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Produtores rurais recebem recompensa para preservar água no interior de MG

Iniciativa prevê incentivo financeiro para proteger manancial responsável pelo abastecimento de 62% do município de Passos

22 mar 2026 - 04h57
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Francisco Cláudio, produtor rural
Francisco Cláudio, produtor rural
Foto: Divulgação/Grupo Heineken

Localizada em Passos, Minas Gerais, a bacia hidrográfica do Ribeirão Bocaina consiste em uma área de 457,9 km² responsável por abastecer cerca de 62% da população da região. No entanto, o manancial sofre com a degradação ambiental e apresenta altos índices de erosão.

Preservar a nascente se tornou um desafio para os moradores da cidade, tendo em vista a ameaça da escassez de recursos hídricos e dos avanços da agropecuária. Francisco Cláudio da Silva é um dos produtores rurais que integra o Projeto Bocaina, que visa conservar a bacia hidrográfica tão necessária para a comunidade de Passos.

Ele e outros 66 produtores rurais recebem uma recompensa para ajudar na preservação da água do local. "Antes do projeto, o maior desafio era justamente cuidar da água sem ter apoio. A gente sabe da importância dela, não só para a fazenda, mas para o mundo todo", conta ao Terra.

De acordo com seu Francisco, como é conhecido, o consumo da água costuma ser alto por conta da produção de subsistência, especialmente a do leite. "Conservar nascente exige esforço. Sozinho, ficava difícil fazer tudo do jeito certo e com segurança para o futuro", acrescenta.

A iniciativa faz parte do Programa Produtor de Água da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e atua de forma preventiva para proteger o manancial que sofre pressão das atividades agropecuárias e do uso intensivo do solo.

Projeto Bocaina fortalece a segurança hídrica de Passos (MG)
Projeto Bocaina fortalece a segurança hídrica de Passos (MG)
Foto: Divulgação/Grupo Heineken

Seu Francisco e os outros produtores rurais cadastrados recebem Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), um valor destinado a quem adota práticas voltadas à conservação do solo e da água. Entre as principais ações implementadas por eles estão:

  • Construção de 306 barraginhas para retenção e infiltração da água da chuva;  
  • Implantação de 38 quilômetros de terraços em nível para conservação do solo;  
  • Instalação de 16 biodigestores voltados ao saneamento rural;  
  • Recuperação e conservação da vegetação nativa e das áreas de recarga hídrica.  

Ele relata que quando começou a fazer parte do projeto teve algumas dificuldades para se adaptar ao que era proposto. Mas a conversa com os outros produtores -- que também tinham dificuldades -- ajudava a entender o que seria melhor para cada realidade. 

"O que mudou foi que as coisas começaram a andar de verdade. Eu estou no projeto desde o começo e, no início, foi tudo bem difícil. Mas de um ano para cá, com a entrada da iniciativa privada e da Heineken, a gente viu a diferença. O projeto ganhou força, as ações começaram a acontecer, e hoje dá para dizer que funcionou. Esse último ano, para mim, foi perfeito", explica.

O projeto é desenvolvido por meio de um Acordo de Cooperação Técnica entre a ANA, o Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura (IICA) e o Grupo Heineken, que aporta suporte técnico e financeiro para a implementação de melhorias ambientais nas pequenas propriedades rurais da região.

"Faz diferença porque valoriza o que a gente faz. É um reconhecimento pelo cuidado com a água, com a terra, com o futuro. Ajuda a seguir no caminho certo e mostra que preservar também tem valor. Isso dá mais segurança para continuar investindo e cuidando da propriedade", complementa o produtor rural.

Ligia Camargo, diretora de Sustentabilidade do Grupo HEINEKEN
Ligia Camargo, diretora de Sustentabilidade do Grupo HEINEKEN
Foto: Divulgação/Grupo Heineken

Entre 2022 e 2025, o projeto já destinou R$ 368 mil em pagamentos por serviços ambientais aos produtores rurais parceiros. Ligia Camargo, diretora de Sustentabilidade do Grupo Heineken, destaca que a combinação de ações é que o gera resultados de maior impacto. O reuso de água nas fábricas, por exemplo, tem impacto imediato na redução do consumo.

"Ao mesmo tempo, ações como restauração de ecossistemas, agricultura regenerativa e projetos de governança hídrica atuam no território, com foco na recarga de aquíferos, na melhoria da infiltração do solo e na preservação de nascentes, gerando impacto estrutural e de longo prazo na disponibilidade de água, especialmente em bacias sob estresse hídrico", diz.

Ela ressalta que o objetivo da iniciativa no Ribeirão Bocaina é fortalecer a segurança hídrica do município de Passos e que o monitoramento das ações é feito de perto. Entre as metas do grupo está a redução do consumo hídrico até 2030.

"A meta de redução hídrica não é tratada de forma isolada, mas desdobrada em iniciativas concretas, com acompanhamento contínuo e integração às frentes estratégicas da companhia, o que garante responsabilização interna e evolução constante. Estamos confiantes nas metas estabelecidas no EverGreen 2030 justamente porque práticas mais sustentáveis já fazem parte da nossa rotina", finaliza.

Fonte: Portal Terra
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