Nova embalagem de papelão promete triplicar a vida útil dos morangos; veja como funciona
Pesquisadores brasileiros e franceses desenvolveram tecnologia biodegradável à base de orégano, que reduz o desperdício alimentar
Pesquisadores da Embrapa, universidades brasileiras e a francesa Grenoble Alpes criaram uma embalagem de papelão ondulado que triplica a vida útil dos morangos de três para nove dias sob refrigeração. A tecnologia usa carvacrol, substância do orégano que combate fungos e preserva a fruta. Biodegradável e reciclável, a inovação substitui o plástico, reduz o desperdício de alimentos e atende a rígidas normas internacionais, aumentando a competitividade de produtores no mercado externo.
Muito antes de chegar à mesa do consumidor final, o morango enfrenta gargalos logísticos devido à sua alta sensibilidade e rápida deterioração pós-colheita. Então, para conter as perdas no agronegócio, cientistas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com universidades brasileiras e a Universidade Grenoble Alpes, na França, desenvolveram uma embalagem de papelão ondulado inovadora. A tecnologia utiliza o carvacrol — substância natural extraída do orégano — para estender o tempo de conservação da fruta sob refrigeração de três para nove dias, abrindo caminho para a redução do desperdício de alimentos.
O mecanismo de liberação da embalagem de papelão
Alinhada ao desenvolvimento do material sustentável, a grande inovação do projeto reside no controle da velocidade com que o composto ativo é liberado no interior da caixa. Os pesquisadores impregnaram a camada intermediária do papelão com a substância e cobriram as superfícies com papéis de revestimento específicos. Em testes de laboratório e de armazenamento com frutos, a estrutura evitou o surgimento do fungo Rhizopus stolonifer, causador da podridão-mole, mantendo a firmeza da polpa, a acidez ideal e o tom vermelho vivo dos morangos.
Sustentabilidade no mercado global
Vale destacar que a tecnologia celulósica se apresentou como uma alternativa viável, biodegradável e reciclável para substituir os recipientes plásticos tradicionais. Além de diminuir o impacto ambiental no descarte, o avanço atende às exigências de regulamentações internacionais recentes, como as novas normas da União Europeia, que preveem a eliminação gradual de plásticos em produtos hortifrúti. Dessa forma, a solução fortalece a competitividade dos produtores nacionais, que miram o mercado externo.
A aplicação do papelão ativo reforça o papel da ciência no combate à perda de alimentos e na transição para embalagens ecológicas. Por fim, o aprimoramento dessa tecnologia promete transformar o transporte de frutas, garantindo produtos mais frescos, seguros e duráveis na rotina das famílias.
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