Acre está no inverno? Entenda motivo pelo qual Estado não segue 'regra' do restante do Brasil
Estados da região Norte se dividem em 'inverno amazônico' e 'verão amazônico' ao longo do ano
Os meses de dezembro, janeiro, fevereiro e março são comumente associados a férias e viagens à praia em razão do forte calor do verão. No entanto, para a região Norte e para algumas cidades do Maranhão e do Mato Grosso, é comum que chova bastante nessa época. É o caso do Estado do Acre, que atualmente está no inverno.
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Mas calma lá: a expressão faz referência ao inverno amazônico, um período caracterizado por chuvas intensas e alta umidade na região que começa em novembro e torna-se mais intenso a partir de dezembro, indo, no máximo, até o mês de abril.
Anderson Azevedo Mesquita, doutor em Geografia e professor da Universidade Federal do Acre, afirma que existem algumas hipóteses para explicar o surgimento do termo.
A primeira estaria relacionada a uma questão histórica, tendo em vista que o Estado teve um alto fluxo migratório de estrangeiros, o que pode ter gerado uma similaridade na questão climática, associando, por exemplo, ao clima europeu.
Já a segunda, a qual o doutor considera mais coerente, considera a relação histórica, mas ressalta que a maior taxa de nebulosidade e o período de chuva mais intenso fez com que se considerasse essa característica como um inverno.
"Boa parte desse período chuvoso, do inverno amazônico, é caracterizado por dias nublados, dias mais frios, mais amenos, são poucos dias com o sol totalmente aberto, porque a nebulosidade é muito elevada. Então eu acredito que essas características de maior nebulosidade, de maior volume precipitado, de temperaturas relativamente mais amenas sobre essas circunstâncias, é que talvez tenham dado essa característica de inverno, de temperatura mais baixa", ressalta.
Basicamente, enquanto a maioria dos Estados do Brasil vive o verão com sol e calor forte, os Estados da Região Norte e algumas partes do Maranhão e do Mato Grosso recebem maior incidência de chuvas e tempo nublado.
No Acre, o alto volume de chuvas acaba provocando alagamentos em diversas partes da capital Rio Branco e de outras cidades do interior. Os rios ficam mais cheios e, consequentemente, transbordam com a intensidade de água que cai no decorrer dos dias.
O geógrafo destaca que o termo inverno amazônico, apesar de ser bastante usado por pessoas da região, não tem possibilidade de existir sob o ponto de vista científico. Por isso, quando é verão nos outros Estados do Brasil, também é verão no Acre, e assim por diante.
"O Acre, a partir do dia 21, 22 ou 23 de dezembro, entra no período do verão, no verão do Hemisfério Sul, que obviamente é caracterizado pela maior incidência de radiação solar. Inclusive, boa parte de toda essa nebulosidade, de todo esse volume enorme de precipitação que cai aqui no Acre é justamente por conta do verão do Hemisfério Sul. Então, você tem uma maior insolação solar, isso evapora a água do mar na zona próximo ao Equador, formando as recites", complementa.
Por outro lado, há também o verão amazônico, que vai de abril até outubro, quando tem uma redução forte do volume de chuvas e da nebulosidade.
"Em tese, você tem uma incidência de insolação maior por conta da menor nebulosidade, o ar fica mais seco e a umidade relativa do ar baixa muito. Por conta disso, a sensação térmica é muito maior que no período do inverno amazônico", afirma o professor.
Desta forma, é comum que a população se refira ao Estado do Acre como tendo apenas dois períodos: o inverno e o verão amazônico.
"Eu diria que a principal diferença entre uma estação e a outra é que no inverno amazônico a gente tem uma incidência maior de nebulosidade, tem mais nuvens e mais chuva. Já nos demais meses, essa chuva praticamente desaparece e você tem, em muitos casos, meses com mais de 20 dias, até 30 dias, sem que haja nenhum volume precipitado", exemplifica.
Mesquita destaca que o verão amazônico tende a ser mais forte a questão do calor. Aliás, este é o período em que há maior incidência de queimadas.
"São períodos em que há chuva com muito volume, praticamente diárias, e aí de repente na outra estação você tem uma escassez hídrica muito forte, você passa de duas, três até quatro semanas sem que haja nenhum evento de precipitação mais importante."
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