Script = https://s1.trrsf.com/update-1786557910/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Do Título ao Caos: Ponte Preta Tem Greve, Debandada e Pode Até Sofrer W.O.

Jogadores paralisaram atividades após meses de salários atrasados, Márcio Zanardi deixou o comando e clube corre contra o tempo antes de enfrentar o América-MG.

27 ago 2026 - 21h02
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
Menos de um ano após o título da Série C, a Ponte Preta vive grave crise financeira e esportiva. Com seis meses de salários atrasados, o elenco entrou em greve e o técnico Márcio Zanardi pediu demissão. Lanterna da Série B e punida pela FIFA, a Macaca sofreu debandada de atletas e viu a criação da SAF travar na Justiça. Sem acordo com os profissionais, o clube corre risco iminente de sofrer W.O. no próximo confronto contra o América-MG se não conseguir levar atletas da base a campo.

A Ponte Preta atravessa um dos capítulos mais sombrios de sua trajetória centenária. Menos de um ano depois de levantar a taça da Série C do Campeonato Brasileiro, o clube de Campinas se encontra asfixiado por dívidas milionárias e uma gestão paralisada. O cenário de terra arrasada culminou, nesta quarta-feira, em uma greve geral dos jogadores profissionais, escancarando uma crise estrutural que já transborda das finanças para os gramados e ameaça a própria continuidade do time na temporada.

Sentimento de abandono e paralisação

O estopim para a interrupção das atividades foi o esgotamento do prazo dado pelo elenco à diretoria para a regularização dos vencimentos. Na manhã da última quarta-feira, os atletas compareceram ao Centro de Treinamento do Jardim Eulina apenas para formalizar a paralisação, amparados pelo artigo 90 da Lei Geral do Esporte.

Imagem: Divulgação/Gerada por Inteligência Artificial
Imagem: Divulgação/Gerada por Inteligência Artificial
Foto: Divulgação/Gerada por Inteligência Artificial / Woo! Magazine

Com aproximados seis meses de salários e direitos de imagem atrasados, os profissionais se recusaram a treinar e deixaram o local logo em seguida.

A indignação do grupo foi externada por meio de um comunicado oficial contundente, no qual os jogadores apontaram a ausência de diálogo e o descaso da alta cúpula pontepretana. Nas palavras dos próprios atletas, a situação se tornou insustentável:

"Há ainda uma nuvem de incertezas que pairam sobre nós, é que a diretoria atual abandonou o dia a dia do clube e, além dos atrasos salariais, estamos sem qualquer satisfação ou garantia. Nosso sentimento é de abandono!"

Mudança de comando no meio da tempestade

A turbulência nos bastidores provocou uma reação em cadeia no departamento de futebol. Diante do agravamento do caos financeiro e da greve instaurada, o técnico Márcio Zanardi pediu demissão.

O treinador encerrou uma passagem relâmpago e desastrosa de apenas 12 jogos, registrando um aproveitamento de 5,5%, sem nenhuma vitória conquistada.

Imagem: Divulgação/Gerada por Inteligência Artificial
Imagem: Divulgação/Gerada por Inteligência Artificial
Foto: Divulgação/Gerada por Inteligência Artificial / Woo! Magazine

Ao anunciar sua saída, Zanardi justificou a decisão pela quebra das expectativas em relação ao suporte estrutural prometido. Segundo o ex-comandante:

"Topei, de forma muito honrada, o desafio de assumir esse grande clube sabendo do momento delicado pelo qual a instituição atravessa e com expectativas de que pudéssemos encontrar soluções dentro e fora de campo. No entanto, o agravamento da situação financeira comprometeu o desenvolvimento do trabalho."

Para tentar apagar o incêndio, a diretoria recorreu a uma velha solução caseira e encaminha o acerto com Gilson Kleina, que caminha para sua sexta passagem à beira do gramado do Moisés Lucarelli.

Humilhação em campo e solidariedade rival

A ruína administrativa se reflete diretamente nas quatro linhas. A Macaca amarga a lanterna da Série B, com apenas 10 pontos conquistados em 24 rodadas. O jejum de vitórias já dura 18 partidas, enquanto a distância para a saída da zona de rebaixamento chegou a 19 pontos, tornando a permanência cada vez mais difícil.

No início do ano, o roteiro trágico já havia dado as caras com o rebaixamento no Campeonato Paulista, onde a equipe somou apenas um ponto em toda a primeira fase.

Imagem: Divulgação/Gerada por Inteligência Artificial
Imagem: Divulgação/Gerada por Inteligência Artificial
Foto: Divulgação/Gerada por Inteligência Artificial / Woo! Magazine

A fragilidade do time atingiu seu ápice na recente goleada por 6 a 0 diante do Vila Nova. O abalo no elenco paulista ficou tão evidente que até mesmo os adversários demonstraram empatia diante da situação.

O zagueiro Tiago Pagnussat, da equipe goiana, resumiu o sentimento de quem acompanhou o vexame de perto:

"A verdade também é que a gente fica até um pouco constrangido pelo adversário e se solidariza. É triste ver a situação desses profissionais, que têm famílias, filhos, pais, os funcionários sofrendo."

Ameaça de W.O. e futuro incerto

O colapso também envolve o desmanche do elenco. Nomes de peso, como o atacante William Pottker e o zagueiro David Braz, já haviam rescindido seus contratos recentemente por conta da inadimplência.

Além disso, a Ponte Preta está impedida de registrar novos atletas devido a duas punições esportivas aplicadas pela FIFA. A esperança de transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) também esbarrou na burocracia e acabou travada na Justiça no início da semana.

Com o elenco profissional de braços cruzados, a Macaca flerta com um desastre ainda maior. Caso não haja acordo nas próximas horas, a diretoria precisará acionar emergencialmente jogadores das categorias de base para viajar a Belo Horizonte, onde o time tem compromisso marcado contra o América-MG no domingo.

Se não conseguir reunir atletas suficientes para entrar em campo, o clube poderá sofrer um W.O., escrevendo mais uma página melancólica em uma das maiores crises de sua história esportiva.

Há menos de um ano, a Ponte Preta celebrava um título nacional e projetava a reconstrução de sua trajetória. Agora, vive o extremo oposto: salários atrasados, jogadores em greve, treinador demissionário, elenco desmontado, punições esportivas e o risco de sequer conseguir disputar a próxima partida.

O abismo que se abriu em Campinas não surgiu de uma hora para outra. Mas a velocidade com que a crise atingiu o futebol profissional transformou uma temporada difícil em uma situação que ameaça deixar marcas profundas na história da Macaca.

Publicado originalmente na Woo! Magazine.

Woo! Magazine
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra