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6 sinais de esclerose múltipla que podem passar despercebidos

No Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, celebrado em 30 de agosto, conheça sintomas da doença que podem ser confundidos com problemas comuns

29 ago 2026 - 19h11
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Resumo
A esclerose múltipla é uma doença autoimune crônica do sistema nervoso central que atinge cerca de 40 mil brasileiros, principalmente mulheres jovens. Destacada no Agosto Laranja, a conscientização alerta para sinais recorrentes como formigamento, fadiga intensa, alterações visuais, fraqueza e desequilíbrio. Sem cura, o diagnóstico precoce com neurologista viabiliza tratamentos que retardam a progressão da enfermidade e preservam a autonomia e a qualidade de vida do paciente.

Um formigamento que aparece sem motivo, uma alteração inesperada na visão ou um cansaço intenso mesmo depois de descansar. São sintomas relativamente comuns e que, na maioria das vezes, podem ter inúmeras explicações. Quando persistem, aparecem repetidamente ou se manifestam em diferentes partes do corpo, porém, merecem investigação. Esses também estão entre os possíveis sinais da esclerose múltipla (EM), doença neurológica crônica que costuma se manifestar principalmente em adultos jovens. 

Formigamento, alterações na visão e fadiga podem ser sinais de esclerose múltipla; saiba os sintomas e quando buscar ajuda
Formigamento, alterações na visão e fadiga podem ser sinais de esclerose múltipla; saiba os sintomas e quando buscar ajuda
Foto: Reprodução: Canva/Africa images / Bons Fluidos

Agosto é marcado pelo Agosto Laranja, campanha dedicada à conscientização sobre a condição, e o dia 30 de agosto celebra o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla. A data chama atenção principalmente para a importância da informação. Isso porque os sintomas da doença podem variar bastante de uma pessoa para outra e, em alguns casos, ser confundidos com manifestações de outros problemas de saúde.

Segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM), estima-se que cerca de 40 mil brasileiros convivam com a doença atualmente.

O que é a esclerose múltipla?

A esclerose múltipla é uma doença autoimune que compromete o sistema nervoso central, formado pelo cérebro, pela medula espinhal e pelos nervos ópticos.

Nela, o sistema imunológico passa a atacar a mielina, camada que envolve e protege as fibras nervosas. Uma maneira simples de compreender sua função é imaginar a proteção existente ao redor de um fio elétrico: quando esse revestimento sofre danos, a transmissão do sinal pode ser prejudicada.

Algo semelhante acontece com os impulsos nervosos. Dependendo da região atingida, a comunicação entre o cérebro e outras partes do organismo pode ficar comprometida, o que ajuda a explicar por que a esclerose múltipla pode provocar manifestações tão diferentes.

As causas exatas da doença ainda não são totalmente conhecidas. Fatores genéticos e ambientais são investigados por sua possível participação no desenvolvimento da condição. De acordo com informações do neurologista João Marcos Campos Ferreira para o g1, a doença é aproximadamente três vezes mais frequente em mulheres e costuma surgir entre os 20 e os 40 anos.

6 sinais de esclerose múltipla que merecem atenção

Não existe um sintoma isolado que seja suficiente para determinar que alguém tem esclerose múltipla. Além disso, apresentar uma das manifestações abaixo não significa necessariamente ter a doença. O alerta é maior quando os sintomas persistem, voltam em diferentes momentos ou aparecem sem uma causa evidente. Entre os sinais que podem ocorrer estão:

1. Formigamento ou dormência

Sensações de formigamento ou perda de sensibilidade podem aparecer em diferentes regiões do corpo. Quando são persistentes ou recorrentes e não existe uma explicação clara, vale conversar com um médico.

2. Alterações na visão

Visão embaçada ou dupla, dor ao movimentar os olhos e até perda parcial da visão estão entre as possíveis manifestações neurológicas da doença. Algumas alterações podem surgir de maneira repentina.

3. Fadiga intensa

Não se trata apenas daquele cansaço esperado depois de um dia cheio. Algumas pessoas apresentam uma fadiga intensa e desproporcional às atividades realizadas, capaz inclusive de interferir na rotina.

4. Fraqueza muscular

Perda de força ou dificuldade para realizar movimentos que anteriormente eram simples também podem aparecer. Em alguns casos, a pessoa percebe mudanças na maneira de caminhar.

5. Problemas de equilíbrio e coordenação

Desequilíbrio, tontura e alterações na coordenação motora podem estar relacionados ao comprometimento das regiões responsáveis pelo controle dos movimentos.

6. Mudanças cognitivas

A doença também pode provocar alterações relacionadas à memória, atenção e concentração. Assim como ocorre com os demais sintomas, essas dificuldades possuem diversas outras causas e precisam de avaliação dentro de todo o quadro clínico.

Por que o diagnóstico precoce é tão importante?

Um dos desafios da esclerose múltipla é justamente a variedade de manifestações. Os sintomas podem aparecer, desaparecer e voltar posteriormente, o que pode fazer com que algumas pessoas demorem a procurar atendimento. O diagnóstico não depende de um único exame. O neurologista considera o histórico e os sintomas do paciente e pode solicitar exames complementares.

A ressonância magnética tem papel importante porque permite identificar lesões relacionadas à doença no sistema nervoso central. Dependendo do caso, também podem ser solicitados exames de sangue, análise do líquor por meio de punção lombar e outros testes neurológicos.

Identificar a condição precocemente permite iniciar o acompanhamento e, quando indicado, o tratamento em uma fase mais inicial. Afinal, isso pode contribuir para preservar funções e autonomia ao longo do tempo.

Esclerose múltipla tem tratamento?

Embora ainda não exista cura para a esclerose múltipla, as possibilidades terapêuticas avançaram significativamente ao longo dos anos. Atualmente, existem medicamentos capazes de modificar a atividade da doença, reduzindo a frequência de surtos e buscando retardar sua progressão. A escolha depende de diversos fatores e deve ser individualizada pelo neurologista.

O tratamento também pode incluir estratégias direcionadas aos sintomas apresentados por cada paciente, como fisioterapia e outras formas de reabilitação, além de medicamentos específicos quando necessários. Com acompanhamento adequado, muitas pessoas com esclerose múltipla conseguem manter autonomia e continuar realizando atividades cotidianas, profissionais e familiares.

Quando procurar um médico?

Ter um episódio isolado de cansaço, formigamento ou visão embaçada não significa estar diante de uma doença neurológica. Esses sintomas são inespecíficos e podem surgir por inúmeras razões. A atenção deve aumentar quando uma manifestação persiste, volta repetidamente, surge sem uma causa aparente ou vem acompanhada de outros sintomas neurológicos.

Nesses casos, procurar atendimento médico é importante para entender o que está acontecendo. O neurologista é o especialista responsável por investigar uma possível esclerose múltipla e diferenciar a doença de outras condições que podem provocar manifestações semelhantes.

Neste Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, celebrado em 30 de agosto, a informação também funciona como uma forma de cuidado: reconhecer mudanças persistentes no próprio corpo não é motivo para tirar conclusões precipitadas, mas pode ser o primeiro passo para procurar ajuda e chegar mais cedo ao diagnóstico correto.

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