locais em um curral de pesca, onde um terceiro animal chegou a ser avistado, mas escapou antes da marcação.

Mistério sobre as tartarugas intriga cientistas

Embora as tartarugas-cabeçudas vivam prioritariamente em mar aberto, o aumento da frequência na Baía intriga os cientistas. Até agora, cinco animais foram identificados no local desde 2025. A hipótese inicial era a busca por camarões, alimento farto no estuário, mas a presença de uma fêmea adulta mudou a perspectiva.

Suzana Guimarães, bióloga marinha e coordenadora do projeto, explica ao portal O Globo a importância da descoberta: "As que a gente tinha marcado até agora eram todas juvenis, que são aquelas que estão na fase de procurar alimento mesmo. Agora, uma fêmea adulta deixou a gente com mais dúvidas. Uma hipótese é que elas se reproduziram e estão vindo para a baía para comer entre as temporadas reprodutíveis dela, o que traz uma importância ainda maior ao estuário (baía)".

Para a coordenadora, esse fenômeno também serve como um alerta ambiental: A gente tem uma grande poluição na Baía de Guanabara e, com isso, uma série de possíveis ameaças a esses animais que se alimentam lá. Mas, como ponto positivo, a presença frequente desses animais pode chamar a atenção do poder público para a despoluição do local".

Aliança pela conservação

A parceria com quem vive do mar tem sido o pilar do projeto desde 2022. Segundo Suzana, os pescadores foram os primeiros a notar o aumento das tartarugas na região em meados do ano passado. "Os pescadores, por mais que eles possam não ter o conhecimento sobre toda a ecologia das tartarugas marinhas, eles observam seus comportamentos e sabem reconhecer a diferença entre elas, porque estão no mar todos os dia. Então, essa relação com eles é muito importante para nós, além de ser um laço de confiança que se cria".

Uallace Santos, pescador há dez anos, foi o responsável pelo primeiro resgate em julho de 2025 e reforça o valor da iniciativa. Ao jornal O Globo, ele afirma: "Tem quase um ano que estou resgatando as tartarugas-cabeçudas que ficam presas no curral de pesca. No último sábado, vi o pessoal do projeto fazendo a marcação e participar dessa iniciativa tem sido algo muito importante e valioso, ainda mais quando falaram que elas (as cabeçudas) estão em extinção".

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