194 anos: O segredo de Jonathan, o animal terrestre mais velho do mundo
Cientistas desvendaram o segredo da longevidade de Jonathan, tartaruga-gigante de 194 anos e animal terrestre mais velho do mundo. Estudos genéticos revelaram que ele não apresenta deterioração celular, possuindo 287 variantes únicas que controlam o envelhecimento, suprimem o câncer e reparam o DNA. Seus mecanismos de regulação genética permaneceram estáveis como os de animais jovens, oferecendo um modelo biológico de resiliência que pode inspirar futuros tratamentos humanos antienvelhecimento.
Cientistas descobriram o que torna o animal terrestre mais velho do mundo tão resistente à passagem do tempo. Contemporâneo de Darwin, bicho sobreviveu a duas guerras mundiais e grandes pandemias.Ele foi contemporâneo de Charles Darwin (1809-1882), pai da teoria da evolução, e sobreviveu a duas guerras mundiais e grandes pandemias, da gripe espanhola à covid-19.
Jonathan, o animal terrestre mais longevo do mundo, tem 194 anos de idade. Uma análise de sua genética privilegiada revelou o segredo de sua eterna juventude.
Este exemplar de tartaruga-gigante foi levado das Ilhas Seychelles para a ilha de Santa Helena (um território britânico ultramarino situado a 1.860 quilômetros da costa de Angola) em 1882, como um presente para Sir William Grey Wilson, que, pouco depois de recebê-lo, foi nomeado governador da ilha.
A tartaruga já tinha 50 anos quando se instalou nos jardins da residência do governador de Santa Helena, e lá permanece há 144 anos.
Embora pertença a uma espécie muito longeva - a das tartarugas-gigantes-das-Seychelles (Aldabrachelys gigantea hololissa), que podem viver cerca de cem anos -, Jonathan quebrou todos os recordes de longevidade, o que levou uma equipe internacional de cientistas vinculados a centros dos Estados Unidos, Reino Unido, Dinamarca e Alemanha a investigar o motivo.
Análise de uma longevidade extraordinária
Os pesquisadores coletaram material genético de Jonathan por meio de raspagens na bochecha e de um exame de sangue com coleta pela boca, no qual o animal foi atraído com comida de um modo que o levou a abrir bastante suas mandíbulas.
Da mesma forma, os cientistas obtiveram material genético de outras quatro tartarugas-das-Seychelles - jovens e mais velhas - para fins de comparação. Um artigo científico publicado nesta quarta-feira (07/10) na revista científica Science Advances descreve as descobertas resultantes do estudo de seu genoma e metiloma, bem como da comparação com os de outros exemplares de sua espécie.
O sequenciamento de seu genoma revelou que a tartaruga não apenas possui bons genes, como a maioria de sua espécie, mas também não apresenta sinais de deterioração genética. E é aí que reside a chave de sua extraordinária longevidade.
Os cientistas identificaram 287 variantes genéticas únicas que reduzem os efeitos habituais do envelhecimento.
Essas variantes controlam processos fundamentais do organismo que impedem o envelhecimento celular, como o reparo de danos no DNA, a redução da inflamação, a regulação da insulina e a supressão do câncer.
O segredo está no metiloma
Em termos mais técnicos, os cientistas estudaram o metiloma completo de Jonathan, ou seja, o conjunto de "marcas" químicas em seu DNA que regula quais genes são ativados ou desativados nas células ou, dito de outra forma, as instruções precisas que orientam o desenvolvimento e o funcionamento do corpo da tartaruga.
A entropia da metilação do DNA analisa a heterogeneidade ou o "ruído" que pode existir nessas marcas químicas (grupos metil) em uma população de células.
No caso da tartaruga mais longeva do mundo, observou-se que esse "ruído" é mínimo nos genes relacionados à função mitocondrial, ao processamento de RNA e ao reparo do genoma.
Ao que tudo indica, a tartaruga possui o que se chama de "transcrição genética de alta fidelidade", o que lhe confere uma resistência única ao envelhecimento. Os pesquisadores compararam o metiloma de Jonathan com o de tartarugas-gigantes mais jovens da mesma espécie e observaram que os interruptores que controlam os genes de reparo do DNA e do metabolismo de Jonathan são muito semelhantes aos de seus parentes mais jovens.
"Em Jonathan, os reguladores genéticos envolvidos na produção de energia e no reparo do DNA permaneceram incrivelmente estáveis durante quase dois séculos, o que é notável, pois geralmente eles se deterioram com o tempo", aponta um dos autores, Justin Gerlach, pesquisador de ecologia de tartarugas-gigantes na Universidade de Cambridge, no Reino Unido.
"O genoma de Jonathan nos oferece um modelo de resiliência celular. Agora, nosso objetivo é aproveitar esses conhecimentos evolutivos e traduzi-los imediatamente em tratamentos práticos e acessíveis para as pessoas comuns", destaca outro autor, Stephen Clark, diretor da Fundação Kallel, que estuda os processos de envelhecimento.
rc/ra (DW)
---------
Não deixe que o algoritmo esconda as notícias. Se você valoriza o trabalho da nossa equipe para uma cobertura jornalística confiável, reserve um momento para nos selecionar como sua fonte preferida no Google clicando aqui. Marque o link da DW quando ele aparecer na lista para sempre ver nossas notícias verificadas primeiro.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.