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Anemia pode ser detectada pelos olhos com nova tecnologia; entenda

Inteligência artificial analisa o fluxo sanguíneo na parte branca dos olhos e pode ajudar a identificar alterações nos níveis de hemoglobina sem coleta de sangue

14 ago 2026 - 13h10
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Uma tecnologia baseada em inteligência artificial pode abrir caminho para uma forma mais simples e menos invasiva de identificar a anemia. Em vez de depender exclusivamente da coleta de sangue, pesquisadores desenvolveram um sistema capaz de analisar o fluxo sanguíneo a partir de imagens da parte branca dos olhos.

Nova tecnologia usa inteligência artificial para analisar os olhos e detectar sinais de anemia de forma não invasiva
Nova tecnologia usa inteligência artificial para analisar os olhos e detectar sinais de anemia de forma não invasiva
Foto: Reprodução: fijaos88/Pexels / Bons Fluidos

A proposta é transformar registros feitos por câmeras comuns em informações que ajudem a avaliar componentes importantes do sangue, como a hemoglobina e os glóbulos vermelhos. Com isso, no futuro, a ferramenta poderia contribuir para tornar a investigação da anemia mais rápida e acessível.

O método foi estudado em uma colaboração entre o Hospital Bundang, da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul, e o Centro Médico Sheba, em Israel.

Como a inteligência artificial analisa os olhos?

A tecnologia recebeu o nome de VesselNet e funciona com modelos de aprendizagem profunda, um tipo de inteligência artificial treinado para reconhecer e interpretar padrões complexos.

Na prática, câmeras captam imagens da região branca dos olhos e o sistema as processa. A partir delas, a ferramenta consegue extrair informações relacionadas à circulação nos pequenos vasos sanguíneos.

Nos testes voltados à anemia, a tecnologia conseguiu estimar os níveis de hemoglobina e a quantidade de glóbulos vermelhos. Esses dados são importantes porque a hemoglobina, presente nas células vermelhas do sangue, é responsável pelo transporte de oxigênio pelo organismo e tem papel fundamental na investigação da condição.

Por que buscar uma alternativa ao exame de sangue?

Atualmente, a avaliação da anemia costuma envolver exames laboratoriais feitos a partir da coleta de sangue venoso. Embora seja um procedimento amplamente utilizado na medicina, ele exige uma punção com agulha, estrutura adequada para coleta e análise do material e profissionais capacitados.

Além do desconforto que pode provocar em algumas pessoas, o processo demanda tempo e gera materiais descartáveis e resíduos biomédicos. É justamente nesse ponto que tecnologias não invasivas podem representar um avanço. Se forem comprovadamente seguras e precisas, elas podem facilitar avaliações em situações nas quais o acesso a exames laboratoriais é mais limitado.

Por que observar os olhos e não a pele?

Outras estratégias estimam a hemoglobina sem a necessidade de retirar sangue. Há, por exemplo, sensores colocados nos dedos que utilizam diferentes comprimentos de onda da luz para realizar medições.

O problema é que algumas dessas tecnologias podem sofrer interferências provocadas pelo movimento e por características individuais, prejudicando a precisão dos resultados.

A análise feita pela pele também apresenta desafios. A quantidade e a distribuição de melanina variam entre as pessoas e podem interferir na maneira como a luz atravessa os tecidos, dificultando a obtenção de determinadas informações sobre o sangue.

Por isso, os pesquisadores investigaram a região branca dos olhos como uma alternativa. Nos estudos realizados, a análise desse local apresentou maior consistência do que a medição feita através da pele.

Apesar dos resultados promissores, novas tecnologias para diagnóstico precisam passar por estudos e validações antes de serem incorporadas à prática clínica. Portanto, o método não substitui, neste momento, a avaliação médica e os exames laboratoriais indicados para diagnosticar anemia.

Afinal, o que é anemia?

Anemia não corresponde a uma única doença. De maneira geral, a condição está relacionada a alterações que comprometem a quantidade de glóbulos vermelhos ou de hemoglobina disponível no organismo, podendo prejudicar o transporte adequado de oxigênio.

Existem diferentes tipos e causas, e o tratamento depende justamente da origem do problema - como deficiência de ferro ou falciforme (condição genética que modifica a hemoglobina e pode fazer com que parte das hemácias adquira um formato semelhante ao de uma foice, em vez de manter sua aparência arredondada habitual.

Bons Fluidos
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