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Cientistas listam jogos e estádios da Copa com mais risco de calor extremo (e o Brasil é afetado)

Segundo levantamento da Climate Central, quase todos os estádios-sede têm mais dias de calor extremo do que em 1970; todos os jogos serão paralisados aos 22 minutos de cada tempo para que os atletas se hidratem

14 jun 2026 - 15h13
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Por causa do clima quente e úmido, análises científicas têm alertado para o risco à saúde dos atletas e de torcedores, além de partidas mais lentas, durante a Copa do Mundo de 2026.

No evento esportivo sediado por EUA, México e Canadá em pleno verão do hemisfério norte, até o dia 19 de julho, quase todos os jogos (97 de 104) têm maior probabilidade de atingir temperaturas prejudiciais ao desempenho dos atletas em razão das mudanças climáticas, segundo análise da Climate Central, organização de notícias sem fins lucrativos voltada à divulgação de informações sobre ciência climática.

A World Weather Attribution considera um fator adicional: a umidade, que agrava o risco das temperaturas altas. Pelo índice de bulbo úmido, que simula a sensação térmica na pele molhada de suor, o risco real de estresse térmico começa nos 26ºC quando a umidade está alta, e nessas condições, a partida deveria ser adiada acima de 28ºC. Essa é a referência usada pelo Sindicato Mundial dos Jogadores (FIFPRO), mas não pela Federação Internacional de Futebol (Fifa): a entidade só considera adiamento acima de 32ºC de calor úmido.

Nesta Copa do Mundo, todos os jogos serão paralisados aos 22 minutos de cada tempo para que os atletas se hidratem. A pausa deve durar três minutos e tem como objetivo garantir a integridade física dos jogadores.

À AFP, a federação afirmou que "seguirá supervisionando as condições em tempo real, integrando a temperatura do termômetro de bulbo úmido e o índice de calor, e está preparada para aplicar os protocolos de contingência estabelecidos, caso ocorram episódios de condições meteorológicas extremas".

O levantamento mostra que a partida mais impactada pelo aquecimento global será disputada entre Espanha e Uruguai, em 26 de junho, no Estádio de Guadalajara: há 70% de chance de calor prejudicial à performance, aumentada em 37 pontos percentuais em função da mudança climática.

A final, agendada para 19 de julho do MetLife Stadium, em Nova York, tem 47% de probabilidade de calor prejudicial ao desempenho esportivo, chance tornada 17 pontos percentuais maior por causa da mudança do clima.

Como o calor pode afetar a seleção brasileira na fase de grupos?

Nos jogos do Brasil durante a fase de grupos, a probabilidade de calor prejudicial ao desempenho só cresce, mostra a Climate Central. Na próxima partida contra o Haiti, em 19 de junho, a chance é de 43%. São 11 pontos maior por causa da mudança do clima.

A chance maior de calor acima de 28ºC é indicada no jogo contra a Escócia, disputado em 24 de junho, em Miami. No estádio com cobertura parcial, que teve um dos maiores aumentos na taxa de dias de calor extremo entre junho e julho comparado aos estádios-sede desta Copa, a probabilidade de calor prejudicial ao desempenho é de 95%, e é 14 pontos maior em função da mudança climática.

Estadão
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