Ondas de calor marinhas 'escondem' meses de aquecimento adicional nos oceanos
Pesquisa indica que períodos prolongados de água quente antes e depois de picos térmicos ampliam a exposição cumulativa de ecossistemas costeiros
Ondas de calor marinhas prolongadas, incluindo períodos antes e após os picos térmicos, ampliam significativamente o impacto sobre ecossistemas costeiros, aumentando os estressores ambientais e a exposição acumulativa em até 150%, revela estudo.
Cientistas descobriram que as ondas de calor marinhas são apenas a ponta do iceberg de um problema térmico muito maior. Ao ignorar o aquecimento que ocorre antes e depois desses eventos, as avaliações convencionais subestimam em mais de 150% o estresse real enfrentado pelos ecossistemas costeiros.
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A investigação foi conduzida por pesquisadores do Instituto de Ciências Marinhas da Virgínia (VIMS) e da Batten School of Coastal & Marine Sciences, com publicação na revista Communications Earth & Environment.
O estudo analisou séries temporais de duas décadas em estuários a partir de registros do Sistema de Reservas Nacionais de Pesquisa Estuarina da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).
Como o aquecimento prolongado se divide?
Os pesquisadores classificaram os episódios térmicos em dois grupos distintos: eventos individuais e eventos compostos. Cerca de dois terços das ocorrências observadas foram de padrão individual, estendendo-se por aproximadamente 60 dias de temperaturas anormais além do pico da onda de calor.
O terço restante envolveu eventos compostos, caracterizados por períodos de aquecimento contínuo de cerca de 90 dias antes e após o ápice térmico. Esse tipo gerou mais de três vezes a exposição cumulativa calculada para o pico isolado.
"Não podemos mais olhar para as ondas de calor marinhas isoladamente ao avaliar o impacto de eventos de aquecimento em ecossistemas costeiros e oceânicos", afirmou Piero Mazzini, professor assistente da VIMS.
O especialista ressaltou que testes laboratoriais curtos frequentemente falham em reproduzir a duração térmica enfrentada pelos organismos na natureza.
Quais são as consequências para os ecossistemas?
A persistência de temperaturas elevadas intensifica outros estressores ambientais severos, como a queda nos níveis de oxigênio dissolvido na água e o surgimento de florações de algas nocivas. Esse conjunto de fatores eleva o risco de degradação em bancos de ervas marinhas e recifes de coral.
Nardi comparou o processo aos efeitos da radiação solar no corpo humano, em que o tempo de exposição é tão determinante para os danos biológicos quanto a intensidade do calor.
O grupo de pesquisa também associou a dinâmica de calor vertical e as oscilações marinhas na Costa Leste a padrões climáticos globais de grande escala, como o El Niño e a Oscilação Decadal do Pacífico.
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