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Após avanço na COP de Belém, países voltam a discutir transição dos combustíveis fósseis; entenda

Reunião em Bonn, na Alemanha, começa nesta segunda-feira e antecede a COP-31

8 jun 2026 - 05h41
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Iniciada nesta segunda-feira, 8, a conferência do clima em Bonn, Alemanha, gera expectativa sobre o encaminhamento dos roteiros de transição dos países para longe dos combustíveis fósseis, assunto de primeira ordem para a contenção da mudança do clima.

Paradoxalmente à importância, o afastamento da energia fóssil levou décadas para ser incluído em um texto de decisão das COPs e é considerado o "elefante na sala".

A elaboração de mapas do caminho para a transição energética ganhou impulso no ano passado, na COP de Belém, levando um grupo de nações a criar um fórum separado para tratar do tema. A primeira edição dessa conferência inédita foi realizada em Santa Marta, na Colômbia, no fim de abril, com participação de mais de 50 países.

A questão dos mapas do caminho está fora da agenda formal a ser discutida em Bonn e na COP-31 neste ano, mas especialistas consideram que a conferência na Alemanha será um teste para as ambições colocadas pelos países em Santa Marta, que incluem avançar na eliminação de subsídios aos combustíveis fósseis e de seu uso intensivo no comércio internacional.

A presidência brasileira da COP-30, que vai até dezembro de 2026, se comprometeu com a entrega até novembro de um roteiro para implementar essa transição, que deve contar com contribuições colocadas pelos países em Santa Marta.

Países buscam roteiros de transição para longe dos combustíveis fósseis.
Países buscam roteiros de transição para longe dos combustíveis fósseis.
Foto: Marcos Arcoverde/Estadão / Estadão

Segundo a assessora extraordinária para a COP-30 do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Flávia Bellaguarda, a presidência brasileira irá organizar eventos paralelos em Bonn para apresentar os contornos do documento, com base na participação de 120 países que enviaram submissões. A chamada foi aberta pela presidência para conferir maior engajamento e legitimidade ao processo.

O objetivo é criar um conjunto de diretrizes que inspirem e encorajem os países a desenvolverem seus próprios mapas do caminho, nacionais e regionais. Ela explica que, por não ser mandatado, o mapa do caminho da presidência brasileira não é baseado no consenso obrigatório e que o foco dos eventos não será debater as convergências e discordâncias entre os países sobre o que foi submetido.

"O objetivo é apresentar o documento, como está se formando e quais são os temas prioritários, levando em consideração esse processo de escuta", diz a assessora do MMA. "Quem sabe, tangenciando o espaço negociador e fortalecendo esse debate, os mapas do caminho possam passar a ser reconhecidos dentro das NDCs (metas climáticas dos países)".

As sessões subsidiárias de Bonn não trazem decisões finais — são uma etapa preparatória de negociação, com o objetivo de avançar em aspectos técnicos e políticos para viabilizar as decisões na COP-31, realizada em novembro deste ano em Antália, na Turquia.

O representante especial para a Mudança do Clima do Panamá, Juan Carlos Monterrey, acredita que Santa Marta inaugurou uma nova fase no debate climático. O país da América Central é altamente vulnerável à crise climática e Monterrey ganhou destaque como defensor vocal da implementação, contra a morosidade da governança climática global.

"Os burocratas ambientais dos governos estão se afogando em papelada que não leva a nada, em vez de se concentrarem na implementação de ações em campo e no aumento da resiliência das nossas comunidades", disse Monterrey em um briefing para a imprensa realizado na última terça-feira, 2.

O que será discutido em Bonn?

Assim como acontece nas cúpulas do clima, a reunião de Bonn tem uma agenda preliminar que será discutida no primeiro dia do evento.

Cada um dos tópicos a serem negociados deve ser aprovados por consenso por todos os participantes: só então será definido oficialmente o que entrará em debate.

Para o coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, Claudio Angelo, a conferência de Bonn tem tarefas fundamentais a cumprir na negociação: dar contorno ao mecanismo de transição justa acordado em Belém, para torná-lo operacional na COP-31; avançar nas agendas de adaptação e no novo programa sobre financiamento.

Mas destaca que o mais importante é como irá lidar com o "elefante na sala", a transição para longe dos combustíveis fósseis.

"A onda política iniciada em Belém, que ganhou impulso em abril em Santa Marta, não pode arrefecer. Tanto a coalizão de Santa Marta quanto a presidência da COP-30 precisam usar o encontro em Bonn para fazer avançar esse debate", afirma.

Estadão
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