Três tendências da Copenhagen Fashion Week que podem dominar o futuro
Copenhagen Fashion Week SS27 revela três sinais que estão transformando como as tendências de moda são construídas. Descubra o que a especialista Symone Rech identificou nas passarelas dinamarquesas.
Symone Rech, especialista em moda, analisou desfiles da Copenhagen Fashion Week SS27 e identificou três tendências emergentes: uso de elementos inesperados no styling, looks inteiramente brancos que destacam qualidade e modelagem, e identidades visuais menos vinculadas a estéticas específicas. Esses movimentos podem moldar o futuro da moda global. 👗✨
Antes de uma tendência ganhar as vitrines e dominar o seu feed, ela costuma surgir como um pequeno padrão que se repete entre diferentes coleções. Foi exatamente esse processo que chamou a atenção de Symone Rech, especialista em negócios de moda e fundadora da plataforma de pesquisa New & Now, durante a Copenhagen Fashion Week SS27.
Embora ainda seja cedo para apontar tendências consolidadas, a especialista identificou três movimentos recorrentes nos desfiles que merecem sua atenção: o uso de elementos inesperados no styling, a presença de looks totalmente brancos e a construção de identidades menos dependentes das estéticas nomeadas que dominaram o mercado nos últimos anos.
"Quando uma mesma lógica começa a aparecer em diferentes coleções, ela deixa de ser coincidência e passa a ser um sinal", afirma Symone.
Styling "inesperado" em Copenhagen
Um desses sinais está relacionado à chamada Wrong Shoe Theory, conceito que ganhou espaço nos últimos meses ao propor a inclusão de um sapato inesperado para alterar a leitura de um look. Em Copenhagen, segundo a especialista, essa lógica parece ter ultrapassado o calçado e alcançado a composição como um todo.
Fotos: Reprodução/Pinterest.
Em diferentes apresentações, peças e acessórios foram combinados para criar pequenos deslocamentos visuais. São escolhas que quebram a expectativa e prolongam a atenção sobre a produção, sem necessariamente recorrer ao exagero.
"O que chamou nossa atenção não foi um produto específico, mas uma lógica que começou a se repetir. O styling parece buscar uma escolha inesperada, que faz o olhar permanecer alguns segundos a mais no look", analisa Symone.
O movimento amplia a importância do styling no desenvolvimento das coleções. Além das cores, materiais e modelagens, a forma como esses elementos são articulados passa a ocupar um papel central na construção da identidade de uma marca.
Na prática, isso significa que as marcas estão investindo mais tempo em pensar como as peças serão usadas juntas, criando narrativas visuais que vão além do produto isolado.
O poder do branco em Copenhagen
Outro ponto recorrente foi a presença de produções inteiramente brancas. Para Symone, a escolha não deve ser interpretada apenas como uma tendência de cor. Ao reduzir a quantidade de informação visual, o branco direciona o olhar para aspectos como modelagem, textura, acabamento, qualidade da matéria-prima e construção das peças.
Fotos: Reprodução/Pinterest.
A aposta em composições mais limpas também pode indicar uma reação ao excesso de estímulos que marcou parte das tendências recentes. Em vez de estampas, contrastes intensos e sobreposição de referências, algumas marcas parecem valorizar o próprio produto como principal elemento visual.
Essa mudança reflete um desejo por autenticidade e transparência. Quando você tira o excesso, o que sobra precisa ser realmente bom — e é aí que entra o investimento em qualidade.
Identidades próprias substituem estéticas em Copenhagen
Um terceiro sinal está no enfraquecimento das estéticas facilmente identificáveis. Nos últimos anos, termos como clean girl, quiet luxury, gorpcore, balletcore e mob wife aesthetic ajudaram a organizar o consumo em torno de universos visuais definidos.
Nas passarelas de Copenhagen, porém, Symone percebeu looks menos comprometidos com a reprodução de uma única estética. As coleções parecem combinar referências distintas para construir linguagens próprias.
"Os looks se afastam da representação de uma estética específica e passam a construir uma identidade própria", diz a especialista.
A mudança torna a pesquisa de moda mais complexa. Não basta identificar quais cores, tecidos ou silhuetas poderão ganhar espaço. É necessário entender como essas referências serão combinadas e adaptadas ao posicionamento, ao público e à realidade comercial de cada marca.
O que esperar das próximas semanas de moda
Com mais de 30 anos de experiência no setor, Symone acompanha semanas de moda e feiras internacionais para traduzir movimentos globais para a indústria e o varejo brasileiros. Sua análise parte da observação de padrões que ainda não receberam um nome, mas começam a se repetir entre diferentes marcas.
Segundo ela, as próximas semanas de moda poderão confirmar ou enfraquecer os sinais vistos em Copenhagen. Ainda assim, acompanhar esses movimentos desde o início ajuda empresas e profissionais a compreender não apenas quais produtos podem ganhar espaço, mas também como as formas de criar e apresentar uma coleção estão mudando.
"Tendências raramente surgem prontas. Elas começam como pequenos padrões, uma escolha que aparece em uma marca e volta a surgir em outra. Antes de existir uma tendência consolidada, existe uma sequência de sinais", conclui Symone.
A lição é: fique de olho nos detalhes. Às vezes, a próxima grande tendência está escondida em uma escolha aparentemente simples — como um sapato inesperado ou um look todo branco que chama atenção pelo que não tem, em vez do que tem.
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