Por que alguns cientistas estão chamando o próximo El Niño de 'Godzilla'?
Termo popularizou-se para descrever eventos extremos, mas meteorologistas alertam que expressão não é científica
O aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial indica a formação de um novo El Niño para os anos de 2026 e 2027. Com a possibilidade de o fenômeno atingir grande intensidade, o termo "El Niño Godzilla" voltou a circular na internet e na mídia. No entanto, especialistas esclarecem que o apelido tem mais apelo midiático do que base científica.
O que significa o termo 'Godzilla'?
O El Niño é um fenômeno climático natural que altera os padrões de chuva e temperatura globais. Quando o aquecimento das águas superficiais do Pacífico ultrapassa 2°C em relação à média histórica, o evento passa a ser classificado como um "Super El Niño".
Foi durante um desses episódios excepcionais, registrado entre 2015 e 2016, que o apelido "Godzilla" ganhou força para descrever a intensidade e os impactos severos provocados em diversas partes do planeta.
O que diz a ciência
Apesar da popularidade, o termo não faz parte da nomenclatura oficial de centros climáticos como a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), principal referência mundial no monitoramento do fenômeno.
"O termo surgiu muito mais para chamar atenção", explica a meteorologista Desirée Brandt. Segundo ela, a ciência trabalha com categorias que vão de El Niño fraco até muito forte.
A cientista atmosférica Kimberley Reid, da Universidade de Melbourne, classifica o uso do termo como "um absurdo". Segundo a pesquisadora, a expressão pode ser muito alarmante para pessoas que dependem do clima, como agricultores, gerando o temor infundado de secas devastadoras antes mesmo da confirmação da intensidade do evento.
Qual a previsão para 2026 e 2027?
De acordo com relatórios recentes da NOAA, existe cerca de 96% de probabilidade de o evento permanecer ativo até o início de 2027. O aquecimento deve começar de forma fraca a moderada, com possibilidade de fortalecimento no segundo semestre.
Embora a agência espacial americana (Nasa) e outros especialistas alertem para o risco de mudanças climáticas severas, ainda não há confirmação de que o próximo El Niño atingirá o nível de um superevento. O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos apontou recentemente que a possibilidade de um evento "muito forte" é de cerca de 25%.
Impactos esperados no Brasil
Caso o fenômeno se consolide com força, o Brasil enfrentará extremos climáticos, potencializados pelo aquecimento global. Historicamente, os efeitos variam por região:
- Sul: Aumento na frequência e intensidade das chuvas, elevando o risco de enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra.
- Norte e Nordeste: Redução das precipitações, favorecendo períodos de seca prolongada, o que pode afetar rios, reservatórios e intensificar queimadas.
- Sudeste e Centro-Oeste: Tendência de aumento do calor e ocorrência de veranicos (períodos de estiagem e calor intenso em plena estação chuvosa), afetando culturas agrícolas.
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